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Votorantim Cimentos na prática: o trabalho de uma gerente financeira

Por Cecília Araújo

Gabriela Woge conta como é o seu dia a dia e revela do que mais gosta em ser a responsável pela tesouraria global da empresa

No final de 2008, quando a economista Gabriela Woge foi a uma entrevista de emprego na Votorantim Cimentos, o clima mundial não era dos melhores para quem trabalhava com finanças. O momento coincidiu com a declaração da concordata do banco norte-americano de investimentos Lehman Brothers, fato considerado como desencadeador da sucessiva crise que afetou o mundo todo. Era um dia muito estressante para o mercado, e Gabriela se sentiu lisonjeada só por ser recebida na sede. “O que você procura em uma empresa como a Votorantim?”, perguntou o entrevistador. A economista respondeu, sem titubear: “Um lugar seguro para mim nesse momento”. Foi contratada na hora.

Buscar segurança (para si e para a companhia na qual trabalha) parece ser uma das metas de Gabriela, hoje com 38 anos. Desde janeiro deste ano, é a gerente-geral da tesouraria global da Votorantim Cimentos, sendo responsável pela captação de recursos, gestão de caixa e relacionamento bancário. Além disso, cuida da área de relacionamento com os investidores. Não é tarefa fácil, uma vez que a presença da companhia chega a 14 países tão diferentes quanto Canadá, Tunísia, Marrocos e Turquia, além do Brasil.

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Paixão por finanças
A trajetória de Gabriela sempre foi ligada à área financeira de grandes empresas. Formada em 2001 em Economia pela Unicamp, pensou em entrar em organismos internacionais, como a ONU. Mas um estágio na Monsanto começou a abrir seus olhos para outros voos. Depois da multinacional de agricultura e biotecnologia, partiu para um período na Europa. Lá, buscou um curso de extensão (em finanças, obviamente), em Londres, capital com papel de destaque mundial na área.

De volta ao Brasil, passou ainda pela Ultrapar e Kimberly-Clark, antes de entrar na Votorantim. Na empresa do grupo voltada para a produção de cimento, Gabriela considera estar desenvolvendo um trabalho do qual se orgulha. “Vim sozinha para começar a tesouraria do zero. Hoje são 14 profissionais na área, gente que veio do mercado e outras que tinham o perfil de finanças e estavam em outras áreas das empresas do grupo”, comemora.

Apesar de não ter passado pelo programa de trainee da Votorantim Cimentos (cujas inscrições para a edição 2015 seguem abertas até o dia 6 de outubro), a economista também teve um mentor dentro da empresa. “Ele é meu coach até hoje, me ensinou como sempre querer se superar”, diz, referindo-se a João Miranda, CEO da Votorantim Industrial. O impulso na carreira de jovens profissionais, por sinal, é visto pela economista como um diferencial na Votorantim. “Aqui a busca é por pessoas que se diferenciam. O princípio é o da meritocracia. Quem faz a diferença acaba tendo oportunidades”, pontua.

Outro orgulho de Gabriela na empresa foi justamente no período que passou na Votorantim Industrial, quando participou do alongamento da dívida, contribuindo para a solidez financeira da companhia. Ela diz que desafios são parte de seu dia a dia. “Adoro quando encontro um problemão de manhã e volto para casa com o problema resolvido”, diz. E a estagnação da economia não assusta tanto a economista. “A Votorantim Cimentos cresceu junto com o Brasil. A gente ajudou a construir o país, literalmente. A empresa tem hoje muita expertise no setor e consegue aplicar esse modelo vencedor em outros lugares”.

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Exigências da função
Mas quem lida com a área de finanças de uma grande multinacional não pode ficar focado apenas em números, e ela sabe disso. É preciso saber como funcionam os negócios, quem são as pessoas que os movem, ainda mais em países bem diferentes do Brasil. “É preciso saber sobre o mercado como um todo. Instabilidades políticas e condições climáticas podem impactar as exportações. É preciso saber antecipar condições adversas, sempre visando ao máximo de retorno para o acionista”. Uma dica de Gabriela para quem pensa em se aventurar na área é, se possível, fazer parte dos estudos no exterior. “É preciso abrir a cabeça, saber o que tem lá fora, ser resiliente”, diz a gerente, que costuma viajar bastante a trabalho.

O trânsito da gerente-geral da tesouraria global da Votorantim Cimentos não é apenas físico. Seu trabalho é diretamente ligado a outros setores da empresa, como as áreas jurídica, comercial e tributária. O ritmo é puxado, com muitas reuniões, o que exige organização e pragmatismo. E não pode se esquecer de priorizar orientações periódicas à equipe. “Digo que aqui é um ambiente sem portas fechadas, que facilita o contato entre as pessoas. Algo que aprendi na Votorantim é cuidar das relações interpessoais, acreditando sempre em cada profissional.”

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

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