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Gabriel Bayomi

Talentos de tecnologia para ficar de olho: conheça a trajetória de Gabriel Bayomi em Ciência de Dados

Por Tatyane Mendes

Na última matéria da série “Talentos de tecnologia para ficar de olho”, Gabriel Bayomi conta como o Ciência Sem Fronteiras mudou o rumo da sua carreira, o fez se apaixonar por dados e virar engenheiro de software da Apple.

Trabalhando com inteligência artificial na Apple, Gabriel Bayomi trocou a engenharia pela computação para desenvolver tecnologia que ajudasse a criar produtos que impactem a sociedade por meio de dados. Ele é membro dos Líderes Estudar, rede de alto impacto da Fundação Estudar. Inclusive, o programa Líderes Estudar está com as inscrições abertas para sua edição de 2020! Além de acesso à rede, oferece bolsas de estudo, mentoria e outras oportunidades de desenvolvimento.

Ao longo de fevereiro, o Na Prática trouxe uma série de trajetórias-inspiração de talentos de tecnologia para ficar de olho. Já contamos as histórias de Renner Lucena, Paulo Fisch e Carla Cosenza. Conheça agora a história do brasiliense de 26 anos Gabriel Bayomi.

Desenvolvendo-se como talento de tecnologia

O interesse de Gabriel por tecnologia começou com sua afinidade com matérias como matemática e física no ensino médio. “Mas eu também gostava de humanas, participava de simulações da Organização das Nações Unidas (ONU), de trabalhos de discussão e debate. Tudo isso me deixou em dúvida entre direito e engenharia”, aponta. A decisão veio quando ele participou de um projeto, no qual precisava criar uma empresa e administrá-la por seis meses.

“Tinha que criar um produto, vender, ter lucro e retornar esse dinheiro para quem investiu em você. Foi muito legal, mas o melhor foi ver os estudantes usando o nosso produto. Pensei que dentro da engenharia eu poderia fazer coisas para tornar a vida das pessoas melhores, criar produtos úteis à sociedade”, relembra. Então, ele começou a cursar engenharia elétrica na Universidade de Brasília (UnB).

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“Eu achei que era uma opção mais abrangente, mas me decepcionei um pouco. Não sentia aquela ligação com criar coisas. Não sei se foi pelo sistema universitário ou por falta de fit com o curso. Mas comecei a fazer uma pesquisa sobre rede de computadores com um professor de ciência da computação e o nosso projeto foi convidado para participar de uma competição na Alemanha. Estávamos muito animados e éramos os mais novos na competição, mas ganhamos”, celebra.

Gabriel afirma que a experiência mudou a visão dele sobre a criação de produtos para a sociedade. “Chegamos lá sem testar o produto porque no Brasil não tínhamos dinheiro para comprar tablets para fazer o teste. Tivemos que fazer tudo lá. Deu errado, mas conseguimos arrumar em um dia. No fim, nosso produto tinha a maior performance. Percebi que se a gente tentar, mesmo com as dificuldades, tem como criar produtos úteis e no mesmo nível de qualquer lugar, e isso me impulsionou”, divide.

De Brasília para os Estados Unidos

Depois da competição, Gabriel Bayomi participou de vários outros projetos como empresa júnior e voluntariados. Mas foi o programa de intercâmbio Ciência Sem Fronteiras que mudou os rumos de sua trajetória profissional. “Fui estudar na Universidade Cornell, em Nova York. Foi uma experiência fantástica. Conheci pessoas brilhantes do mundo inteiro. Como eu tinha flexibilidade no currículo, decidi estudar computação e administração, ao invés de engenharia elétrica. Mudou muito minha visão e a minha cabeça”, relata.

O brasiliense afirma que durante o período em Cornell ele se apaixonou pela computação, especialmente a parte de dados. “Fiquei fascinado em como criar produtos mais inteligentes. Fiz dois estágios de verão em uma multinacional de computação em nuvem. Pude criar um painel de ciência de dados dentro de um projeto. Gostei muito da experiência, mas queria aprender ainda mais. Acabei voltando para o Brasil e fiz mais um estágio, enquanto me formava em engenharia elétrica”, indica. Sobre a diferença entre os dois países, Gabriel percebe que nos Estados Unidos a tecnologia é vista como um investimento, enquanto no Brasil ela é um custo. 

Porém, durante esse tempo Gabriel fez uma pesquisa com um professor de Stanford sobre cloud sourcing, processo de terceirização de produtos e serviços em nuvem. “Com isso, me inscrevi para um mestrado na Universidade Carnegie Mellon, uma das melhores em inteligência artificial, para estudar processamento de linguagem. Fui aprovado e participei de um projeto que trabalhava com assistentes pessoais, como Alexa e Siri. Nossa equipe foi selecionada por um prêmio da Amazon para criar projetos relacionados a assistente pessoal e desenvolver um protótipo de futuro”, explica.

Foi nessa época que Gabriel Bayomi se tornou bolsista da Fundação Estudar. “A Fundação me ajudou financeiramente no mestrado e a encontrar pessoas com objetivos parecidos. Indivíduos ambiciosos, com planos grandes e que trabalham na área de tecnologia. Em termos de contato e inspiração foi incrível. Você fica muito inspirado com a história dos outros bolsistas e quer fazer ainda mais, além de conseguir boas dicas profissionais”, revela.  

Ele fez parte de vários projetos de pesquisa relacionados a inteligência artificial e linguagem em diversas frentes. Seu trabalho foi selecionado para grandes congressos do segmento. Com o mestrado concluído, Gabriel foi contratado pela Apple para trabalhar como engenheiro de software com a Siri e atua com inteligência artificial e processamento de linguagem. “Tem sido uma jornada muito legal. Consegui viajar bastante e aprender muito sobre o tema”, relata.

Além disso, ele tem participado de grupos no Vale do Silício que trabalham com diversidade, buscando criar tecnologias que sejam representativas para todos os usuários.

O que é preciso para ser bem-sucedido na área de tecnologia? 

A primeira habilidade que Gabriel cita como relevante para trabalhar em tecnologia é ter boa comunicação interpessoal. “Entender como se comunicar bem é muito essencial, até para explicar um conceito muito complicado para um cliente ou para quem vai usar o produto. Às vezes não é algo simples mas necessário para mostrar como gera valor e como vai ser útil, sem desperdiçar tempo e para fora do processo d criação”, indica. 

Outro ponto é saber criar códigos de forma clara e eficiente. “As empresas nem pede diploma às vezes, mas cobram a habilidade de conseguir entregar um produto ou código de qualidade. No Vale do Silício, em geral, valorizam mais o que você consegue fazer do que o seu diploma ou para onde você já foi. Eles querem saber se você realmente entrega. Também é a importante entender machine learning. Não só de ler papers, mas também transformar esse conhecimento em algo útil porque às vezes as pessoas têm entendimento, mas falta ver como você transformar isso em produto”, finaliza. 

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