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O que são edtechs e como estão transformando a educação brasileira?

Por Tatyane Mendes

Aliando tecnologia e educação, as edtech são o segundo maior mercado de startups do Brasil. O setor cresce, em nível mundial, 17% ao ano, e deve faturar US$ 252 bilhões até 2020

As startups vêm diversificando suas atuações para atender nichos específicos de mercado, para além dos formatos tradicionais. Diversos setores estão fazendo uso dos recursos tecnológicos para trazer inovações em suas áreas. No ramo da educação, as edtechs (empresas de tecnologia voltadas para o setor educacional) vem ganhando espaço.

De acordo com um mapeamento realizado pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) e a Associação Brasileira de Startups (Abstartup), existem 364 edtechs no Brasil, espalhadas por 25 estados brasileiros, atuando principalmente na educação básica. A Associação Brasileira de Startups define as edtechs como startups que fazem o uso de alguma forma da tecnologia, como facilitadora de processos de aprendizagem e aprimoramento dos sistemas educacionais.

Presidente da organização, Amure Pinho explica que o mercado das edtechs tem mostrado um grande potencial de desenvolvimento. “Inclusive é o segundo maior mercado de startups, perdendo apenas para as fintechs. Temos uma população gigantesca e durante muitos anos houve um grande incentivo e apoio governamental na formação acadêmica”, aponta. O potencial das edtechs é tão grande que o setor cresce, em nível mundial, 17% ao ano, e deve faturar US$ 252 bilhões até 2020, segundo o relatório EdTechXGlobal.

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As edtechs brasileiras

O empreendedor Jan Krutzinna é o CEO da EduSim, edtech voltada para melhorar o ensino de inglês na educação básica. “A educação é minha paixão porque caminha com minha história pessoal e abre muitas portas para as pessoas. Essa área chama muito atenção em termos de idealismo por causa do contato humano. Existe uma necessidade de aumentar as habilidades das pessoas cada vez mais porque as economias estão ficando mais sofisticadas e demandando mais dos profissionais”, observa.

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Para Jan, essa exigência maior é uma tendência positiva para o setor educacional. “Temos muitas pessoas querendo colaborar. O que importa é trazer pessoas com experiência em sala de aula, que conheçam a realidade de um professor e a consigam traduzir em produtos digitais. Eu vejo um potencial realmente enorme nas edtechs se conseguirmos alinhar as forças entre o governo e setor privado”, pondera.

CEO da Trybe, escola voltada para as profissões digitais mais procuradas pelo mercado de trabalho, Matheus Goyas já possuía experiência nos setores de tecnologia e educação quando se juntou com amigos de infância para observar os desafios da educação conectados a transformação do mundo digital.  “Vimos o mundo passando por uma mudança de paradigma econômico, mas sem ter a mão de obra necessária para atender essa demanda. No Brasil, o problema é ainda maior por não ter formação em digital skills. Temos uma grande número de pessoas desempregadas e sem qualificação e empresas que não conseguem contratar. Isso prejudica o desenvolvimento do país”, salienta.

Matheus percebe que as pessoas, em geral, estão se conscientizando que é a educação é a pauta do momento. “Nos empreendedores não têm refletido tanto como na população, porque existem outros setores mais atrativos. Mas tem gente apaixonada atuando na área, mas ainda não é a agenda de preferência dos empreenderes”, avalia.

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À frente da plataforma de ensino on-line voltada para empreendedores EduK, Eduardo Lima observa uma quebra de paradigma em relação à educação à distância. “As pessoas estão percebendo que ela é tão boa quanto, e às vezes até melhor, do que o modelo tradicional. Tem empresas construindo conteúdo de muita qualidade e professores de altíssimo gabarito que estão ensinando pela internet. É uma transição natural, porque elas tornam a educação mais acessível e flexível. As edtechs tem um propósito muito transformador, mas ainda é um mercado muito jovem”, explica.

Juntando educação, saúde e tecnologia, a MedRoom vem com a proposta de fazer treinamentos na área da saúde com realidade virtual. CEO da edtech, Vinicius Gusmão percebe que o setor possui vários problemas, o que se traduz em muitas oportunidades. “O grande desafio é escalar o projeto. A tecnologia é incrível e dá para fazer muita coisa com ela, mas não garantir o acesso democratizado a todo mundo, o que seria o ideal do ponto de vista educacional. Então temos limitações, ainda mais em um país que não tem ainda uma cultura muito forte em inovação tecnológica”.

Os desafios do setor

Amure Pinho opina que um dos maiores obstáculos de se trabalhar com edtechs ainda é a falta de regulamentação. “O controle do governo em alguns requisitos ainda engessa um pouco a educação que pode ser transformada na ponta. Também temos uma formação que ainda é um pouco distante das necessidades do mercado, fazendo com o que o profissional precise se especializar mais. Outro desafio é que nós temos uma geografia e economia muito complexas e grandes, então você não consegue levar o mesmo nível de acesso à informação à todos os lugares”, analisa.

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Matheus Goyas ressalta que é importante que o empreendedor tenha a humildade para reconhecer que a solução da edtech dele não vai resolver todos os problemas da educação. “Solucionar esse gargalo só vai ser possível com um trabalho em conjunto entre empreendedores, empresas, governo e educadores. A educação por si só é muito complexa”, garante. Ele também percebe que a questão geográfica é um grande limitador, tanto em questões culturais como de infraestrutura.

Jan Krutzinna concorda que a distribuição é um dos maiores desafios dos empreendedores de edtechs. “Muitas empresas são criadas com ótimas ideias mas têm dificuldades de entregar no ponto final. O sistema público também  é difícil de colaborar. Tem muito potencial para crescer, mas é preciso evoluir em muitas coisas tecnológicas e conseguir recrutar talentos, o que ainda é outra dificuldade que encontramos”, revela.

Para Eduardo Lima, o maior desafio é encontrar uma proposta de valor suficientemente boa para que os clientes consumam e gerando caixa para a empresa. “São modelos que muitas edtechs ainda não conseguiram alcançar. Depois disso, é fidelizar o cliente, como em qualquer outra empresa”, opina. Vinicius Gusmão acredita que as edtech estão no bom caminho, mas ainda falta aparecerem mais e serem criados mais incentivos para que elas deslanchem. “Talvez o Brasil ainda não tenha abraçado totalmente a onda das edtechs. O que talvez falte é um bom case de sucesso que mostre o potencial do mercado”, pondera.

Oportunidades nas edtechs

Para quem trabalhar no setor, especialistas afirmam que características como ser apaixonado por transformar a vida das pessoas, focar na qualidade, ter uma conexão pessoal com a área da educação, ser empático, paciente, resiliente, ter compromisso e foco ao longo prazo e gostar de se relacionar com as pessoas, além de ter um profundo alinhamento e foco obsessivo nos clientes/estudantes. Profissionais nas áreas de desenvolvimento de software, programação, análise de dados, front end, design, interface, marketing digital, marketing de conteúdo, mídias sociais, vendas e experiência do usuário encontrarão muitas oportunidades de trabalho nas edtechs.

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