Wellington Vitorino

Membro da rede Líderes Estudar, Wellington Vitorino é um grande sonhador e prova viva de que sonhar é o primeiro passo para alcançar um objetivo. O jovem de São Gonçalo (RJ), filho de um padeiro e de uma auxiliar de saúde bucal, na adolescência dividia o seu tempo entre os estudos e vender doces e picolé. Hoje, ele se tornou um dos primeiros brasileiros negros a ser aprovado para um MBA no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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“É algo que me deixa com muito orgulho, mas não simplesmente pelo Wellington. A educação está atrelada com os nossos objetivos de carreira, por isso precisamos dar acesso para que mais pessoas tenham a oportunidade de estudar nos melhores centros de estudo”, conta ao Na Prática.

Para ele, estudar nos melhores lugares está diretamente relacionado ao rendimento de cada um. Mas não apenas isso. Uma educação de qualidade, inclusive, também gera maiores potenciais de impacto e transformação à sociedade. Atualmente, além de Wellington, apenas outros dois brasileiros negros também foram aprovados no MIT: Fernanda Lima (formada em 2014) e Juliano Pereira (formado em 2015).

“Eu não conheço 10 presidentes negros de grandes empresas, nem tenho conhecimento de 5 negros empreendedores que faturaram mais US$ 100 milhões ou mesmo 20 diretores negros de grandes organizações. Isso, sem sombra de dúvida, está também ligado ao acesso de oportunidades. Não estou dizendo que você precisa fazer um MBA no exterior para ser um grande executivo, mas ter oportunidades é importante.”

Aproveitando cada oportunidade

Wellington tinha 12 anos quando começou a vender picolé no 7° Batalhão da Polícia Militar de São Gonçalo. Foi uma virada importante em sua vida. Embora sempre tenha sido incentivado pela família a estudar, ele precisou fazer um acordo com o comandante-geral do regimento: mostrar o boletim todo final de semestre como condição para ser autorizado a fazer suas vendas por lá.

A prestação de contas gerou de imediato o retorno financeiro, já que era possível faturar cerca de dois salários mínimos mensalmente, mas também abriu portas para ele. Foi com a ajuda do coronel que Wellington conseguiu uma bolsa de 50% em uma escola particular da cidade – a outra metade ele próprio pagava. Posteriormente, ganhou bolsa em um dos colégios cariocas mais conceituados, a Escola Parque.

O início foi conturbado, visto que a diferença nas abordagens e conteúdos o fazia ter dificuldades até mesmo em matérias das quais ele tinha afinidade. Além disso, havia distância entre a escola e a sua casa em São Gonçalo. Porém Wellington recebeu apoio. Com o auxílio de uma ex-professora, passou a dormir em escola pública do Leblon.

Wellington com seus amigos da escola. Foto: Arquivo pessoal

Ao passo que conseguiu reduzir o trajeto exaustivo, ele ficou indignado com os contrastes entre o ensino público e particular. “Quando faltava algum professor – e sempre faltava! –, eu entrava para dar monitoria. Houve dias que entrei de segunda à sexta”, lembra.

Mais uma vez, os esforços valeram a pena e novas oportunidades surgiram para o jovem. Com uma redação nota mil no Enem, conquistou uma bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) no curso de Administração de Empresas do Ibmec. A escolha não poderia ser outra, já que desde a infância ele era um empreendedor.

Resolvendo os problemas do Brasil

Foi em 2015 que Wellington passou a integrar o Programa de Líderes da Fundação Estudar. Nesse mesmo ano, inclusive, ele assistiu uma palestra do empresário Nizan Guanaes, que afirmou que a juventude não estava se movimentando para resolver os grandes problemas do Brasil. O gatilho foi imediato: no dia seguinte nascia o ProLíder.

A iniciativa tem objetivo de impulsionar a criação de negócios que contribuam para o desenvolvimento do País. Combinando teoria e prática, a metodologia se divide em três etapas: construção de diagnóstico sobre o Brasil, capacitação em liderança e desafio de cases. Além disso, na edição deste ano os participantes puderam escolher entre uma das duas trilhas de conhecimento: política ou empreendedorismo.

“Nos últimos cinco anos eu me dediquei ao Instituto Four, do qual sou fundador e hoje diretor-executivo, e idealizei o Programa ProLíder, que é focado na formação de lideranças para jovens. Tenho focado e contribuído para melhorar tanto o meio público e político, oxigenando o sistema (ao inserir novas boas pessoas), quanto em conseguir transformar de maneira positiva o meio empreendedor, com foco naqueles que querem gerar transformação nas áreas da Saúde, Educação, Infraestrutura, Sustentabilidade e Tecnologia.”

De acordo com o empreendedor, os jovens selecionados para o programa são pessoas que têm muita integridade como valores, com foco em resultados, protagonistas, e vêm de um ambiente de diversidade – seja de gênero, raça, classe e mesmo ideologia – e de representatividade regional.

“[Na seleção] também consideramos o mérito da pessoa, não no sentido simplificado de meritocracia, mas considerando de onde a pessoa saiu e em que lugar ela conseguiu chegar”, pontua. Neste ano, o programa atingiu mais de 3 mil pessoas online. Presencialmente, em 2019, foram mais de 1,4 mil pessoas.

Alcançando o sonho grande

Wellington durante formatura da graduação no Ibmec com sua família. Foto: Arquivo pessoal

Assim como outras conquistas, a aprovação no MIT é mais um degrau na trajetória de Wellington. “Meus planos são continuar empreendendo, tomando risco e fazendo coisas diferentes. E, além disso, sempre tentando unir o empreendedorismo com objetivos grandiosos que gerem transformação. Fazendo isso visando o Brasil e mesmo outras partes do mundo.”

O jovem de 26 anos não esconde as suas ambições de um dia passar a ocupar cargos públicos na política. “Daqui uns 20 anos”, projeta ele. O objetivo é chegar a posições do executivo, como prefeitura, governo estadual e talvez até a presidência da República. “Eu acredito que a gente chega lá.”

E para chegar , seja onde for, ele conta que alguns pontos devem ser levados em consideração. “Algo que me ajudou muito, e levo para a minha vida inteira, foi um jornal entregue a mim diretamente pelo Jorge Paulo Lemann, em 2014.”

Na publicação, o empresário apresentava em uma aula magna cinco pontos que ajudam a realizar os nossos objetivos. Wellington, por sua vez, não pensa duas vezes em também compartilhá-los e, quem sabe, ajudar outros jovens a também alcançarem os seus sonhos grandes.

“O primeiro ponto é conseguir entender que cada pessoa é uma pessoa, mas existem normalmente alguns pontos em comum entre aquelas que são consideradas bem-sucedidas, independentemente de estarem relacionadas ao meio financeiro, mas mesmo por gerar impactos na sociedade”, destaca.

#5 Sonho

“É sonhando que nos desafiamos e somos capazes de fazer coisas grandiosas.”

#4 Gente

“Em seguida vem gente, já que é muito importante nos juntarmos com pessoas boas. Eu aprendi com a minha mãe um versículo da Bíblia, que diz: ‘diga-me com quem andas e te direi quem és’. Indo além, há mais de 200 anos, Rousseau disse que ‘o homem é produto do meio’. Já há algumas décadas, começou a ser estruturado termos e conceitos relacionados a inteligência emocional, em que é dito que uma pessoa é a média de outras cinco com as quais ela convive. Então, como é que ainda não entendemos que é muito importante se juntar a pessoas boas?”

#3 Foco

“O terceiro ponto é ter foco, pois dificilmente sabemos de pessoas que tenham alcançado um resultado muito expressivo e que não tenham colocado muito foco em seus objetivos. Muitas vezes, como jovens, nós temos muita iniciativa, porém pouca ‘acabativa’ – isto é, a capacidade de efetivamente ir até o final. É importante ter a iniciativa e ‘acabativa’, mas a única forma de você alcançá-la é mantendo o foco. Assim, você gera perenidade e legado.”

#2 Assumir riscos

“O quarto ponto é assumir riscos. Independentemente de onde você sair, principalmente se você tem uma origem mais humilde, já que a escassez de recursos acaba por ser algo que naquele ambiente é o mais natural, é importante tomar riscos para fazer algo diferente e alcançar voos cada vez mais altos.”

#1 Eficiência

“Por fim, o último ponto é você sempre buscar melhorar. Isso é eficiência. Devemos tentar melhorar constantemente tanto na nossa vida pessoal, em nossos relacionamentos, quanto na carreira, em aspectos profissionais e acadêmicos. É sempre importante tentar melhorar e ser melhor em diferentes âmbitos da vida e também nos nossos objetivos.”

 

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