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O que os chineses podem ensinar sobre produtividade

Por Leticia Moraes

O uso constante de novas tecnologias, a busca pela melhoria contínua e a facilidade em seguir padrões podem explicar a alta produtividade do país. Confira os principais aprendizados sobre trabalho de um brasileiro na China.

A produtividade é um dos fatores que mais influenciam o desenvolvimento econômico de qualquer país ao longo do tempo.

Se compararmos os números do Brasil com os de nações desenvolvidas e emergentes de renda similar, podemos observar que nesse quesito, estamos ficando para trás.

Nosso nível de produtividade é bastante baixo.

 

 

Estudos mostram que desde 1980, a produtividade proporcionada por novas tecnologias cresceu menos de 15%, sinalizando que inovamos pouco e demoramos para absorver o conhecimento já aplicado em outros lugares.

Do outro lado das estatísticas, está a China.

O país vem trabalhando para tomar o posto de maior economia do mundo e as contas feitas pelo FMI a colocam no topo em 2030. Estima-se que o crescimento médio anual será de 6%, contra 2% dos Estados Unidos.

Isso significa que para alcançar esse objetivo, além dos avanços tecnológicos e investimentos em infraestrutura, a China precisa manter uma alta produtividade.

O que será que podemos aprender com eles?

O que os chineses podem ensinar sobre produtividade? A experiência de um brasileiro na China

O Gerente de Projetos de Manufatura Digital da Bekaert, Caio Rezende, visita a China com frequência.

Ele é responsável por implementar soluções digitais que facilitem a vida dos operadores e supervisores de produção de quatro plantas ao redor do mundo: China, Estados Unidos, República Tcheca e Turquia.

Seu objetivo é conseguir aumentar a produtividade das máquinas, seja instalando sensores ou implantando novos aplicativos.

Todas as soluções são propostas a partir dos problemas e principais desafios mencionados pelos funcionários.

Ou seja: para chegar até as ideias de melhorias, Caio precisou conversar e se aproximar bastante do dia a dia de cada uma das fábricas.

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Especificamente na China, ele diz que o seu maior choque cultural foi ver de perto a maneira como eles medem a produção, principalmente comparando-a com os outros lugares que visitou:

“No Brasil, controlamos a produção no chão de fábrica através do desempenho dos times. Qual foi a produção do turno? Na Europa, se fala muito em qual foi a produção do grupo de máquinas A e B… Na China, não é nada disso. O controle é individual. Eles controlam a produção de cada funcionário e expõem isso.”

Além de saber exatamente o que cada profissional fez, Caio explica que todas as informações de produtividade ficam expostas para quem quiser ver:

“Você chega na fábrica e tem um quadro de produção por pessoa. É possível visualizar quem bateu e quem não bateu a meta do dia. Isso fica muito explícito”, conta.

Caio Rezende / Acervo pessoal
Caio Rezende / Acervo pessoal

“Eles seguem regras como ninguém!”

Durante as suas visitas no chão de fábrica na China, Caio também diz que ficou impressionado em como os chineses seguem padrões sem nenhum desvio e são extremamente hierárquicos.

“Você tem a certeza que estão seguindo todos os padrões que foram especificados. Se eu comparar com o meu projeto nos Estados Unidos, por exemplo, é muito diferente! Lá o operador te contesta, acha que você está errado e não vai seguir o que for pedido.”

Para Caio, o fato de seguirem todas as padronizações e processos à risca, é uma das explicações para a produtividade chinesa ser tão alta.

Outro ponto forte é a cultura de melhoria contínua, principalmente, no que diz respeito à modernização de máquinas e equipamentos.

“O acesso deles a novas tecnologias é muito fácil, porque o custo é baixo… Faz 3 anos que vou na China e toda vez vejo algo novo, uma tecnologia diferente”, explica.

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“American Factory”

O primeiro documentário da produtora de Michelle e Barack Obama, “American Factory”, é uma ótima pedida para quem quer ver a maneira de trabalho chinesa na prática.

Ele mostra o que acontece na cidade de Ohio, nos EUA, quando um milionário chinês abre uma fábrica de vidros para automóveis e contrata cerca de 2000 americanos.

O choque cultural entre as duas culturas fica evidente e a alta produtividade dos empregados chineses também!

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