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A receita do sucesso no trabalho de grandes personalidades, segundo estudo de Harvard

Por Tatyane Mendes

Alinhados com conselhos de carreira de Melinda Gates e Oprah Winfrey, pesquisadores de Harvard descobriram que uma estratégia comumente utilizada por profissionais é prejudicial para a carreira. Descubra a receita para o sucesso, segundo a pesquisa e as personalidades.

Não é raro que profissionais em início de carreira ou em um momento de transição olhem para grandes personalidades para analisar como eles conseguiram obter sucesso no trabalho. As fórmulas são inúmeras mas existem alguns comportamentos em comum no grupo dos bem-sucedidos. Um deles é a autenticidade, de acordo com um estudo da pesquisadora da Universidade de Harvard Francesca Gino.

Nadando contra a corrente

Em artigo na Harvard Business Review, Francesca explica que é bastante comum que profissionais busquem atender aos desejos, preferências e expectativas de pessoas que querem impressionar, acreditando assim que terão mais chance de sucesso. Contudo, ela e sua equipe descobriram que a crença de que essa atitude é uma estratégia mais efetiva do que apenas ser você mesmo é errada.

Essa também é a visão de profissionais consolidadas em suas áreas, como a apresentadora Oprah Winfrey e a filantropa Melinda Gates. Ambas são grandes defensoras do estilo “seja você mesmo”, dentro e fora do trabalho. Questionada por uma revista norte-americana sobre qual seria o conselho mais importante que poderia dar a jovens mulheres para terem sucesso no trabalho, Melinda respondeu: “Se encaixar é superestimado”.

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Ela explicou que no início de sua carreira se esforçava ao máximo para se tornar mais parecida com as pessoas que a rodeavam. Analisando o passado, a cientista da computação pondera que a atitude não despertou o melhor lado dela, nem dos outros, muito menos trouxe sucesso no trabalho. Ela sugere que os jovens profissionais busquem pessoas e ambientes que os empoderem a serem eles mesmos e que sejam fiéis a seus valores pessoais e suas personalidades.

E Oprah Winfrey é outra figura de destaque que leva seus valores muito a sério, tanto que ela pediu demissão do programa de notícias “60 Minutos”, em uma prestigiada emissora norte-americana. O motivo dado pela apresentadora era que a proposta não se alinhava com sua essência. Sem hesitar, ela largou o projeto e buscou novas oportunidades que se encaixassem melhor com sua forma de trabalhar. De acordo com a pesquisa de Harvard, Oprah fez a escolha certa, o que posteriormente fez com que ela tivesse mais sucesso no trabalho. 

Sucesso no trabalho = autenticidade?

Para descobrir que se adaptar às expectativas dos outros no trabalho não era uma estratégia efetiva, os pesquisadores de Harvard analisaram a forma como 166 empreendedores venderam suas propostas de negócios para um grupo de investidores, todos profissionais seniores e atuantes no segmento. Da rodada de pitch, foram selecionados 10 semifinalistas que participariam de uma etapa final. 

Após cada apresentação, os pesquisadores pediram que os empreendedores respondessem algumas perguntas. Os dados revelam que aqueles que foram mais autênticos em suas propostas tinham três vezes mais chances de serem escolhidos para a semifinal do que aqueles que se adaptaram ao que imaginaram que os juízes queriam.

Francesca analisa que, quando ocorre essa adaptação ao que o outro espera, os profissionais minimizam seus interesses e preferências próprios e podem ficar exaustos ao tentar esconder seu “verdadeiro eu”, o que prejudica a performance profissional e consequentemente a chance de sucesso no trabalho. Além disso, como não é possível saber com certeza o que o outro espera, a tentativa de acertar aumenta a ansiedade e a sensação de estar sendo um impostor, o que também impacta no rendimento.

E para comprovar a tese, os pesquisadores realizaram outro experimento: convidaram profissionais para uma “entrevista de emprego” na qual deveriam enviar um pequeno vídeo falando sobre si mesmos e o trabalho ao qual estavam concorrendo. Os vídeos seriam avaliados e receberiam uma nota que indicaria a probabilidade deles serem contratados. Aqueles que se saíssem melhor também teriam um bônus financeiro.

Como instrução, os estudiosos criaram três condições: adaptação, autenticidade e controle, que serviriam também como referência para o nível de sucesso no trabalho. Os candidatos do grupo adaptação deveriam responder com vídeo com o que acreditavam que combinasse melhor com as expectativas e interesses do recrutador. Já os de autenticidade, deveriam ser verdadeiros com o que acreditavam. O grupo de controle não recebeu orientações nem para ser autêntico, nem para se adaptar.

Depois de enviarem os vídeos, eles responderam perguntas sobre o nível de ansiedade que sentiram e suas intenções estratégicas. O grupo de adaptação mostrou níveis mais elevados de ansiedade e estrategismo em relação aos autênticos. O estado emocional dos que tinham que se adaptar dificultou o bom desempenho deles na entrevista. Com base nas notas recebidas, os autênticos tinham 26% a mais de chance de serem contratados, em relação aos adaptadores. O grupo de controle tinha uma probabilidade 15% maior de sucesso do que quem se adaptou e 9% menor do que os autênticos.

Francesca finaliza afirmando que fazer uma boa primeira impressão é importante para o sucesso no trabalho. Mas, ao contrário do que se acredita, ser verdadeiro consigo mesmo tem um impacto positivo maior do que buscar atender às expectativas e interesses dos outros.

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