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Indicadores de produtividade: como utilizar para alavancar resultados (das pessoas e do negócio)

Por Tatyane Mendes

Anualmente, o Brasil perde R$ 230 milhões por improdutividade empresarial. Uma estratégia para driblar esse problema é adotar indicadores de produtividade, tanto para o desempenho dos funcionários como do negócio. Confira como usar a ferramenta

Cerca de 230 milhões de reais por ano é o valor que as 500 maiores empresas brasileiras deixam de ganhar por falta de produtividade em suas atividades, segundo pesquisa da startup Levee. Seja focado no desempenho da empresa ou dos profissionais de forma particular, adotar indicadores de produtividade é uma das estratégicas recomendadas por especialistas para mensurar os resultados de maneira eficazes. Porém, cada negócio deve adaptar suas particularidades aos indicadores sugeridos.

Por que usar indicadores de produtividade?

O master coach da Febracis Henrique Gondin defende que os indicadores de produtividade ajudam a demonstrar como anda o desempenho, tanto da empresa, como de profissionais. “A partir disso, o líder consegue fazer adaptações na sua forma de liderar e se relacionar para ter funcionários cada vez mais engajados e focados em alcançar a missão da empresa. Os líderes e colaboradores também precisam ter suas próprias metas pessoais, levando em consideração não só o trabalho, mas também a vida pessoal. Tudo precisa estar alinhado. Além disso, as metas precisam ser específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais”, exemplifica.

O professor de economia do Ibmec, Gino Terentim Junior debate que os indicadores de produtividade são importantes mas também podem ser perigosos. “Porque eles vão determinar o comportamento das pessoas, com base no que a empresa escolher avaliar. Se eu trabalho em uma função em que preciso seguir constantemente um check list, por exemplo, a produtividade é um fator importante, mas não deve ser o único. É preciso levar em conta também a qualidade, a cooperação dentro do ambiente de trabalho e a satisfação dos clientes, que podem sair prejudicadas com um foco intenso em ser produtivo. É preciso avaliar os impactos dos indicadores para definir que tipo de comportamento a empresa quer incentivar”, pondera.

6 indicadores e como implementá-los

#1 Dinheiro:

Para Henrique Gondin, a primeira coisa que o empreendedor deve prestar atenção é no lucro. “E não é só quanto ele faturou, o quanto vende ou qual é o nível de crescimento da empresa. Tem que observar como está a lucratividade, a receita e as despesas. Esses são fatores que vão mostrar como está a saúde financeira da empresa. É uma das coisas mais importantes para quem está a frente de um negócio”, garante.

#2 Produção e recursos:

Gino Terentim Junior, aponta que um dos indicadores de produtividade mais utilizados ainda é o baseado no volume. “Quantidade de horas trabalhadas, peças produzidas ou processos analisados, por exemplo. Ou seja, o volume de produção”, define. Um dos motivos é pela facilidade de mensurar esses fatores.

Henrique complementa salientando a relação entre a produção no negócio e a utilização de seus recursos. “Os meus colaboradores estão fazendo entregas de forma que eu possa entregar meu produto no tempo certo? Eu estou conseguindo entregar o que foi prometido? São perguntas que devem ser feitas na hora de avaliar a produtividade. Não adianta ter muitos funcionários e eles não produzirem, porque senão esta contração está “roubando” dinheiro da empresa pela improdutividade”, aponta.

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#3 Efetividade:

Gino também cita que a precisão em processos e análises é outro indicador de produtividade relevante. “Isso pode ser observado em respostas a problemas também. Nas organizações, sempre falamos de resolução de problemas, nem sempre do ponto de vista negativo da questão. Todos os colaboradores de alguma empresa enfrentam desafios. Esse é um bom indicador para atividades que lidam com análise, onde não existe uma resposta pronta mas sim várias boas práticas, como é o caso de médicos”, exemplifica.

O professor pondera que avaliar esse tipo de profissional com a capacidade de produção, por exemplo, seria um problema. “Porque esses colaboradores vão atender o mais rápido possível, para ter um número alto de tarefas realizadas, mas isso vai comprometer a qualidade do serviço. Isso ocorre também com profissionais muito especializados em suas áreas de atuação”, esclarece.

#4 Turnover – rotatividade de colaboradores:

Henrique define o termo como a saída e entrada de funcionários de uma empresa, movimento normal dentro de um certo patamar. “O turnover é um indicador de produtividade que deve ser olhado com muita clareza. Quando você vai fazer alguma mudança dentro da empresa, principalmente se for na cultura, os funcionários que já estão acostumados com aquela dinâmica podem se incomodar por estarem saindo de suas zonas de conforto. Esse é um cenário que deve ser considerado durante uma avaliação dos índices de turnover“, ressalta.

#5 Ticket médio:

O conceito se refere a um indicador de performance de vendas, baseado no valor gasto em um compra. Pode ser calculado dividindo o valor total gasto nas vendas pelo número de vendas. “Então, qual é o valor médio do que a pessoa está vendendo e qual é a esteira de produtos que ela oferece? É interessante que a empresa possua itens gratuitos, como conteúdos abertos ao público, para atrair a atenção de potenciais clientes. Além disso, oferecer produtos com vários preços, desde os gratuitos até o premium”, avalia Henrique.

#6 Conversão de leads em clientes:

É essencial que as empresas mantenham uma forte presença nas redes sociais para gerar leads, que significa captar potenciais clientes para um negócio, de acordo com o coach. “Alguns negócios vão se sair melhor em determinadas plataformas, mas é preciso ter essa presença online para gerar interesse no produto e, possivelmente, fechar uma venda. Esse funil de vendas é um importante indicador de produtividade e conversão de clientes porque mostram como a empresa está crescendo, que tipo de cliente está captando e se isso está alinhado com o plano estratégico da empresa”, opina.

Quais são as ressalvas?

Gino elucida que quando uma empresa trabalha com problemas que nunca foram resolvidos antes, pode ser uma desvantagem usar a produtividade como parâmetro. “Não existe uma melhor prática definida, o problema é sempre novo e a solução também. Eu tenho alguma previsibilidade, mas não ao longo prazo. Nesse caso, não adianta também utilizar a efetividade porque senão eu perco o aprendizado e a criatividade. Para equipes que trabalham com desafios de inovação se manterem adaptáveis, úteis e com alta performance, elas dependem da capacidade de aprender com os erros”, observa.

Em ambientes caóticos, onde não há previsibilidade, não é possível medir produtividade, mas sim cuidar para não usar o indicador errado. “Os eventos são sempre inéditos então as respostas que deram certo ou errado não trazem aprendizados para o futuro. Porque o fato de algo ter ido bem, não significa que na próxima vez sairá também”.

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