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Conheça os cursos mais concorridos do Brasil (e os menos também!)

Por Tatyane Mendes

O nível de competitividade dos processos seletivos pode ser um fator decisivo na hora de escolher um curso superior. Pensando nisso, o Na Prática trouxe alguns insights sobre como a concorrência dos cursos reflete o mercado de trabalho.

Escolher um curso superior é uma etapa importante da carreira de muitos profissionais. Diversos fatores podem influenciar nessa decisão, inclusive o nível de competitividade dos processos seletivos e a nota necessária para passar. Cada vez mais os jovens buscam conhecer quais são os cursos mais concorridos e os menos também para apoiar suas escolhas.

Pensando nisso, o Na Prática trouxe alguns levantamentos com esses dados e insights sobre como essas preferências refletem as percepções sobre o mercado de trabalho.

Os cursos mais concorridos

Seja analisando processos seletivos pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou de universidades particulares, alguns cursos sempre aparecerem na lista de mais procurados. Medicina, direito, engenharias, administração e ciências biomédicas estão entre os cursos mais concorridos nos últimos anos, tanto analisando o número de inscritos como a relação entre quantidade de candidatos e vagas disponíveis.

Programa de contratação

De acordo com o Ministério da Educação, a primeira edição do Sisu de 2020 contou com 274.190 pessoas inscritas no curso de medicina, o mais procurado dentre os disponíveis. Em segundo e terceiro lugar dos cursos mais concorridos, respectivamente, aparecem administração com 190.454 candidatos e direito com 175.413 inscritos. O vestibular da Fuvest mostra uma tendência similar. Medicina, direito, engenharia e economia tiveram o maior número de candidatos inscritos. Na relação entre candidato e vaga, além dos citados acima, aparecerem psicologia, relações internacionais, audiovisual e ciências biomédicas.

Gerente pedagógica do Stoodi, cursinho pré-vestibular online, Rita André aponta que os dados da plataforma também indicam as mesmas preferências entre os vestibulandos. “Na minha percepção, existem dois grandes motivos para esses serem cursos mais concorridos. O primeiro é que são cursos bem ligados a sonhos de criança, aquela fantasia do que ser quando crescer. O segundo é que são cursos ligados à um ascensão social, fora a questão da credibilidade que essas profissões possuem dentro do mercado de trabalho e dessa perspectiva de melhorar de vida”, observa.

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Para Rita, os cursos mais concorridos também representam profissões que terão espaço dentro do mercado de trabalho do futuro, ainda que de forma diferente da atual. “Quando você fala de um médico, por exemplo, ele vai continuar existindo daqui 30 anos. A maneira como ele atua pode ser diferente, mas a profissão em si permanece. O mesmo acontece com as outras. Outro fator é que são profissões com uma diversidade grande em termos de possibilidade de atuação. Os profissionais não ficam restritos a apenas uma maneira de exercer seu trabalho”, pondera.

Os jovens têm se preocupado em escolher profissões com uma probabilidade menor de serem extintas, conforme observa Rita. “O que eles procuram são uma certa estabilidade, ascensão social e diferentes possibilidades de atuação. Eles querem uma base sólida, mas que também os permitam migrar para outras funções. Um exemplo disso são médicos que atuam na área administrativa ou engenheiros que são gerentes de projetos. Essas áreas estão entre os cursos mais concorridos porque você tem um leque de opções e consequentemente consegue transitar tranquilamente por diversas frentes. São opções mais generalistas para evitar que eles sejam limitados no futuro pelas mudanças no mercado”.

E os menos concorridos?

Na contramão dos cursos mais concorridos, as áreas de letras e licenciatura têm passado por uma brusca queda na procura. Rita observa inclusive que existem estatísticas que mostram que os aprovados nesses cursos costumam ter os piores resultados do Enem, justamente pela falta de concorrência. “Quem opta por esses cursos acabam sendo candidatos buscando por uma garantia de vaga. Mesmo que estejam interessados nessas áreas, os estudantes optam por outros cursos relacionados para não correr o risco de ficarem sem emprego”, ressalta.

Além disso, a gerente percebe que existe um desinteresse crescente na profissão de docente. “As pessoas entram nos cursos pensando em atuar em outras áreas. Dar aula acaba sendo um plano B. Isso diz muito sobre a desvalorização da profissão no mercado, como os baixos salários. A docência de certa forma acaba sendo mais restrita na atuação, o que vai contra o que esses jovens buscam, em termos de a possibilidade de lidar com várias frentes”, finaliza.

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