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O que o Fórum Econômico Mundial tem a dizer sobre o futuro do trabalho

Por Ana Pinho

Relatório analisa as grandes mudanças que ocorrerão no mundo do trabalho entre 2015 e 2020; saiba quais são e como elas afetam o seu desenvolvimento de carreira

Nada menos que a quarta Revolução Industrial. É assim que o Fórum Econômico Mundial descreve o futuro próximo em seu novo relatório, The Future of Jobs, enquanto apresenta os principais componentes sociais, tecnológicos e econômicos que atuam sobre o mercado global e como a força de trabalho atual influenciará essa transição.

É um olhar imediato, que analisa o impacto esperado entre 2015 e 2020 e as respostas preparadas por chefes de recursos humanos e diretores de estratégia de grandes empresas. Logo no início, o grupo avisa: é tempo de ajuste de indústrias, transformações fundamentais e ritmo sem precedentes de mudanças.

Tecnologicamente, avanços em genética, inteligência artificial, robótica, energia, nanotecnologia e Internet das Coisas estão no centro das mudanças. Uma enorme população jovem em países emergentes, assim como uma força de trabalho em envelhecimento em países desenvolvidos e desigualdade crescente também estão no jogo.

Oportunidades ilimitadas ou substituições em massa são os dois extremos da balança e a mensagem final do relatório é otimista, mas cautelosa. Se bem administrada, a atual transição pode ser a oportunidade que faltava para transformar de vez o trabalho em um canal através do qual indivíduos poderão se realizar e usar seus potenciais ao máximo. “São nossas ações hoje que definirão o que vai acontecer”, conclui.

Habilidades do futuro Para descrever melhor o que está por vir, o relatório apresenta uma nova medida: a estabilidade de habilidades. A partir de agora, trabalhadores de todas as áreas terão a missão de manter suas habilidades atualizadas (reskilling) e aprimoradas (upskilling).

Será um fator crítico para evitar o crescimento do desemprego e da desigualdade, e é importantíssimo que empregadores incentivem a educação contínua e o aprendizado proativo desde agora para não correrem o risco de perder a geração atual (dois terços dos entrevistados para o relatório disseram, inclusive, que investir em reskilling de funcionários atuais já é uma estratégia em curso). 

O mundo tem se transformado de tal maneira, lembram os autores, que algumas das especialidades mais buscadas hoje sequer existiam há dez anos. É uma tendência que deve crescer. De acordo com o estudo, 65% das crianças hoje no primário terão tipos completamente novos de emprego quando começarem a trabalhar.

E trabalharão de um jeito diferente, como manda a era digital. Trabalho remoto, flexível ou sob demanda, assim como espaços de co-working, equipes virtuais e plataformas de talento online são alguns dos exemplos usados para mostrar as novas fronteiras entre trabalho e vida pessoal, ainda em formação.

Novos papeis O relatório destaca três postos com crescimento praticamente garantido no mercado do futuro.

1. Analistas de dados
Em todas as indústrias e países, haverá demanda por quem conseguir transformar o dilúvio de dados (que deve crescer ainda mais) em insights e informações úteis. Decisões baseadas em dados serão cada vez mais vitais em qualquer lugar.

2. Agentes de vendas especializados
Praticamente todas as indústrias precisarão ter a habilidade de comercializar e explicar seus produtos para outros negócios, governos e clientes. Isso porque muita coisa será novidade – e muitos clientes serão tipos inéditos até então.

3. Novos tipos de gerentes
Guiar empresas por grandes transformações de maneira eficaz é difícil. Quando o caso é de disrupção, então, o desafio é ainda maior. Ambos vão acontecer cada vez mais, e quem for bom no cargo terá muitas ofertas.

O que é difícil para todos, mas muito importante, é enxergar de maneira realista o gap entre as habilidades atuais e futuras para fecha-lo o mais rápido possível.

A ideia principal é que pouco adianta ensinar aos jovens desempregados de hoje técnicas que serão obsoletas em poucos anos. “Em alguns casos, este tipo de esforço deve ter mais sucesso se governos ignorarem as demandas de trabalho atuais e passadas e basearem seus modelos em expectativas futuras”, dizem os autores.

Não importa a indústria ou nação em questão. Compreender corretamente o cenário e preparar seus trabalhadores para o futuro será algo crítico em todos os níveis: empresas, formuladores de políticas públicas, organizações sindicais ou indivíduos.

Vetores das grandes mudanças em curso, como Big Data, podem eles mesmos se tornar ferramentas úteis para o processo – e provar de novo que a interpretação de dados é uma das habilidades mais valiosas do século 21.

Diversidade é chave O relatório sugere diversas opções de estratégia na hora da adaptação. Entre elas está revolucionar a função dos Recursos Humanos, que será cada vez mais importante, e a aposta na diversidade.

“É tempo para uma mudança fundamental em relação à questão do talento e da diversidade, seja de gênero, idade, étnica ou orientação sexual”, escrevem os autores. Nessa área, o uso de dados pode ser útil para identificar de maneira objetiva as potencialidades de cada um e eliminar os preconceitos inconscientes que ainda existem na hora da contratação.

Igualdade de gêneros Com a demanda cada vez maior por trabalhadores da família STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em inglês), a questão do gênero ganha contornos ainda mais urgentes.

Na última década, apenas 3% do gender gap econômico global foi fechado. As chances de uma mulher conseguir uma posição de liderança ainda são muito menores que as dos homens (28%) e apenas 9% dos CEOs do mundo são do sexo feminino.

Mulheres ainda são minoria em tais campos por diversas razões e, se um cuidado extra não for aplicado pelas empresas na hora de pensar sobre o futuro, há um risco de dificultar ainda mais o sonho de eliminar o hiato profissional entre homens e mulheres.

O relatório estima que homens perderão cerca de 4 milhões de empregos e ganharão outro 1,4 milhão. Quase um novo posto para cada três perdidos. No caso das mulheres, já subrepresentadas, a expectativa é de um novo emprego para cada cinco eliminados.

O relatório termina pedindo atenção especial ao tema e sugere uma série de medidas, de mecanismos de responsabilidade empresarial a programas de tratamento e mentoria.

E um ponto valioso da conclusão é lembrar que a responsabilidade não termina no escritório. Uma empresa tem a oportunidade de impactar sua cadeia de valores e tornar-se uma influência externa que garanta neutralidade, inspira meninas e jovens e desenvolva parcerias com a sociedade civil, entre outras possibilidades. São ações que podem fazer toda a diferença, agora e no futuro.

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