Um Projeto: Fundação Estudar
Retrato de Aline Santos, que trabalha com educação inclusive no Instituto Rodrigo Mendes

Como essa jovem aposta em educação inclusiva para melhorar o Brasil

Por Priscila Bellini do Estudar Fora

“A escola nunca vai estar preparada. Vai ter que se reinventar todas as vezes que chegar um aluno novo”, opina Aline Santos, que trabalha no Instituto Rodrigo Mendes

A brasileira Aline Santos começou a carreira no setor de marketing e eventos no setor de varejo. Ela conciliava a correria do mercado de trabalho com a formação em relações públicas na faculdade. Só faltava um detalhe: dedicar-se a algo que se relacionasse a seu propósito.

Foi só depois de concluir a graduação que Aline cogitou seguir outros rumos e encontrou uma vaga na área de comunicação do Instituto Rodrigo Mendes, uma ONG voltada à área de educação inclusiva. Mesmo que já tivesse alcançado o nível de coordenação no varejo, a jovem se candidatou ao posto, como auxiliar de marketing. Foi o ponto de partida para que Aline se desse conta da importância de pensar a educação inclusiva.

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Primeiros desafios

“A equipe era toda formada por especialistas, e eu cheguei sabendo absolutamente nada”, conta a brasileira, que hoje integra a rede de Talentos da Educação da Fundação Lemann. Em um primeiro momento, Aline teve de se familiarizar com as discussões em andamento, em matéria de educação inclusiva. “Eu percebi que uma grande parte da população não tinha contato com o que eu produzia como comunicadora”, sintetiza ela.

O desafio inicial, trabalhando no Instituto, era também entender como uma estrutura que não leva em conta a pessoa com deficiência faz com que muita gente fique “para trás”. E, de fato, são muitas pessoas: os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão conta de que 24% da população brasileira apresenta alguma deficiência. No mercado de trabalho formal, ainda em dados do IBGE, elas constituem uma parcela reduzida, de 0,84% dos vínculos empregatícios.

Para garantir oportunidades – não só em termos de de colocação profissional – a essa parcela da população, o caminho indispensável passa pela educação. “E, quando a gente pensa em educação inclusiva, a singularidade é imprescindível”, diz Aline Santos. Em outras palavras, em vez de fornecer uma forma padrão para pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, a alternativa era entender de fato as demandas, anseios, necessidades e formas de aprendizado de cada pessoa.

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Como pensar a educação inclusiva

Aline logo passou a coordenar um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Rodrigo Mendes, o portal Diversa. No site, há espaço para artigos de especialistas, relatos acerca da educação inclusiva e práticas inspiradoras na área. Como Aline explica, plataformas como essa colaboram para o exercício da cidadania de pessoas com deficiência.

Para dar conta do desafio de tornar a educação brasileira inclusiva, é necessário tomar passos importantes, como “desmontar” os mitos sobre o assunto. Um deles refere-se à “limitação” atribuída às pessoas com deficiência. “A gente tem que se encarar a educação não como um teto, mas como um trampolim”, diz Aline Santos. Em outras palavras, é necessário elaborar formas para que tais estudantes alcancem o seu melhor e se desenvolvam ao máximo.

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Outro ponto essencial trata-se de evitar as receitas prontas para tornar a educação mais inclusiva para esta ou aquela parcela das pessoas com deficiência. Em vez das fórmulas, o que vale é entender estratégias que funcionaram em determinados contextos e trabalhar para adaptá-las. O exemplo citado por Aline refere-se à formação de professores. “É uma formação que ofereça estratégias e repertório, e que o ajude a ser um professor melhor para todos os outros.”

Esse tipo de formação para professores – assim como instrução acerca de legislação e políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência – faz parte dos serviços oferecidos pelo Instituto Rodrigo Mendes. Também há acompanhamento de tutores à distância, depois dos cursos, e aulas que apostam na criação de repertório do professor.

Por trás de tais atividades, está a ideia de que educação inclusiva deixa o ambiente escolar melhor para todos. Em uma sala de aula em que haja uma criança com deficiência auditiva, como exemplifica Aline, não basta uma aula expositiva de 50 minutos. “O professor utiliza recursos visuais a mais, que também beneficiam as outras crianças”, ressalta a brasileira.

Uma nova escola

A mudança proposta por profissionais como Aline Santos – em que pouco a pouco as escolas e governos apostam – pretende tornar a escola “melhor para todo mundo”. Em outras palavras, um lugar onde haja oportunidades para os diferentes alunos e em que as estratégias sejam adaptadas e repensadas. “A escola nunca vai estar preparada. Vai ter que se reinventar todas as vezes que chegar um aluno novo”, opina Aline.

Para promover um espaço do tipo, não é necessário “inventar a roda”, nem encarar o professor como único responsável. Em uma aula de educação física, onde alunos com deficiência acabem por ser excluídos das atividades, os próprios estudantes podem ajudar a elaborar saídas. “Não vai surgir um saber iluminado que vai mudar a escola, nós é que vamos juntos criar as melhores alternativas”, conclui a brasileira.

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