Um Projeto: Fundação Estudar
Luiza Trajano sorrindo

Para Luiza Trajano, jovem precisa chegar ao mercado com noção clara de protagonismo

Por Rafael Carvalho

“Aqui no Magazine Luiza sempre trabalhamos o autodesenvolvimento, a capacidade de as pessoas montarem suas carreiras”, defende a empresária

O Brasil precisa de jovens que cheguem ao mercado de trabalho com uma clara noção de que são protagonistas do seu destino e responsáveis pelos rumos do país. Pelo menos é o que dizem tanto a alas de educadores que pregam uma espécie de “educação cidadã”, como o mundo corporativo. É o que explica Luiza Trajano, dona do gigante varejista Magazine Luiza. “Essa questão de combinar o líder-cidadão-profissional vai ser uma tendência muito forte neste século”, afirma a empresária.

Indagada pelo portal Porvir, Luiza disse que gostaria de ver as escolas estimularem nos alunos saberes que ela considera fundamentais para o cidadão do século 21, como o protagonismo – um dos valores trabalhados no Laboratório e no LabX, programas de formação de liderança do Na Prática que estão com inscrições abertas.

Vale mencionar que o debate sobre se isso deve ou não ser feito (e sobre como será feito) na educação básica foi iniciado formalmente pelo Ministério da Educação com a divulgação do anteprojeto da Base Nacional Comum Curricular  – a BNC será uma espécie de currículo mínimo com força de lei, válido para todas as escolas do país.

Luiza é razoavelmente otimista com o potencial da educação brasileira, mas teme que o país perca mais uma vez o timing na hora de executar os projetos. “Veja a questão do empreendedorismo. Dá para perceber claramente que lá atrás ela não foi tratada adequadamente pelas redes de ensino, tivemos de correr atrás”, diz. “E olhe que existem experiências incríveis: tem uma escola do Sebrae em Minas Gerais na qual os alunos administram tudo, da biblioteca à cantina. Já são ensinados a empreender como parte da rotina escolar.” No vídeo a seguir, Luiza Trajano explica ao Na Prática o que é necessário para ser um empreendedor:

Do ponto de vista pedagógico, as duas características citadas por Luiza e mencionadas no início do texto são faces da mesma moeda, a de colocar o aluno no centro do processo de aprendizado, tirando-o da condição de mero espectador. “Aqui no Magazine Luiza sempre trabalhamos o autodesenvolvimento, a capacidade de as pessoas montarem suas carreiras”, ela defende. Ainda assim, existem outras características desejáveis em um profissional antenado com este século que vão além do estritamente pedagógico. Veja, no vídeo a seguir, quais são as características principais de um bom líder, segundo a empresária:

Ao listar o que busca nos novos talentos, Luiza também vai além. Para ela, é importante ter um bom repertório digital (“desde que a pessoa entenda que tecnologia não é fim, é meio”) e a capacidade de empatia, de entender o outro. Na verdade, essa é uma das questões mais essenciais para ela.”É muito importante você perceber a nobreza que existe em servir ao outro”, afirma. No vídeo a seguir, ela explica como essas características podem destacar o jovem profissional no mercado de trabalho:

Assista ao bate-papo completo do Na Prática com Luiza Trajano

Na convivência diária com funcionários mais jovens, Luiza percebe um aspecto que considera elogiável. “Esse pessoal é muito preocupado com qualidade de vida. Valorizamos muito isso aqui, tanto que estamos há mais de 18 anos no ranking das melhores empresas brasileiras para se trabalhar”, diz. “Este ano ficamos na 6ª posição.”

A contrapartida desse profissional que valoriza tanto seu próprio bem-estar é a resistência em “vestir a camisa” da empresa, engajar-se na companhia como se ela fosse uma segunda família. “O próprio mercado dita um pouco isso, se está ‘comprador’ a pessoa acaba recebendo propostas interessantes para se transferir. É difícil generalizar, mas certamente o profissional de hoje tem mais dificuldade em criar vínculos com as empresas”, diz Luiza. “Como estreitar esse vínculo? Esta é certamente uma lição de casa que todos nós, empresários, precisamos fazer.”

 

A versão original deste artigo foi publicada no portal Porvir

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