Ao longo de milhares de anos de evolução, é de se supor que o cérebro humano tenha se tornado ainda melhor em pensar. Contudo, a realidade é que provavelmente a seleção natural não tenha mais sido mais tão eficiente em fazer dele mais racional. Afinal, atualmente, todos são capazes de sobreviver – mas não necessariamente de se tornar mais racionais do que já são.

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O que exatamente isso significa? Basicamente, se a raça humana foi capaz de sobreviver e evoluir até a atualidade, demonstra que o cérebro foi eficiente em detectar predadores, fugir do perigo e avaliar possíveis amigos e inimigos rapidamente. Apesar disso, o problema é que evitar animais famintos não é mais a principal tarefa para a qual o cérebro tem sido usado. Contudo, hoje em dia o esperado é que ele tome decisões racionais.

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Acontece que essa não é lá uma tarefa tão simples assim para o órgão. De acordo com Daniel Kahnemann, professor emérito de psicologia da Universidade de Princeton, a mente humana está crivada por uma série de vieses cognitivos. Eles, por sua vez, auxiliam na rápida ação frente ao perigo.

Todavia, para conseguir responder em tempo, nem sempre a mente é capaz de se embasar em evidências, avaliar probabilidades e decidir logicamente. Pois, segundo Kahnemann, nessas situações é comum que a mente recorra à heurística (atalhos mentais) que, apesar de ágeis, podem atrapalhar em momentos que demandam decisões racionais.

6 vieses cognitivos que podem atrapalhar as decisões

Como prevenir é melhor que remediar, selecionamos os seis vieses cognitivos mais frequentes à mente humana. Ao identificá-los, é muito provável que o seu cérebro esteja preparado para evitar determinados atalhos.

#1 Viés de confirmação

Não se sabe em qual momento da evolução da humanidade esse viés surgiu, mas desde que o mundo é mundo as pessoas não gostam de mudar de opinião. Especificamente neste caso, não quer dizer que não há curiosidade ou abertura por mudanças. Mas, sim, que repensar crenças estabelecidas é difícil e desconfortável – para todos.

Inclusive, não é à toa que as pessoas prefiram estar rodeadas com quem tem gostos e pensamentos semelhantes. Afinal, é muito mais fácil simplesmente ignorar tudo o que coloca em xeque as ideias mais queridas do que se envolver com novas linhas de pensamentos.

#2 Viés de disponibilidade

O cérebro humano conta com um atalho que procura estimar a probabilidade de determinados fatos. Acontece que, para isso, são utilizadas informações armazenadas (disponíveis) por cada um – e não, por exemplo, um banco de dados isento de parcialidade.

Um exemplo bastante prático e recorrente é o medo que muitas pessoas têm em andar de avião. Embora eles sofram menos acidentes do que carros, quando acontece, o fato é amplamente noticiado. Enquanto isso, devido a banalidade dos acidentes automotivos, apenas casos excepcionais estampam os noticiários e chamam a atenção do público.

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#3 Viés de ancoragem

Surgidos há cerca de 30 mil anos, os numerais também têm forte influência nos vieses do cérebro humano. Neste caso, é comum que muitas pessoas se apeguem números e não a um raciocínio lógico.

Mas como isso funciona na prática? Simples: coloque uma placa de promoção de “pague dois e leve três” em um supermercado. Observe a quantidade de pessoas que necessitam de apenas um produto, porém optaram por levar o triplo apenas por conta do gatilho numérico.

#4 Efeito halo

Um clássico da psicologia, o efeito halo nada mais é do que o peso das primeiras impressões para a construção de um julgamento. A explicação da neurociência para isso, aliás, é que o cérebro prefere manter uma informação estável.

Deste modo, se alguém já conquistou a simpatia de outrem, apenas com muito esforço essa pessoa conseguirá desfazer essa boa impressão – e que às vezes pode ser apenas impressão mesmo. Inclusive, note como pessoas tidas como gentis e agradáveis também podem parecer mais bonitas. Neste caso, o viés de confirmação também está atrelado.

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#5 Viés do custo afundado

Uma boa expressão que pode traduzir esse viés é “tempo é dinheiro”. Apesar disso, segundo a psicologia, ao investir dinheiro ou tempo em algo, o cérebro se apega a tal fato e se torna menos propenso a abandoná-lo. Aliás, isso acontece mesmo quando é nítido que o objetivo não será alcançado. Fazendo uso de outra famosa expressão, o ideal é sempre cortar o mal pela raiz – ou o quão logo for identificado. Afinal, o prejuízo pode ser maior quanto mais se demora a abrir mão.

#6 Viés de sobrevivência

Histórias de sucesso são fáceis de identificar. Falhas que caíram silenciosamente na inexistência, muito menos. É por isso que comumente superestimamos a probabilidade de sucesso em empreendimentos arriscados. Basta perguntar a qualquer veterano de startups que não tenha sido enganado por seu otimismo ao longo de vários anos na indústria.

É também por isso que muitas vezes colocamos muito crédito nas estratégias de determinadas pessoas de sucesso – como, por exemplo, abandonar os estudos. Nomes como Bill Gates e Mark Zuckerberg despontam como exemplos, embora nem sempre seja considerada a probabilidade de uma ação (abandonar a escola) levar a um resultado (torná-lo rico como um empresário).

Traduzido e adaptado do Inc

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