Time da Stone depois da abertura de capital que fez dela uma empresa pública

Um dos momentos de maior apreensão nos processos seletivos é a entrevista – principalmente quando se sabe que perguntas habituais serão feitas. Ainda que muitos recrutadores estejam inovando em suas abordagens, há sempre aquelas que não ficam de fora e que também geram incertezas sobre como responder.

Pensando nesse assunto, o Na Prática decidiu fazer perguntas de entrevistas de emprego a importantes executivos do Brasil. Além disso, trouxemos Patrícia Aguiar, Gerente de Redes e Seleção Massiva da Fundação Estudar, que irá analisar cada uma das respostas sob a ótica do recrutador.

Neste segundo episódio da série, convidamos Thiago Piau, sócio e CEO da Stone, startup que se tornou uma empresa pública. O executivo também é sócio da Arpex Capital e anteriormente esteve à frente da Paggtaxi.

Executivos respondem perguntas de entrevistas: Carlos Brito (CEO da AB InBev)

Thiago Piau responde a perguntas comuns de entrevistas de emprego

# Por que devemos contratá-lo?

Piau: Eu não sou a pessoa com o maior número de diplomas ou anos de experiência que você vai encontrar, porém existem três coisas que eu gosto e acredito:

  • Desafio: é ele que me move.
  • Trabalho duro: correr atrás do que eu acredito com toda a minha energia.
  • Estudo: buscar as melhores referências e aprender todos os dias.

Além disso, sou movido pela paixão, por pessoas e, principalmente, pelo que acredito. Tenho a missão de fazer a diferença na vida do brasileiro através de tecnologia e serviços financeiros, e quero fazer parte de uma empresa que tem os mesmos objetivos que eu, feita de pessoas que somam e constroem algo grande.

Análise: Thiago Piau expõe os motivos da sua contratação em uma resposta humilde e repleta de autoconhecimento: profissional apaixonado, com muita garra, sedento por conhecimento e movido por grandes desafios e pelo que acredita – receita muito buscada pelos recrutadores. Piau fala da sua missão ligada ao empreendedorismo em tecnologia, fato que também mostra não só sobre o mercado, mas também sobre a velocidade e dinamismo do ambiente de trabalho que ele quer trabalhar. O último destaque é sua orientação por gente, ponto que Piau coloca sem trazer nenhuma aspiração de hierarquia e, sim, deixando clara a sua vontade de construir algo significativo com o time.

# Quais são seus objetivos de carreira?

Piau: Particularmente, não gosto do termo carreira, pois parece haver um caminho pré-determinado a percorrer. Empreendedor não trilha carreira, ele aprende se dedicando aos desafios que se impõe, e vai construindo seu caminho conforme as oportunidades surgem e os aprendizados se consolidam.

Uma das coisas que mais valorizo quando penso em empreender são as pessoas no meu entorno, ou seja, quem são as pessoas que estão construindo comigo esse desafio. Gosto de estar cercado de pessoas melhores do que eu e, juntos, fazermos algo além do nosso potencial individual. Também vejo o trabalho como uma oportunidade de gerar valor à sociedade e me desenvolver como pessoa.

Eu sou empreendedor e conheço uma porção de empreendedores. Sei na pele as dificuldades que eles passam. Então, vejo que uma grande oportunidade é fazer a vida deles um pouco mais simples e eficiente através das tecnologias que podemos construir. Essa é minha missão.

Análise: Em uma resposta nada padrão, Thiago Piau demonstra o sentido de trabalho e carreira para ele que, mais do que um passo a passo predefinido, é a entrega da sua missão de apoiar empreendedores, ao mesmo tempo que se desenvolve como indivíduo, mostrando sua forma bem pragmática de utilizar seu conhecimento, experiência e empatia. Novamente, Piau mostra que valoriza o trabalho em time e estar com gente boa na sua trajetória pessoal e profissional, fator chave para a entrega de grandes resultados. 

# Quais são seus pontos fortes e fracos e como os posicionaria em uma equipe?

Piau: Falarei três características minhas que englobam pontos fortes e pontos fracos.
Primeiro, sou empreendedor: movido a desafios. A parte difícil é que não tenho respostas prontas, muitas das vezes, preciso descobrir como resolver. Além disso, algumas pessoas podem achar que o que estou fazendo não vai dar certo. E às vezes não dá mesmo. Mas não vou desistir.

Em seguida, vem o compromisso e disciplina. Acredito muito em honrar com os compromissos, ter uma dedicação para alcançar os combinados e cadência diária para chegar lá. O problema disso é que, dependendo das atividades e das pessoas, algumas delas podem achar que as estou pressionando e exigindo demais delas. Dizem que sou muito intenso.

Por fim, franqueza total – e inúmeras vezes as pessoas se assustam. Não estamos acostumados a ser transparentes e dar feedbacks que, algumas vezes, podem ser difíceis de ouvir. Isso pode gerar antipatia momentânea, dependendo do receptor. Mas acredito que a melhor maneira de estabelecer uma relação de longo prazo é através da franqueza. Tenho pouco interesse em relações superficiais e, por outro lado, muito interesse em construir relações duradouras. Por outro lado, gostaria que as pessoas agissem da mesma forma comigo.

Me coloque em um time que esteja disposto a fazer tudo o que for necessário por um objetivo maior do que o sucesso individual de cada um. Tenho certeza de que nos daremos bem.

Análise: Mais uma vez, Piau mostra que tem autoconhecimento de sobra: traz os dois lados dos seus pontos mais marcantes. Ele fala de comprometimento, foco em resultados, transparência, compromisso com o relacionamento com as pessoas com as quais trabalha (e, por consequência, o crescimento delas). A reflexão que fica para nós como profissionais é: se, como disse Aristóteles, “a virtude está no equilíbrio entre o excesso e a falta”, em qual medida nossos pontos fortes em algum extremo podem impactar a mim, as pessoas do meu entorno e os resultados da minha empresa? Piau demonstra ter dedicado tempo para essa reflexão e ter encontrado seu caminho para maximizar os bons frutos da sua personalidade.

Tão importante quanto conhecer seus pontos fortes e os desenvolverem, é saber quais são as organizações e ambientes de trabalho que podem potencializar as fortalezas e ter espaço para trabalhar suas fraquezas – e Piau demonstra estar no lugar certo. Imaginem ele em um ambiente corporativo super tradicional e conservador: provavelmente o “lado fortaleza” das suas características poderiam não ser exploradas no seu potencial máximo e muitos resultados deixariam de ser entregues não só localmente, mas na sociedade como um todo.

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