Muitas das nossas ações são baseadas mais pelo costume do que por escolhas racionais. Em “O poder do hábito”, Charles Duhigg, repórter do jornal The New York Times e ganhador do Prêmio Pulitzer, pontua como os hábitos podem impactar na obtenção do sucesso – sejam eles pessoais ou profissionais.

“A maioria das escolhas que fazemos a cada dia pode parecer fruto de decisões tomadas com bastante consideração, porém não é. Elas são hábitos”, escreve nas primeiras páginas da obra. Buscando se embasar em pesquisas e na neurociência, o autor também pontua que é necessário entendê-los para tomarmos controle das nossas rotinas.

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Baseado nisso, é possível dizer que incorporar qualquer habilidade cognitiva ou física de forma consistente? De maneira genérica, a resposta de Duhigg é sim. Pois, segundo ele, incluir hábitos positivos e descartar os inúteis é a chave para avançar em direção a um objetivo cobiçado.

 

 

Mas o que são e como funcionam os hábitos?

Ao pé da letra, os hábitos são considerados “inclinações” por alguma ação. Ou, em outras palavras, a disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela frequente repetição.

Em “O poder do hábito”, baseando-se em teorias da neurociência, Duhigg explica que o cérebro busca reduzir esforços. Essa ideia, por si só, não é uma novidade. Porém ele demonstra como um hábito é processado dentro das nossas cabeças.

Chamado de “loop do hábito”, ele ocorre em três etapas:

  • Deixa (ou gatilho)

Qualquer acontecimento que desperte a atenção do nosso cérebro pode ser considerado um gatilho e é ele que nos impulsiona a agir.

  • Rotina

Acionada pelo gatilho, a rotina é a maneira “comum” que respondemos – seja em ações físicas, emocionais ou mentais.

  • Recompensa

Quando o seu cérebro acredita que determinada rotina funcionou, ele irá armazenar essa informação.

Deste modo, quando se encontrar novamente na mesma situação, provavelmente o cérebro irá recorrer pelo mesmo caminho – criando-se um hábito. Apesar disso, o autor ainda pontua que, identificando como esse processo acontece, é possível alterar, adaptar e criar diferentes rotinas.

 “Cada um deles [os hábitos] tem uma deixa diferente e oferece uma recompensa única. Alguns são simples e outros são complexos, apoiando-se em gatilhos emocionais e oferecendo prêmios neuroquímicos sutis. Porém todo hábito, por maior que seja sua complexidade, é maleável.”

10 lições do livro “O poder do hábito”

Com 408 páginas, o livro consegue minuciar os hábitos que tangem não apenas a vida das pessoas, como também os negócios – seja na carreira profissional ou aplicado dentro de empresas. Além disso, ele é dividido em três partes:

  1. O loop do hábito: como os hábitos funcionam;
  2. O cérebro ansioso: como criar novos hábitos;
  3. A regra de ouro da mudança de hábito: por que a transformação acontece?

Dispondo de importantes ensinamentos, “O poder do hábito” lança mão de verdadeiros guias baseados em casos práticos e estudos. Para quem ainda não leu o livro e deseja uma palhinha, o Na Prática selecionou dez lições ensinadas pela obra.

#1 Nem sempre o cérebro sabe distinguir hábitos bons dos ruins

Não é porque algo faça parte da sua rotina que necessariamente seja bom. O nosso cérebro funciona como uma máquina e, por vezes, tenta operar no automático. Por isso, muitas vezes ele não é capaz de perceber que determinado hábito possa ser negativo.

“Isso explica a razão de ser tão difícil criar o hábito de fazer exercícios, por exemplo, ou de mudar nossa alimentação. Uma vez que adquirimos uma rotina de sentar-se no sofá em vez de sair para correr, ou de fazer um lanchinho sempre que passamos por uma caixa de donuts, esses padrões continuam para sempre dentro das nossas cabeças”, aponta Duhigg.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o autor aponta que é possível aprender a criar novas rotinas neurológicas – que, neste caso, sejam melhores. Para isso, é necessário assumir o loop do hábito – já falamos dele, lembra?

#2 Apesar disso, é bom ter uma rotina

Ter uma rotina não é algo negativo, muito pelo contrário. O nosso cérebro ficaria muito sobrecarregado caso ele precisasse raciocinar sobre absolutamente todas as nossas ações. Neurologicamente falando, está tudo certo em automatizar algumas ações e torná-las hábitos.

Como exemplo, o autor cita a concentração necessária quando uma pessoa acaba de tirar a habilitação de motorista. No início, muito provavelmente, a tarefa de tirar o carro da garagem na marcha à ré irá demandar muita atenção e cautela.

“Hoje em dia, no entanto, você faz tudo isso cada vez que sai para a rua, quase sem pensar. A rotina acontece por hábito.”

#3 Novos hábitos são capazes de mudar o nosso cérebro

Lançando mão da neurologia, Duhigg explica como um estudo do MIT apontou como o cérebro passar por mudanças ao adotar rotinas. “Se imaginarmos o cérebro humano como uma cebola, composto de camadas sobrepostas de células, então as camadas de fora — as mais próximas do couro cabeludo — são geralmente os acréscimos mais recentes de um ponto de vista evolutivo”, afirma.

Ainda segundo ele, quando se “cria uma nova invenção”, são as partes mais externas do cérebro que estão em ação. Inclusive, é lá que acontecem os pensamentos mais complexos.

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#4 Mudar hábitos impacta em diferentes áreas da vida

Partindo de um exemplo dado na obra, na faixa dos 20 anos, Lisa Allen, era mulher sedentária, com uma vida profissional ainda não estabilizada e estava endividada. Aos 34 anos, sua vida era completamente diferente: trabalhava há mais de três anos na mesma companhia, já havia corrido uma maratona e parecia pelo menos uma década mais jovem do que realmente era.

Uma única mudança de hábito havia proporcionado tantas transformações: Lisa havia parado de fumar há cerca de quatro anos. É claro, adotar uma vida saudável não é uma regra para ex-fumantes, porém não é de se surpreender que uma coisa tenha levada a outra, também.

“Lisa era a participante favorita dos cientistas porque suas tomografias eram muito convincentes, muito úteis para criar um mapa no qual os padrões comportamentais — os hábitos — residem dentro de nossas mentes”, destaca o autor.

#5 Fique de olho nos hábitos angulares

Ainda fazendo uso da história de Lisa, o autor afirma que esse foco único que a mulher teve (parar de fumar) é o chamado “hábito angular”. Isto é, uma rotina que recompensou o cérebro de tal maneira que o estimulou a reprogramar outras rotinas. E não são apenas as pessoas que são capazes disso.

“Quando as empresas se concentram em mudar hábitos, organizações inteiras podem se transformar. Empresas como a Procter & Gamble, a Starbucks, a Alcoa e a Target já tiraram proveito dessa revelação para influenciar o modo como o trabalho é feito, como os funcionários se comunicam, e — sem que os clientes percebam — o jeito como as pessoas fazem compras.”

#6 Hábitos ruins não são extintos, mas podem ser mudados

Hábitos dificilmente podem ser completamente extintos, mas podem ser mudados. “O poder do hábito” destaca a experiência de Tony Dungy. O técnico de futebol americano que conseguiu fazer vitorioso um time medíocre preferiu ajustar alguns hábitos ruins dos jogadores a tentar exclui-los.

“Sua estratégia como técnico personificava um axioma, uma Regra de Ouro da mudança de hábito que, segundo mostraram estudos e mais estudos, está entre as ferramentas mais poderosas para gerar mudanças. Dungy reconheceu que nunca se pode realmente eliminar os hábitos ruins.”

Aliás, essa tal regra é bastante simples. Lembra do loop do hábito? Mantenha a mesma deixa e recompensa, porém altere a rotina. “Quase todo comportamento pode ser transformado, se a deixa e a recompensa continuarem as mesmas”, revela Duhigg.

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#7 O poder para mudar um hábito depende da vontade própria

Não adianta tentar mudar um hábito ruim se nem você acredita em si mesmo. Pode parece papo de autoajuda, mas é neurociência. O cérebro precisa de recompensa, então ele deve acreditar que determinada mudança desencadeará algo positivo.

“Uma vez que as pessoas aprendiam a acreditar em alguma coisa, essa habilidade começava a transbordar para outras partes de suas vidas, até que começavam a acreditar serem capazes de mudar. A fé era o ingrediente que transformava um loop de hábito retrabalhado num comportamento permanente.”

#8 Fique atento aos pontos de inflexão

No meio do caminho, pode haver pedras – no caso do cérebro, são os chamados pontos de inflexão. Segundo Duhigg, a falta de disciplina, distração, procrastinação e outras atitudes que colocam em xeque as suas intenções são exemplos disso.

“É assim que a força de vontade se torna um hábito: escolhendo certo comportamento de antemão e seguindo uma rotina quando um ponto de inflexão surge.”

#9 É mais fácil mudar em grupo

Comunidades criam fé e fortalecem sua capacidade de acreditar em si mesmo. Não é à toa que grupos como Vigilantes do Peso, Alcóolicos Anônimos e diversos outros tipos de atuação em comunidade fazem tanto efeito.

“Há algo de poderoso em grupos e experiências compartilhadas. As pessoas talvez sejam céticas sobre sua capacidade de mudar se estiverem por conta própria, porém um grupo pode convencê-las a suspender a descrença. Quando as pessoas se juntam a grupos em que a mudança parece possível, o potencial para que ela ocorra se torna mais real.”

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#10 É possível aplicar o conceito ao mundo corporativo

Já falamos, mas é sempre bom lembrar que o universo corporativo também é feito de hábitos – bons e ruins. Inclusive, Duhigg busca fazer o leitor repensar na rotina tem fomentado profissionalmente e como utilizar esse conhecimento para potencializar a formação de uma cultura organizacional melhor.

“Hábitos organizacionais oferecem uma promessa básica: se você seguir os padrões estabelecidos e respeitar a trégua, então as rivalidades não vão destruir a empresa, os lucros vão entrar e, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vai ficar rico.”

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