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Cultura tóxica de empresa

Como identificar uma cultura tóxica antes de começar a trabalhar em uma empresa

Por Suria Barbosa

Especialistas explicam quais sinais que o candidato deve procurar (e como investigar) para identificar uma cultura tóxica – ou que não combina com seu estilo de trabalho – antes de entrar na organização.

Em uma época em que as startups estão se multiplicando e seus valores e práticas diferenciados se popularizando, a “cultura empresarial” é um assunto frequente e uma preocupação de quem procura emprego – principalmente jovens. Uma pesquisa realizada por uma plataforma de emprego revelou que 58% dos graduandos aceitaria um corte de até 15% no salário para trabalhar com uma companhia com “bons valores e cultura, liderança e comunicação”.

Com o atual interesse nesse quesito, as empresas se esforçam para disseminar sua cultura. No entanto, nada garante que o que é divulgado condiz com a realidade – e é aí que mora o grande problema de quem leva esse quesito bastante em conta na hora de escolher um emprego. 

Por isso, a Fast Company compilou algumas dicas para detectar uma cultura tóxica – ou que simplesmente não se encaixa com você – antes de se juntar a qualquer organização.

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Olhe além dos “mimos”

Uma armadilha que conquista muitos candidatos são privilégios superficiais como mesas de pingue-pongue, sala de descanso e lanches grátis, sempre disponíveis. 

“Muitas pessoas consideram os ‘mimos’ como sendo a cultura. Eles são só coisas”, diz Piyush Patel, fundador da plataforma de treinamento online Digital-Tutors (hoje, PluralSight). 

Investigue um pouco durante a entrevista

Piyush diz que os candidatos devem procurar algumas “pistas” sutis durante a tour inicial pelo ambiente de trabalho. Ele aponta a importância de perceber se o layout do ambiente – aberto e sem divisões, por exemplo – é adequado ao que precisa para trabalhar da melhor forma.

Outro ponto a se atentar é como os funcionários interagem entre si: se o tom parece sério e rígido (o que pode, inclusive, indicar uma cultura tóxico), ou mais casual – e também avaliar como se encaixaria naquele contexto.

Menos evidente, Piyush diz que é preciso também prestar atenção ao som das vozes das pessoas – estão em feliz? animadas? em pânico? com medo? – e também no cheiro. Para ele, ter que comer na mesa de trabalho é sinal de um “problema de liderança”.

“Eu uso isso como um teste decisivo sobre minha própria liderança, porque se as pessoas estão comendo em suas mesas, ou não temos um plano bom ou estamos lutando quando deveríamos estar escalando.”

Cheque os banheiros

Ainda mais inusitada é a dica de Piyush sobre a importância dos banheiros nessa investigação. Segundo ele, o nível de cuidado que os funcionários têm com o banheiro – ambiente que todos dividem – pode ser um dos indícios de uma cultura tóxica.

“Se a pessoa com quem você confia para trabalhar ao seu lado todos os dias não se importou o suficiente com você para simplesmente trocar o papel higiênico, o que isso diz sobre como trabalhamos juntos?”

Preste atenção no andamento do processo seletivo

Enquanto algumas organizações gastam tempo e energia para avaliar cuidadosamente cada candidato, outras parecem acelerar o processo. “Se alguém te contrata muito rápido, eles estão apenas usando um corpo para preencher um papel”, diz Aaron Harvey, cofundador da agência digital Ready Set Rocket, que já ganhou prêmio de “melhor lugar para trabalhar”.

Se uma seleção “apressada” reflete mal na companhia, Aaron considera que uma muito demorada é tão ruim quanto.

Pergunte coisas difíceis

Como alguém que supervisiona a contratação de sua empresa, Aaron diz que aprecia quando os candidatos fazem perguntas realmente difíceis sobre sua cultura e valores. E considera que é um jeito eficiente de identificar uma possível cultura tóxica. Principalmente, questões específicas que exigem explicação de como a companhia realmente “vive os valores” no cotidiano.

Ele sugere alguns exemplos:

  • Quanto do seu negócio está concentrado em algumas contas ou clientes importantes?
  • Você pode descrever a última vez que a empresa correu atrás de uma nova ideia audaciosa?
  • Quando foi a última vez que algo prejudicial aconteceu – como perder um grande cliente ou uma rodada de demissões – e como a administração lidou com isso?
  • Saúde mental é um tópico aberto nesta empresa?
  • Quando terei a palavra final sobre meu trabalho e o que precisa da aprovação de um superior?
  • Como sua abordagem evoluiu nos últimos anos e como você implementou essas mudanças?

Harvey acrescenta que os candidatos também devem fazer perguntas específicas sobre o fluxo de trabalho da empresa para ter uma noção de onde há espaço para experimentação e inovação, e quais processos estão sujeitos à regras ou burocracia.

Considere pontos diferentes dependendo do tamanho da empresa

De acordo com uma pesquisa conduzida pela consultoria focada em cultura e valores Great Place to Work, os funcionários têm sucesso por razões diferentes, com base no tamanho da instituição.

“Uma atmosfera amigável é extremamente importante em uma pequena empresa, e à medida que aumenta, ser amigável ainda é um fator, mas ainda mais importante é a capacidade [de um indivíduo] de fazer a diferença”, explica a vice-presidente executiva de certificação e parcerias na Great Place to Work, Kim Peters.

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Kim recomenda que os candidatos a posições em empresas menores façam perguntas específicas sobre a atmosfera do local de trabalho. “O que você precisa procurar na resposta são aspectos que mostram como os funcionários se preocupam uns com os outros, como os gerentes se preocupam com sua equipe, se o CEO ou proprietário é comunicativo”, exemplifica ela.

Candidatos a cargos em organizações maiores, por outro lado, devem fazer perguntas aos entrevistadores sobre o impacto que os funcionários podem ter na direção geral da empresa, e onde eles teriam chance de realmente fazer a diferença.

Confie no seu instinto

Por fim, Piyush, Aaron e Kim concordam que não há melhor indicador de potencial ajuste entre o candidato e a cultura – ou, até, uma cultura tóxica – da empresa do que os instintos.

“Se seus instintos de sobrevivência estão dizendo ‘isso não é bom, eu não deveria estar aqui’, eu ouviria”, diz Piyush. “Seu segundo cérebro é seu instinto. Se você entrar e não tiver um bom pressentimento, provavelmente não vai melhorar”.

 

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