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transformar a educação

O que aprendi trabalhando para transformar a educação do Brasil

Por Colunista do Na Prática

“Sobrava vontade de querer começar logo a ‘transformar o mundo’ e faltavam certezas sobre o que isso realmente significava”, conta Pedro Sarat, participante do Programa de Formação de Lideranças do Ensina Brasil. Em relato, ele detalha os desafios e insuficiências da Educação brasileira.

Por Pedro Sarvat

 

“O que espero é que você seja um ótimo professor e que inspire nossos alunos e alunas a sonharem mais através do seu exemplo de vida”. Foi assim que o diretor de uma das escolas onde leciono acolheu-me no primeiro dia de aula como docente de língua inglesa. Completados pouco mais de um ano e meio desde que ingressei na educação pública, compartilho neste breve relato alguns aprendizados que obtive a fim de ajudar outras pessoas a refletirem sobre as possibilidades e desafios da carreira em Educação.

Eu tinha acabado de finalizar minha graduação em Administração de Empresas pela PUC-Rio e para cada convicção que parecia ter – trabalhar com Educação e impacto social – surgiam outras tantas incertezas (e naturais inseguranças) que me faziam repensar os próximos passos profissionais. Como em todo jovem recém-formado, sobrava vontade de querer começar logo a “transformar o mundo” e faltavam certezas sobre o que isso realmente significava. Foi então que surgiu a oportunidade de iniciar esse processo através do Programa de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil.

Foi por meio do Ensina que tive a chance de me inserir numa rede global (programas similares acontecem em outros 45 países) de pessoas que compartilham do propósito comum de que trabalhar pela ampliação de oportunidades educacionais é fator chave para reduzir desigualdades de origem socioeconômicas.

Assumimos também que o complexo desafio de ampliar tais oportunidades devem ter como pilares o protagonismo dos próprios estudantes, o fortalecimento da atuação do(a) professor(a) em suas respectivas comunidades e o trabalho articulado entre múltiplos agentes. Parecia ser o cenário ideal para ampliar minha compreensão sobre sistemas educacionais, trabalhando na ponta, na sala de aula, enquanto direcionava minha carreira para a área de Educação.

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Depois de receber formação intensiva, dei início a minha trajetória de dois anos na rede pública. Na prática, fui vivenciando o sistema público de educação, desde seus desafios (da baixa disponibilidade de recursos financeiros à dificuldade de construção de uma cultura escolar voltada para a aprendizagem), até suas potencialidades (muitos profissionais altamente engajados; diretores(as) que otimizam os recursos disponíveis). Fui compreendendo que as maiores transformações que eu poderia realizar seriam aquelas orientadas a potencializar e empoderar o trabalho de alunos e profissionais da escola.

Em termos macro, em um contexto social como o brasileiro, em que 85% das matrículas da Educação Básica estão na rede pública, é preciso fazer da Educação uma prioridade nacional. Percebo que uma das formas de alcançarmos isso é atraindo as melhores mentes para a área, sejam como professores, gestores, empreendedores ou políticos.

De dentro da escola, percebo ser necessário também rever urgentemente os modelos de seleção / formação de professores e diretores escolares, os processos de formação continuada e tão importante quanto, suas políticas de remuneração. Me dei conta da importância destes fatores a partir do momento em que desenvolvi empatia suficiente para entender que estar na escola pública é um exercício permanente de resistência.

Outro grande aprendizado foi assimilar que mudanças sistêmicas e inovações locais precisam andar juntas: não basta, por exemplo, investir em aumento salarial dos professores sem rever o processo de formação continuada. Tampouco é suficiente investir num aplicativo de celular para facilitar a vida do professor sem identificar suas reais demandas ou uma articulação coerente entre Secretaria de Educação, empresa e comunidade escolar.

Ou seja, sem boas ferramentas de comunicação capazes de incluir os membros da rede de ensino na construção das políticas públicas, fica muito mais difícil, custoso e demorado implementar ações que realmente transformem a Educação.

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Enquanto profissional e alguém que está participando de um programa que propõe formar lideranças, percebi a importância de desenvolvermos três habilidades fundamentais: mediação, mobilização e comunicação. Quando bem desenvolvidas, elas nos permitem atuar como “conectores” em nossos ambientes profissionais, ampliando a chance de construirmos culturas de trabalho formadas por pessoas que celebram e reconhecem o que há de positivo, atuam de forma pragmática e impessoal sobre o que precisa ser aprimorado e privilegiam a responsabilidade compartilhada sobre uma certa noção equivocada de culpa.

Por fim, aprendi que “trabalhar com impacto” é apenas uma expressão simpática para o que milhares de brasileiros e brasileiras já fazem no seu dia a dia, muitas vezes sem terem tido acesso a outras oportunidades e sem receberem qualquer reconhecimento social. São pessoas como eu e você, que buscam encontrar seu propósito de vida e veem na Educação a chance de ajudar a formar outros indivíduos, construir sonhos e impactar trajetórias.

Me aproximo do fim do programa com a confiança de querer seguir trabalhando com Educação e repleto das antigas incertezas que há 2 anos me fizeram escolher a oportunidade profissional mais desafiadora de todas: ser professor.

Se você acha que transformar vidas é o seu propósito, te convido a conhecer o Ensina.

Dúvidas e sugestões, fiquem à vontade para me contatar em psarvat@gmail.com

 

Pedro Sarvat é formado em administração pela PUC-RJ e professor de Língua Inglesa nas escolas estaduais Élia França Cardoso e Teotônio Vilela, ambas em Campo Grande – MS. É participante do Programa de Formação de Lideranças do Ensina Brasil.

 

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