Presidente da TAM fala sobre experiência em consultoria e por que deixou a área

Claudia Sender, uma das dez mulheres mais poderosas do Brasil, comenta seus sete anos na Bain & Company

Rafael Carvalho, do , em 21.01.2015
Claudia Sender, presidente da TAM, em entrevista [reprodução]

Desde 2013, Claudia Sander é a presidente da TAM Linhas Aéreas, maior companhia aérea brasileira – após a fusão com a LAN Airline, em 2012, tornou-se também a maior da América Latina. Aos 39 anos, é conhecida por uma carreira de destaque: comanda os cerca de 30 mil funcionários da TAM e define a estratégia da empresa, que tem faturamento de quase 13 bilhões de dólares. É uma das quatro mulheres brasileiras consideradas jovens líderes globais pelo Fórum Econômico Mundial. Para a revista americana Forbes, é a sétima mulher mais poderosa do Brasil.

Mas também – e isso não é todo mundo que sabe – é um dos mais destacados membros da rede alumni da Bain & Company, que reúne os ex-funcionários da consultoria estratégica. Nesse grupo, está acompanhada de outro nomes notórios, como John Donahoe, CEO do eBay, e até mesmo Mitt Romney, o ex-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos. No mercado das consultorias, marcado por um ritmo intenso de aprendizado, é comum consultores deixarem a área para ocupar cargos seniores em outras empresas.

Assista ao bate-papo com Claudia Sender realizado pelo Na Prática

Claudia entrou na Bain logo que se formou em Engenharia Química, na Universidade de São Paulo (USP), em 1998, e permaneceu lá durante mais de sete anos. “Em menos de dois anos, ganhei a experiência de conhecer empresas, assuntos e muitos executivos. Só teria isso em no mínimo cinco anos e se conseguisse trabalhar em cada uma”, conta, falando de seu início de carreira, como estagiária. Esteve, inclusive, envolvida em projetos dentro da própria TAM. Saiu já como consultora, em 2005, para se tornar vice-presidente de marketing da Whirlpool, maior fabricante mundial de eletrodomésticos.

Durante bate-papo com o Na Prática, a executiva falou sobre a sua experiência na consultoria estratégica, e comentou sobre o perfil de profissional que se dará melhor e será mais feliz nesse mercado de trabalho. “São as pessoas que tem uma curiosidade intelectual aguçada, uma vontade de realmente correr atrás de vários temas diferentes”, explicou. Para ela, também não há espaço para quem tem muito apego à rotina. “Se você gosta de ter uma vida mais estruturada, com uma rotina em que você sabe onde é o endereço do seu escritório, você sabe qual é o assunto que você vai tratar todos os dias, a consultoria não é para você”, complementou.

Claudia tinha essas características, mas decidiu migrar para um mercado diferente por outras razões. Enquanto estava na Bain, foi realizar um MBA na Harvard Business School, e quando voltou da experiência no exterior começou a se questionar sobre os rumos que queria para sua carreira. Ela conta que queria ter mais controle sobre o impacto que poderia causar. “O consultor tem essa beleza de poder ter acesso a muitos temas, a muitas empresas, mas por outro lado a implementação em geral fica a cargo do cliente”, explica a executiva. “Então você pode até ter ideias brilhantes, mas nunca saber se funcionam de verdade, na prática, e eu sentia falta de ter mais controle sobre aquilo que eu fazia”.

A vontade de liderar uma grande empresa também pesou em sua decisão. “Em consultoria, de maneira geral, você trabalha com grupos menores de pessoas, e eu tinha essa vontade de poder trabalhar com mais gente, liderar grupos mais massivos. Dentro de consultoria é difícil de ter esse tipo de oportunidade”, conclui.

Leia também: Como entrar na consultoria Bain & Company 

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.