Um Projeto: Fundação Estudar
Dayana Aguillar

Ela comanda programa que busca formar cidadãos e profissionais do futuro

Por Tatyane Mendes

Diretora geral do Programa Pleno da Arco Educação, Dayana Aguillar explica como as habilidades socioemocionais devem moldar o mercado de trabalho no futuro e aponta mudanças a serem implementadas no sistema educacional.

No ano passado, a administradora Dayana Aguillar entrou na Arco Educação para assumir um novo desafio: comandar um programa focado em educação socioemocional. Apaixonada pela setor desde jovem, ela encontrou seu propósito como diretora geral do Programa Pleno. Ao Na Prática, ela conta um pouco sobre sua trajetória, objetivos do programa e como competências e habilidades socioemocionais devem impactar as próximas gerações no mercado de trabalho.

Entrando para a educação

Formada em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo e com Mestrado em Administração de Empresas pelo INSEAD, Dayana trabalhou grande parte da sua vida em uma consultoria de gestão e estratégia. Contudo, ela sempre teve uma conexão forte com a educação por conta dos pais professores e de trabalhos voluntários em ONGs de educação. “Quando eu voltei do meu mestrado na França, essa vontade de querer trabalhar com educação ficou mais latente. Foi quando eu conheci a Arco e me apaixonei pelo propósito da empresa”, relembra.

Ela entrou na empresa com a missão de liderar o Programa Pleno, projeto de inovação incubado pela Arco. “O Programa Pleno nasce aqui dentro mesmo como um programa voltado para a educação socioemocional e de habilidades do século XXI na escola. Hoje a educação em sala de aula é majoritariamente voltada para conteúdo e conhecimento, o que é muito importante. Mas percebemos que o mundo está cada vez mais volátil e incerto e que, além de ensinar esses conteúdos em si, é muito importante que os alunos aprendam a abordar problemas, se relacionarem melhor com as pessoas e com as emoções para gerar impacto a sua volta”, opina.

Programa de contratação

Enfoque na educação socioemocional

Dayana percebe que existe um vazio no desenvolvimento de competências socioemocionais, que são habilidades fundamentais para o mercado de trabalho. “No fim, o que buscamos nas pessoas e nos profissionais está muito mais ligado a comportamentos e como lidamos com desafios do que com o conhecimento técnico em si. Existem dados que apontam que 65% dos alunos da educação infantil hoje vão trabalhar em profissões que ainda não existem. Isso mostra que precisamos formar essas pessoas de uma forma diferente, que tem algo faltando ali”, avalia.

Outras questões que ressaltam a importância da educação socioemocional são os altos índices de casos de bullying, indisciplina e solidão em sala de aula. “De acordo com dados do Pisa 2018, cerca de 29% dos alunos relatam que sofrem ou já sofreram bullying na escola, 13% se sentem sempre tristes e 23% relatam que se sentem sozinhos. Esses números do Brasil que são piores do que a média global. O Programa Pleno nasce com essa missão de desenvolver competências e habilidades que vão além do cognitivo, formando seres humanos mais integrais. Usamos integral porque o resto não é menos importante, mas não podemos desconsiderar esse lado socioemocional”, ressalta.

E trabalhar a educação socioemocional de forma intencional e sistematizada comprovadamente melhora os comportamentos sociais de alunos, a performance em testes acadêmicos e possui efeitos de longo prazo. “São impactos econômicos e sociais reais tanto na escola, como na sociedade como um todo”, completa a diretora.

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Desenvolvendo o programa

Quando Dayana assumiu o programa, ele ainda estava em fase de desenvolvimento de produto e teste. “Eu cheguei em setembro e foi quando a gente começou a de fato montar o time para levar o produto ao mercado de educação privada. A fase de testes e pilotos foi muito importante para absorvermos os feedbacks das escolas. É uma missão que leva algum tempo. Dedicamos boa parte do nosso tempo e esforço até aqui a encontrar a melhor forma de oferecer esse produto para as escolas e cuidar delas”, aponta.

Atualmente, a equipe do programa conta com 40 pessoas, que trabalham com os produtos que vão para a sala de aula, produtos digitais, consultores que vão para as escolas oferecer o produto e os que fazem a consultoria pedagógica do pós-venda. Dayana indica que o último grupo é o responsável pela formação dos professores para que eles estejam aptos a liderarem o programa nas escolas e por acompanhar a escola na melhor implementação do programa de educação socioemocional.

“Minhas responsabilidades são muito relacionadas a saber priorizar. Parece um pouco clichê mas é verdade. É um mundo muito vasto de coisas que a gente pode fazer e é bem importante que a gente consiga focar no que de fato vai trazer valor para a escola. Além disso, existe um trabalho muito grande de direcionar o time para novos caminhos, vendo onde podemos evoluir. Parte da missão está muito voltada para pessoas e cultura, então formar o time, ajudá-los a se desenvolverem e fazer com que eles estejam integrados na cultura do Pleno e da Arco é uma importante responsabilidade”, compartilha.

O principal desafio desse processo foi conseguir fechar as primeiras escolas, principalmente porque o produto ainda não estava no mercado, de acordo com Dayana. “Acho que conseguimos cumprir bem para um primeiro ano. Não só buscando novos clientes, mas gerando valor para as escolas dentro do grupo Arco. Além disso, buscar soluções por meio dos feedbacks evoluir o produto foi bem desafiador, mas recompensador também”, observa.

A importância das soft skills

Trabalhar com educação socioemocional fez com que Dayana valorizasse ainda mais as soft skills. Ela compartilha algumas que acredita que sejam mais importantes para o mercado de trabalho atual. “Acho que a primeira coisa é ter autoconhecimento, entender seus pontos fortes e limitações, para buscar tanto evoluir quanto se apegar aos pontos fortes. Depois autorregulação, ou seja, ter metas claras e disciplina em relação a emoções e tarefas. Em seguida, ter bons relacionamentos interpessoais, saber se comunicar bem, trabalhar em equipe, ser empático e ter consciência social. E por fim, fazer tomadas de decisão responsáveis”, indica.

E estar à frente do Projeto Pleno tem tido efeitos positivos para Dayana também. “É um aprendizado muito grande. Tanto pelo produto em si, das habilidades socioemocionais que se aprofundam em você, aprender a lidar com diversidade, como ir percebendo como isso pode contribuir com a vida das crianças desde o início da formação delas. Aprendi também muito sobre gestão por causa da autonomia no projeto, traço da cultura da Arco, e conseguir construir algo relevante. É um prazer fazer parte dessa transformação.”

“Para quem tiver interesse em conhecer mais sobre competências e habilidades socioemocionais, gostaria de recomendar o livro ‘Mindset’ da Carol Dweck. E para quem quiser também conhecer uma excelente leitura sobre liderança feminina, recomendo o livro ‘How Remarkable Women Lead da Joanna Barsh'”, finaliza Dayana.

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