Os novos profissionais de finanças terão funções mais estratégicas

As tecnologias que automatizam processos financeiros devem revolucionar o papel dos departamentos de finanças, defende especialista

Rafael Carvalho, do , em 22.01.2015
Homem diante de tela de bolsa de valores [shutterstock]

Um estudo publicado em 2014 pela empresa multinacional de recrutamento Robert Half apontou o papel cada vez mais estratégico que os CFO’s (Chief Finance Officer, ou Diretor Financeiro) vêm assumindo dentro de grandes organizações ao longo dos últimos anos. Para Therese Tucker, fundadora da BlackLine, empresa americana que fornece software de finanças, esse mesmo cenário já pode ser percebido em empresas de médio porte.

“O que nós estamos vendo agora nas empresas médias é simplesmente uma continuação da tendência que já vinha transformando o papel desse profissional nas grandes organizações ao longo da última década, com o próprio CFO tomando funções mais estratégicas e assumindo responsabilidades adicionais que vão além do universo de finanças e contabilidade”, ela disse em entrevista para a revista americana Forbes.

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Soluções na nuvem Para a executiva, a tecnologia é a principal viabilizadora dessa mudança (sua empresa fornece soluções tecnológicas baseadas em computação em nuvem que visam automatizar certos procedimentos dos departamentos de finanças nas empresas).

“Os diretores financeiros estão fazendo uso pleno da tecnologia nos principais processos de finanças e contabilidade, como forma de contribuir com a gestão de desempenho da empresa”, diz.

“Eles estão melhorando o controle e a visibilidade dos dados, e ao mesmo tempo permitindo que seus times concentrem energia em melhorar o negócio em si, desenvolvendo projeções mais precisas e reforçando os mecanismo internos que asseguram a precisão dos relatórios financeiros”, completa.

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Tempo perdido Em 2014, a BlackStone viabilizou um estudo de mercado com o departamento financeiro de diversas empresas. Cerca de ¼ das companhias pesquisadas respondeu que o time de finanças gastava mais da metade do tempo de trabalho com tarefas maquinais: coletar, inserir e validar dados.

“Isso é inacreditável quando você pensa que são funcionários bem pagos, com educação de ponta, dedicando grande parte de seu dia a atividades manuais e repetitivas”, confessa Therese. “Tenho certeza de que não era o sonho quando decidiram entrar no mundo das finanças”.

Ela defende que investimentos estratégicos em tecnologia podem automatizar essas tarefas, fornecendo dados que dispensam a possibilidade de erro humano e, por outro lado, liberando o tempo da equipe.

O que fazer com esse ‘tempo livre’, então? “É uma oportunidade de redirecionar os esforços para a análise de dados, assumindo uma posição mais estratégica”, responde a executiva. Os CFO’s que estão sendo vistos como agentes de mudança são aqueles que aproveitam a tecnologia para automatizar certos processos manuais e permitem que as equipes de finanças e contabilidade se tornem parceiros estratégicos da organização como um todo, dedicando tempo e capital intelectual a questões mais relacionadas a business intelligence.

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Inovar sempre “Profissionais modernos, que querem ser vistos como transformadores, devem mostrar entusiasmo e curiosidade para experimentar algo novo com o tempo adicional que surge graças aos processos automatizados”, ela recomenda para os jovens nas equipes de finanças. “Procure maneiras de transformar dados e informações em análises perspicazes, que possam realmente auxiliar a empresa no planejamento, na estratégia e no processos de tomada de decisão”. Resumindo: o tempo extra deve ser convertido em inovação e valor estratégico.

Dessa forma, as empresas que implementam essas mudanças mais cedo já saem na frente, e provavelmente serão capazes de tomar decisões estratégicas melhores. Em outras palavras, ter um departamento financeiro moderno tornou-se um diferencial competitivo.

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