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Divertidamente e inteligência emocional

O que o filme “Divertidamente” ensina sobre inteligência emocional?

Por Suria Barbosa

Vencedor de mais de 90 prêmios de cinema, “Divertidamente” traz a cabeça da jovem Riley movimentada por cinco personagens que representam emoções. O filme contou com consultoria de Paul Ekman, psicólogo referência mundial no tema.

Lançado em 2015, “Divertidamente” (em inglês Inside Out) é um filme de animação vencedor de 97 prêmios de cinema, incluindo um Oscar (Melhor Filme de Animação do Ano), um Golden Globe (Melhor Filme do Ano – Animação) e um BAFTA Awards (Melhor Filme Animado). O enredo condecorado se concentra principalmente na mente da jovem Riley, de 11 anos, onde cinco emoções, caracterizadas por personagens de mesmo nome, se expressam: o Raiva, a Tristeza, a Nojinho, o Medo e a Alegria.

Durante sua concepção, o filme contou com a consultoria de um dos psicólogos mais reconhecidos no campo do estudo das emoções, Paul Ekman. Com uma pesquisa de mais de 50 anos no tema, Ekman se consolidou principalmente por ter sido um dos responsáveis pela descoberta das microexpressões – expressões faciais sutis, de menores “dimensões”, involuntárias e universais -, fato que o fez trabalhar com diversas agências governamentais, como a CIA, na detecção de mentiras. Ele, inclusive, inspirou e prestou consultoria também na produção da série Lie to Me (Engana-me se puder), em que um psicólogo auxilia a polícia a pegar falhas no depoimento de suspeitos.

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“Divertidamente” e inteligência emocional

Para decodificar as expressões características das emoções, Ekman viajou o mundo inteiro em busca do que fosse universal, compartilhado por todos e independente da cultura. Disso, conseguiu mapear cinco emoções básicas universais, as mesmas que figuram como personagens em “Divertidamente”: raiva, tristeza, desgosto, medo e alegria.

Diferente dos sentimentos, que são processos mentais não necessariamente perceptíveis, emoções são impulsos biológicos, visíveis no rosto, na voz ou na linguagem corporal. Embora as cinco mapeadas acima sejam encontradas em todos, seus gatilhos variam de pessoa a pessoa, como o filme mostra por meio de Riley e seus pais, por exemplo.

Outro ponto que fica claro em “Divertidamente” é que cada emoção tem um propósito. A Alegria garante a felicidade de Riley, o Medo garante sua segurança, o Raiva busca justiça, a Nojinho (desgosto) garante que a jovem não seja contaminada, tanto fisicamente quanto socialmente, e a Tristeza mostra quando ela precisa de ajuda.

Um dos trunfos da obra, no que tange à inteligência emocional, é mostrar como todas as emoções têm uma razão – não seguem a regra dicotômica bom/ruim – e não devem ser evitadas, mas sim compreendidas em suas particularidades. A personagem Tristeza, por exemplo, passa boa parte do enredo (assim como os outros) acreditando que o único efeito que poderia ter é de fazer mal à Riley, mesmo que não quisesse.

O “Atlas das Emoções”

Em uma busca por um “mapa” que ajudasse a guiar as pessoas em uma compreensão mais profunda sobre as emoções – e ao estado de calma da mente -, o líder espiritual e chefe de estado do Tibete, Dalai Lama, buscou a ajuda Ekman. Do projeto, que o psicólogo fez em conjunto com sua filha, a pesquisadora de regulação emocional Eve Ekman, resultou o “Atlas das Emoções”.

O “Atlas” é fruto de uma pesquisa mundial, a mesma que levou Ekman a mapear as emoções básicas mencionadas acima. Na prática, o projeto é um guia interativo das emoções humanas, que pode ser acessado online por todo mundo, que define graficamente a intensidade das emoções e mapeia as emoções secundárias, derivadas das básicas (e resultantes da variação de intensidade).

Além disso, destrincha as etapas de um episódio emocional, basicamente:

  1. Gatilho
  2. Experiência
  3. Resposta

Segundo o site do “Atlas das Emoções”, seu objetivo é ajudar as pessoas a ter consciência de suas emoções, uma habilidade incluída no que chamamos de inteligência emocional.

“Consciência de nossas emoções significa entender como elas são acionadas, como elas são sentidas e como reagimos. (…) Não queremos nos livrar de nossas emoções, queremos estratégias que nos ajudem a responder de maneira útil e construtiva”, define o “Atlas”.

 

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