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passo para trás "Dê um passo para trás, se for necessário", aconselha o executivo Henrique Bosco

“Dê um passo para trás, se for necessário”, aconselha o executivo Henrique Bosco

Por Tatyane Mendes

Palestrante e executivo da área de marketing, Henrique Bosco compartilha sua trajetória profissional e explica momentos em que foi necessário dar um passo para trás e o impacto deles no seu desenvolvimento.

Quando se trata de planos de carreira, às vezes é necessário dar um passo para trás e reavaliar a trajetória escolhida, de acordo com o palestrante e executivo da área de vendas e marketing Henrique Bosco. Ele aponta que muitas vezes parece um desmérito dar um passo para trás, mas às vezes é a medida necessária para um desenvolvimento profissional maior.

“A pessoa inteligente é aquela que aprende com os próprios erros. Já o sábio olha para o erro dos outros, observa e absorve um amadurecimento. Ele não depende só dos próprios erros. Na minha história, eu tive alguns casos em que eu tive que dar um passo para trás, que me marcaram bastante e foram importantes para o meu crescimento”, relata. Ele compartilha as experiências e como elas moldaram seu caminho profissional.

O primeiro passo “para trás”

A primeira situação ocorreu quando Henrique tinha 27 anos. Ele trabalhava em uma empresa que oferecia uma salário fixo baixo, mas com possibilidade de faturamento por produção. “Com dois meses, eu ganhava o mesmo comissionamento que gerentes e vendedores que já estavam há anos na empresa. Com seis meses, já faturava mais do que todos os gerentes. Teve um mês que ganhei mais do que todos os gerentes juntos e até que o dono da empresa, em termos de salário”, relembra.

 

 

 

 

Apesar de bom o desempenho de Henrique colaborar para o crescimento da empresa, seu alto faturamento foi visto como um problema. “O presidente da me chamou e disse que eu estava ganhando mais dinheiro todos da empresa. Inclusive os amigos do executivo, que o ajudaram a fundar a empresa. Me senti penalizado por estar produzindo muito. Eles reduziram a porcentagem da minha comissão e eu comecei a ganhar menos. Foi um passo para trás”, aponta.

Henrique recorda que, a partir desse momento, sua produtividade diminuiu. “Fiquei desinteressado porque fui desmotivado a fazer meu trabalho. Comecei a olhar para outras empresas e surgiu uma que oferecia 30% do que eu ganhava quando o comissionamento era mais forte e em um cargo mais baixo. Só que foi um momento de dar um passo para trás e começar em outro segmento. Não foi uma perda de status, foi me restabelecer em um setor que eu estava afastado e que eu tinha uma possibilidade muito grande de me desenvolver”, pondera.

A história se repete

O executivo afirma que, de fato, ele conseguiu se desenvolver mais no novo emprego. Já em um outro trabalho, aos 32 anos, uma situação similar à primeira voltou a ocorrer com Henrique. “Eu aumentei o faturamento da empresa em dez vezes em três anos, também em um modelo comissionado. No terceiro ano, eu comecei a ganhar mais que os acionistas e o presidente. Um dia, enquanto eu estava em uma viagem a trabalho, eu recebo uma ligação do financeiro avisando que meu salário não ia cair e quando eu voltasse para a empresa deveria sentar com eles para conversar”, recorda.

Preocupado com a situação, Henrique questionou o que estava acontecendo e a empresa respondeu (assim como a anterior) que o faturamento do executivo estava muito elevado. “Quando eu voltei, eles me disseram que estavam incomodados com essa questão e que era preciso reavaliar o modelo. Tiraram 50% do meu salário. Minha frustração foi de que eu e a minha equipe entregávamos tudo era combinado. Percebi que para crescer na empresa, precisaria virar sócio e eu não queria isso. Tive que dar mais um passo para trás e reavaliar minhas opções”, conta.

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Ele então decidiu, novamente, deixar a empresa e começar uma nova jornada. “Comecei no meu trabalho atual ganhando 40% a menos. Dei outro passo para trás hierarquicamente também. Contudo, eu tinha certeza que nos próximos passos que eu desse na empresa, eu cresceria novamente. E foi o que aconteceu. Demorou um ou dois anos, mas eu não tive a impaciência de querer que fosse para ontem. Quando a gente se prende ao tem que ser, gastamos muita energia buscando isso e pouca energia no que somos bons. Acreditar em si mesmo ajuda no processo de recomeçar, sem ter medo”, analisa.

Henrique finaliza afirmando que às vezes o próprio ego impede profissionais de darem um passo para trás. “Achamos que dar um passo para trás é desmérito, mas não é. É uma bobagem pensar assim porque a vida é nossa. Somos nós que estamos construindo e ninguém melhor que a gente para saber o caminho que devemos construir. Temos que acreditar. Não é fácil. Precisei ir na psicóloga trabalhar meus sentimentos, mas precisamos lidar com essas sensações, o que é um dos maiores desafios de dar um passo para trás”.

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