Ainda adolescente, Wilian Cortopassi decidiu que seu objetivo seria contribuir cientificamente para o tratamento do câncer. A motivação veio de experiências próprias, já que aos 14 anos viu seu tio paterno falecer e também seu pai, pouco tempo depois; ambos pela doença. “Meu pai sempre estava ao lado da gente, eu e minhas irmãs. Era ele quem fazia o café da manhã, acordava a gente, levava pra escola porque minha mãe trabalhava em dois empregos”, lembra ele.

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As doenças na família e as inúmeras visitas a hospitais tiveram um papel decisivo na forma com que Wilian, ainda muito jovem, passou a ver suas aptidões – e sua relação com seus objetivos. “Odiava ir ao hospital. Mas sempre gostei de Química, Matemática e Física.” No ensino médio, enquanto ainda acompanhava o tratamento do seu pai, escolheu se dedicar à Química Medicinal, começando com um estágio focado em malária realizado na Fiocruz, sendo parte do grupo de Antoniana Krettli, professora que considera sua primeira de diversos mentores com quem conta até hoje.

Wilian, em sua infância, rodeado pelos pais (Imagem: Acervo Pessoal)

Enquanto fazia um curso preparatório para entrar no Instituto Militar de Engenharia (IME), seu pai faleceu. “Uma semana depois do velório, fiz a prova, e fui aprovado no IME”, conta. “Me lembro de minha mãe falando que meu pai pedia pra ela não compartilhar detalhes [da doença] comigo, pois o sonho dele era me ver aprovado lá e seguir meu sonho.”

Aos 33 anos, Wilian já desenvolveu diversas pesquisas em Química Medicinal, ciência multidisciplinar, recebeu prêmios e publicou artigos em revistas renomadas. No entanto, destaca os desafios da trajetória que escolheu. “Ser pesquisador não é uma carreira fácil. Você provavelmente só vai ver resultados da sua pesquisa quando tiver seus 50-60 anos. E algumas vezes pode demorar gerações”, e acrescenta: “no final, o caminho é gratificante, pois sabemos que estamos construindo um mundo melhor”. “A gente tem que amar o que a gente faz, olhar no espelho todo dia e estar feliz com a gente mesmo. Isso é o mais importante. Os momentos difíceis vão nos acompanhar a vida toda.”

Desbravando incertezas à atuação científica internacionalmente reconhecida

No IME, conheceu a Fundação Estudar. Na época, conta que estava em um momento complicado da carreira, marcados por dúvidas relacionadas a seu objetivo de ser um pesquisador. “Nas minhas interações com as palestras da Estudar, percebi que se me juntasse a um time de líderes que provavelmente passaram por desafios parecidos, poderia aprender muito, e tomar decisões mais conscientes.”

Por não querer seguir carreira militar, Wilian saiu do IME para a PUC-Rio, onde estudou Química. Fez seu doutorado na Universidade de Oxford com bolsa e lá pôde aperfeiçoar seu inglês. Foi o primeiro da família a viajar para fora do país. “Estar longe de tudo e todos foram desafios diários”, relata.

 Durante o doutorado, recebeu dois prêmios pela American Chemical Society, uma das maiores sociedades científicas do mundo, com foco em Química: “Excelência Científica” e “Futuros Líderes em Química”. 

Já no pós-doutorado, na Universidade da Califórnia, foi escolhido para participar de uma competição internacional organizada pela farmacêutica Merck KGAA, na Alemanha. O projeto em química medicinal do seu time, com foco em “bibliotecas codificadas por DNA”, conquistou o segundo lugar. 

Em uma de suas pesquisas na Universidade da Califórnia, Wilian usou química computacional e realidade virtual para estudar o motivo de alguns pacientes pediátricos com leucemia não responderem aos tratamentos – estudo publicado em uma das revistas mais renomadas do mundo em oncologia, “Cancer Discovery”. “Foi um time multidisciplinar, mas nossa contribuição usando química computacional ajudou a fornecer hipóteses sobre como outros tratamentos mais personalizados podem ajudar em futuros tratamentos pediátricos”, explica. 

Com uma trajetória de alto impacto na Ciência, Wilian considera que uma de suas maiores conquistas profissionais seja o desenvolvimento de tratamentos para malária através de um projeto com a Fiocruz, realizado com a professora Antoniana Krettli, em colaboração com pesquisadores da Universidade da Califórnia, PUC-Rio e Universidade Federal de Alagoas.

“Desenvolvemos um fármaco que chamamos de DAQ. Esse composto tem se mostrado eficaz em testes pré-clínicos de malária resistente à cloroquina, e pretendemos avançar com estudos de toxicidade em breve”, relata Wilian. O projeto, a que dedica seus finais de semana, está em avaliação quanto a um pedido de patente internacional. O DAQ, por sua vez, já foi tema de dois artigos de revistas científicas internacionalmente conhecidas no ramo de parasitologia.

Na empresa farmacêutica Novartis, onde ficou por quatro anos e teve sua primeira experiência fora do ambiente acadêmico, desenvolveu pesquisas na área de novos tratamentos para Saúde Global, em malária e outras doenças de relevância para o Brasil, como a doença de Chagas. Posteriormente, teve alguns dos resultados desse trabalho divulgado na revista “Science”, uma das mais renomadas publicações do tipo no mundo. 

Ainda na Novartis, também utilizou realidade virtual para aprimorar discussões científicas entre químicos computacionais e químicos experimentais. Pelo seu destaque na organização, recebeu o prêmio “The Dorothy Crowfoot Hodgkin”, concedido a exemplos em excelência acadêmica e cultural. 

Mais recentemente, recebeu uma proposta para trabalhar como Pesquisador Científico Sênior na Gilead Sciences, onde estuda novos tratamentos na área de oncologia.  

Um propósito nítido, não sem desafios, e muito apoio na jornada

Sobre o que mais o motiva em sua jornada, Wilian destaca “o potencial em ajudar pessoas a passarem mais tempo com outras pessoas que elas amam”. “Serem felizes, longe de hospitais.”

“Aos 40 anos, espero ter contribuído para pelo menos um tratamento de malária, Chagas ou câncer, que tenha avançado para a fase clínica. Aos 50/60 anos, ficaria feliz ao saber se alguns desses fármacos chegaram a pacientes, tendo sido aprovados por agências reguladoras depois das fases clínicas.” Para que um fármaco avance para as fases clínicas, é necessário ter investimento, alinhamento estratégico e sorte, de acordo com o pesquisador. 

Hoje, relata que seu maior desafio é continuar acreditando e se preparando para lidar com as adversidades enquanto tenta atingir seu objetivo. Por isso, busca se desenvolver tecnicamente e interagir com outros pesquisadores com trajetórias parecidas. Também conta com pessoas queridas como suporte. “Ter o amor da família ajuda muito. Recentemente, me abri sobre ser homossexual, o que é grande parte da minha identidade. Fiquei muito feliz pelo acolhimento, foi um peso a menos a ser carregado.”

Para além do apoio, Wilian destaca a importância de se cercar de pessoas que inspiram (e trabalhar o amor próprio). “Preocupe-se menos pelo que os outros pensam de você. Mas, ao mesmo tempo, escute o que pessoas mais experientes têm a te dizer. Isso não significa que você necessariamente vai seguir os passos de outros, mas há muito a aprender”, finaliza.

Assim como Wilian, faça parte da rede Líderes Estudar

Wilian faz parte da rede do Programa de Bolsas Líderes Estudar, onde histórias inspiradoras e de impacto são comuns e se destrincham por muitos campos de atuação. 

Se você se identifica com a vontade do pesquisador de contribuir para um mundo melhor, conheça mais sobre o programa e realize sua pré-inscrição para o processo seletivo da Fundação Estudar.

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