Um Projeto: Fundação Estudar
Martin Seligman, fundador do campo de estudos da psicologia positiva

Como a psicologia positiva pode ajudar no autoconhecimento

Por Redação, do Na Prática

Considerado "pai" deste campo de estudos, o premiado psicólogo Martin Seligman explica o que torna uma vida feliz e dá exemplos de intervenções positivas que funcionam de verdade

Diretor do Centro de Psicologia Positiva da University of Pennsylvania, Martin Seligman é um dos fundadores do campo de psicologia positiva, que estuda cientificamente a importância e os efeitos de emoções, traços e instituições positivas.

Em uma TED Talk de 2004, que se mantém bastante atual, ele explica conceitos introdutórios da psicologia positiva, que vem se tornando uma forma cada vez mais popular de ver o mundo.

A ideia por trás dos estudos é que a psicologia e a psiquiatria não deveriam se concentrar apenas em resolver problemas de pessoas que sofrem com distúrbios, mas também em entender o outro lado do espectro: o que torna uma vida humana autenticamente feliz? Como é possível ajudar alguém a se tornar mais feliz?

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Em sua palestra, Seligman aproveita para dar exemplos de intervenções positivas que funcionam e lembra participantes (e espectadores) de que é possível fazer seus testes de felicidade online.

Como funciona a psicologia positiva

A psicologia e a psiquiatria, nos últimos 60 anos, podem realmente afirmar que conseguem tornar pessoas extremamente infelizes menos infelizes. E acho isso sensacional.

Mas o que não era “nada bom” teve três consequências.

A primeira era moral. Psicólogos e psiquiatras se tornaram vitimólogos, patologizadores; nos esquecemos que as pessoas fazem escolhas e tomam decisões. Esquecemos responsabilidade.

A segunda foi que esquecemos das pessoas, de melhorar as vidas de pessoas comuns. Esquecemos da missão de fazer pessoas relativamente sem problemas mais felizes, mais realizadas, mais produtivas.

E a terceiro é que, na nossa correria em fazer algo pelas pessoas com problemas e consertar danos, nunca nos ocorreu desenvolver intervenções para fazer as pessoas mais felizes.

Foi isso que levou pessoas como Nancy Etcoff, Dan Gilbert, Mike Csikszentmihalyi e eu mesmo a trabalhar com algo que chamo de psicologia positiva, uma ciência do que faz a vida valer a pena.

Podemos medir diferentes formas de felicidade. E qualquer um de vocês pode visitar o website e fazer toda a gama de testes de felicidade de graça.

Vocês podem consultar como se comparam em relação a emoções positivas, a sentido, a fluidez [flow], com dezenas de milhares de outras pessoas.

Criamos o oposto do manual diagnóstico de transtornos mentais: uma classificação dos pontos fortes e virtudes que considera como se comportam em homens e mulheres, como são definidos, como diagnosticá-los, o que os constrói e o que os atrapalha.

Percebemos que podíamos descobrir as causas dos estados positivos, a relação entre atividade no hemisfério esquerdo e atividade no hemisfério direito como causa de felicidade.

Descobrimos que podíamos olhar intervenções ao longo dos séculos, de Buda a Tony Robbins, e cerca de 120 intervenções, que afirmam que tornam as pessoas mais felizes, foram propostas.

Constatamos que pudemos procedimentar muitas delas, realizar estudos de eficácia e eficiência com distribuição randômica. Isto é, quais realmente tornam as pessoas felizes de forma duradoura?

Intervenções positivas que realmente funcionam

E apenas para exemplificar o tipo de intervenções que descobrimos que têm efeito, quando ensinamos às pessoas como ter mais prazer em sua vida, uma das tarefas é pegar as habilidades de atenção no presente e de saborear.

Quando ensinamos às pessoas sobre a vida prazerosa, lhe damos a tarefa de criar um lindo dia. Falamos para, no próximo sábado, separarem um dia, criarem um lindo dia, saboreá-lo e ficarem atentos ao presente para realçar estes prazeres. Podemos mostrar que, deste modo, a vida prazerosa é melhorada.

Há a visita de gratidão. Gostaria que lembrassem de alguém que fez algo imensamente importante que mudou sua vida em uma direção boa, e a quem você nunca agradeceu apropriadamente.

Sua tarefa, quando você está aprendendo a visita de gratidão, é escrever um depoimento de 300 palavras para essa pessoa, telefonar para ela, perguntar se pode visitá-la – não diga o porquê –, aparecer em sua porta e ler o depoimento.

Todos choram quando isso acontece.

E quando testamos as pessoas uma semana, um mês, três meses depois, ambas estão mais felizes e menos deprimidas.

Outro exemplo é um encontro de pontos fortes, no qual pedimos à casais para identificar seus pontos mais fortes no teste de pontos fortes, e então projetar uma tarde em que ambos usem seus pontos fortes. Percebemos que este é um fortalecedor de relacionamentos.

Estes são exemplos de intervenções positivas.

Estamos interessados em quanta satisfação com a vida as pessoas têm. Fazemos a pergunta, envolvendo milhares de pessoas, quanta satisfação com a vida você tem?

Em que extensão a busca pelo prazer, a busca por emoção positiva e pela vida prazerosa, a busca por sentido contribuem?

Nossos resultados nos surpreenderam.

A busca pelo prazer não tem quase nenhuma contribuição para a satisfação com a vida. A busca por sentido é a mais forte. A busca de envolvimento também é muito forte.

O prazer importa quando você tem tanto envolvimento quanto significado – aí o prazer é a cereja com chantily.

E o que estamos perguntando agora é: em uma empresa, será que a produtividade é uma função da emoção positiva, do envolvimento e do sentido? Será que a saúde é uma função de envolvimento positivo, de prazer e de significado na vida?

E há motivos para se pensar que a resposta para ambas pode muito bem ser sim.

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