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ser competitivo tendo menos experiência

Como ser competitivo tendo menos experiência que o concorrente?

Por Tatyane Mendes

As organizações valorizam vivência profissional, mas investir em habilidades como boa apresentação pessoal, conexão com pares e soft skills pode ser um diferencial para compensar a falta de experiência.

Muitos profissionais temem concorrer a determinadas vagas de emprego por julgarem não possuir tanta bagagem quanto possíveis concorrentes. As empresas costumam valorizar o conhecimento adquirido com a prática, mas existem formas de ser competitivo tendo menos experiência. Profissionais da área de gestão afirmam que habilidades como boa apresentação pessoal, conexão com pares e soft skills podem se tornar diferenciais, em casos de um nível de experiência menor.

Coordenadora da área de Talent Acquisition na B2HR Consultoria, Priscilla Zema percebe que por muito tempo as empresas olharam apenas para habilidades técnicas na hora de fazer contratações. “Hoje já vemos um olhar mais atento para as soft skills (habilidades que lidam com a relação e interação com outros) e Isso acaba favorecendo os candidatos que não possuem tanta experiência. Os gestores perceberam que cedo ou tarde a falta dessas soft skills prejudicavam o trabalho”, aponta.

Para ser competitivo tendo menos experiência, seja em relação ao começo de carreira ou na ida para posições de liderança, ela recomenda salientar vivências que mostram características importantes para o cargo desejado. “Mostrar como era a atuação em um cargo anterior, estágio ou voluntariado ou que tipo de comportamentos esperados para a posição ele visualiza no seu trabalho atual. Enquanto candidato, é preciso ser o mais honesto e transparente possível e trazer conquistas com dados que as comprovam”, aconselha.

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Priscilla acredita que cursos de soft skills agregam bastante no currículo de candidatos. “A busca pelo autodesenvolvimento é um diferencial quando se está concorrendo por uma vaga mas, em alguns casos, isso não dispensa a necessidade de experiência. Mas existem pessoas que vêm com experiências cheias de vícios. Nesses casos, para algumas empresas, é até melhor a falta de experiência, para moldar o profissional na cultura da companhia e desenvolver as habilidades essenciais para o cargo”, pondera.

A gestora afirma que as companhias ainda consideram a experiência como um quesito importante, mas que também levam em conta atributos comportamentais. “Se a pessoa tem habilidades de comunicação, proatividade, bom relacionamento, adaptabilidade e inteligência emocional, por exemplo, já é um diferencial. O conhecimento técnico é mais fácil de ser ensinado do que realizar uma mudança de comportamento”, garante.

Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional São Paulo, Theunis Marinho concorda com a afirmação de Priscilla e acrescenta que os candidatos devem mostrar seu potencial durante as seleções. “Quando você é jovem e mostra talento, as empresas enxergam muitas vezes a contratação como um investimento, mesmo que exista outra pessoa mais experiente. Mas é preciso ter autoconfiança e manter bom desempenho, boa aparência e conduta exemplar depois de efetivado”, defende.

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Mostrar-se alinhado com a cultura e valores da empresa também ajuda, mas Theunis ressalta que é preciso ser verdadeiro, não apenas dizer o que se pensa que os recrutadores querem ouvir. “Eu já contratei muitas pessoas e às vezes você não escolhe quem é tecnicamente melhor, mas sim quem mostra mais controle das emoções. O nervosismo e a ansiedade atrapalham e bloqueiam as pessoas e isso desqualifica elas em várias situações”, indica.

Psicóloga especializada em gente e gestão, Gabriela Nascimento afirma que montar um currículo eficiente pode ser uma forma de se destacar nos processo seletivos. “É importante deixar claro seus objetivos e detalhar as atividades já executadas. Muitas vezes as pessoas só colocam o cargo que ocupavam mas não explicam o que de fato faziam, isso acaba por deixar passar competências que podem ser um diferencial”, revela.

Gabriela também afirma que é importante se conectar com pessoas do meio que você gostaria de trabalhar. “Conviver com um profissional que ocupa a posição que você deseja , ver como ele se comunica, frequentar eventos do setor, assim você gera networking e um posicionamento. Mas não adianta ter um bom currículo e não cuidar do marketing pessoal, que envolve a apresentação visual e a comunicação. Também é necessário conhecer bem a empresa para qual você está se candidatando”, ressalta. Durante a entrevista, mostrar pontualidade, vontade de aprender e ética também pode render diferenciais na visão dos recrutadores.

 

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