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mulher em cadeira de rodas trabalha por conta própria em notebook

Trabalhar por conta própria X ser funcionário de uma empresa: o que combina mais com você?

Por Suria Barbosa

Estando na pandemia ou não, é muito comum contemplar a possibilidade de trabalhar por conta própria - como freelancer ou abrindo um negócio. Conheça algumas características dessas escolhas de carreira.

Estando na pandemia ou não, é muito comum contemplar a possibilidade de trabalhar por conta própria – seja oferecendo seu trabalho como freelancer, seja abrindo um negócio. A ideia de não ter chefe e de ter liberdade para tomar todas as decisões é muito atrativa, mas implica em outros desafios.

Compilamos alguns deles, sugeridos pela Forbes, pelo site Thrive Global e pelo engenheiro de software Tigran Hakobyan, que se deparou com essa decisão e desabafou sobre prós e contras em artigo que inspirou este, do Na Prática.

Trabalhar por conta própria X ser o funcionário de uma empresa

Ponto 1: Horas trabalhadas

Comandar seu próprio negócio ou ser dono de suas horas leva a um estilo de vida muito mais personalizável. Ao trabalhar por conta própria, você pode decidir que horas trabalha, quantas horas trabalha, e tem poder total de ajustar, se quiser.

Por outro lado, se você é dono de um empreendimento, tem a responsabilidade de fazê-lo funcionar pelo tempo adequado – o que, na era da tecnologia, pode ser um período ininterrupto se for um negócio online.

Nos dois contextos, a não fixação externa de um período ou a falta de supervisão podem fazer com que você trabalhe muito mais, o que não é sustentável e nem ideal para a saúde mental.

No caso de ser um empregado de uma organização, um dos benefícios é ter a quantidade de horas trabalhadas fixadas ou acordadas. Isso pode facilitar o gerenciamento do seu tempo e até na manutenção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Leia também: Por que você não precisa (e não deve) ser workaholic para ter sucesso

Ponto 2: Companhia

Para Tigran, um dos pontos negativos de trabalhar por conta própria é a falta de companhia, que pode trazer um sentimento de solidão, e que pode ser uma constante ao ser autônomo. No ponto de abrir um próprio negócio, enquanto em uma empresa que você entra há mais chances de ter colegas, na sua iniciativa depende de crescer e ter possibilidade de contratar outros.

Além disso, não ter colegas diminui os conflitos no trabalho, mas, por outro lado, não fomenta tanto o desenvolvimento das habilidades sociais.

Ponto 3: Aprendizado

Todas as fontes concordam que seguir o caminho próprio favorece mais o aprendizado. “Tenho certeza de que criar uma empresa o expõe a um domínio mais amplo de problemas aos quais você não teria acesso ao trabalhar para outra pessoa. É uma oportunidade incrível de aprender sobre muitas coisas”, escreve o engenheiro de software.

De fato, ao empreender, é preciso aprender pelo menos o mínimo sobre como administrar o negócio, de finanças a estratégias de crescimento, de contratar bons profissionais a ter bons fornecedores, dependendo do teor da iniciativa.

Porém, ser autônomo também exige desenvolvimento contínuo, além de um esforço constante para incrementar o próprio repertório sobre novas tecnologias relacionadas a sua função, mudanças no ramo e tendências que afetam o mercado, etc.

Isso não quer dizer que não exista aprendizado ao ser empregado, mas ele depende de algumas circunstâncias da organização, como: incentivo, espaço, necessidade… Isso também não quer dizer que é preciso se pautar somente por tais circunstâncias. “Como podemos acelerar nosso crescimento enquanto trabalhamos em uma companhia?”, provoca Tigran.

Ponto 4: Remuneração

O salário fixo é uma das grandes vantagens de ser um colaborador de uma organização. Saber quanto vai receber  ao final do mês facilita o planejamento financeiro e tira o “peso” da incerteza neste campo. Ainda há os “benefícios” assegurados, como seguro de vida e auxílio-creche, por exemplo, que aliviam alguns gastos por parte do profissional.

Trabalhar por conta própria, por sua vez, significa que você recebe exatamente o que você ganha. Por um lado, teoricamente, não há limite de ganho e há uma relação mais próxima entre esforço e remuneração, que pode ajudar também na motivação. Por outro, mais riscos e incerteza.

Ponto 5: Decisões

Tocando o próprio negócio, sua principal função é tomar decisões – de todos os níveis. E suas escolhas impactam diretamente na performance da iniciativa. Isso também ocorre quando você trabalha por conta, como autônomo.

Dentro de uma companhia, no entanto, as decisões são de outra magnitude, mais ligadas ao cargo e escopo e não necessariamente impactam no desempenho final. Mas, de qualquer forma, as escolhas devem seguir uma linha de pensamento que busque o bem do negócio, mesmo com essa “distância”. Funcionários que são proativos e assertivos na tomada de decisões que estão sob sua responsabilidade podem se destacar, já que é uma competência bem importante.

Ponto 6: Estratégia

Ter o próprio negócio ou ser um profissional autônomo significa que você é responsável pela visão estratégica do negócio ou da sua carreira. Já dentro de uma empresa como funcionário, o trabalho pode sim ser estratégico, mas em um nível mais micro, muito orientado a seu escopo ou à visão dos tomadores de decisão.

As duas formas implicam em pontos positivos e negativos. Por exemplo: um colaborador pode sentir menos pressão por não ser o grande responsável pela estratégia e um empreendedor pode se sentir muito motivado exatamente por tocar ela.

Ponto 7: Responsabilidade

Ter mais necessidade de desenvolver uma visão estratégica está bem ligado ao fato de que, sendo o dono do negócio – ou sendo você seu próprio negócio – há muito mais responsabilidade em jogo. Desde gerenciar o nível de entregas que quer/precisa ter, até levantar fundos para o projeto, por exemplo.

Se você é o proprietário da empresa e está trabalhando em sua ideia, é sua responsabilidade garantir que sua empresa continue funcionando e permaneça lucrativa a longo prazo.

Trabalhar como funcionário significa que você é responsável por uma certa quantidade de atividades, muito mais limitada, o que, como todos esses itens, tem lados bons e ruins.

Ponto 8: Independência e estilo de trabalho

A carreira como autônomo ou a própria empresa dá independência também no sentido de ser livre para tomar as decisões sobre, inclusive, em como vai tocar o trabalho, quais regras seguirá, como será seu ambiente.

Eventualmente, se tiver outros funcionários, é você que dita como é o estilo de trabalho – com autonomia, com flexibilidade de horas, o que quiser – e como é a cultura organizacional. Não é uma certeza, no entanto, que você vai conseguir fazer tudo exatamente como quer, mas há muito mais chances de que sim tocando seu próprio negócio.

Como funcionário, você deve estar em conformidade com as regras e regulamentos da organização em que trabalha. Existem certas tarefas atribuídas a você que você deve executar independentemente de suas preferências. Seu empregador espera que você possa trabalhar de acordo com os requisitos dele.

Ponto 9: Report

Enquanto em uma empresa, o funcionário deve prover informações, avaliação ou relatório das próprias atividades para líderes e colegas, quando você é seu próprio chefe, só deve se reportar a si mesmo, na teoria.

Na realidade, no entanto, clientes e consumidores do seu produto ou serviço também vão exigir um certo nível de report – informação e responsabilização. Então, o ponto aqui é: para quem você prefere se reportar?

Leia também: O que é liderança e por que ela é tão importante para qualquer carreira de sucesso?

Ponto 10: Oportunidades

Como funcionário, suas oportunidades de carreira se limitam à trajetória desenhada pela companhia. Pode ser que ela seja de promoções rápidas, ligadas a desempenho, ou mais lentas, relacionadas ao tempo de casa – entre muitos outros modelos de carreira. Essa estruturação é mais um ponto que pode passar segurança e ser preferido por alguns profissionais.

Porém, ao trabalhar por conta própria, é possível ter acesso a muitas oportunidades, que permitem diversificar seus interesses e explorar novas possibilidades.

Levando em conta a flexibilidade que esse caminho proporciona, dá para ter uma trajetória muito rica em experiências, “corrigir sua rota” com agilidade e até fazer mudanças radicais, como de setor. Isso tudo também enriquece o aprendizado, o ponto 3 desta lista.

Onde você se encaixa

Os pontos acima são focados em te ajudar a entender se as características gerais dessas modalidades de trabalho combinam com você. Não existe uma receita ou uma escolha certa e outra errada, neste caso. 

A verdade é que para muitas pessoas segurança, estrutura e a especialização que um dos lados proporciona são super importantes, enquanto que, para outras, fatores como liberdade, flexibilidade, tomada de decisão e até o risco de trabalhar por conta própria se sobrepõem.

Existem inúmeros perfis e possibilidades, incluindo a de experimentar os dois mundos. Ambos possuem pontos positivos e negativos, por isso, é fundamental escolher com base nos seus próprios sonhos, desejos, hábitos e estilo de vida. Sempre lembrando que dá pra corrigir a rota – nada precisa ser definitivo.

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