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como arrumar um emprego na pandemia

Como arrumar um emprego durante ou depois da pandemia?

Por Tatyane Mendes

A pandemia do coronavírus trouxe um alto índice de desemprego e aumentou ainda mais a competitividade para que busca recolocação. Recrutadores e gestores compartilham dicas de como encontrar uma oportunidade no novo cenário.

Aproximadamente 3 milhões de brasileiros perderam o emprego por conta da pandemia do coronavírus, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego no Brasil chegou a 13,3%, afetando 12,9 milhões de pessoas. Por conta desse cenário, o mercado está cada vez mais competitivo com um alto número de profissionais tentando entender como arrumar um emprego e muitas vagas congeladas simultaneamente.

Para ajudar quem está em busca de recolocação, o Na Prática convidou recrutadores e gestores para compartilhar dicas e insights sobre que habilidades e diferenciais os profissionais devem ter para se destacarem em processos seletivos e como conquistar a sonhada vaga em meio à recessão do mercado.

Como arrumar um emprego durante a pandemia?

Consultora de recursos humanos e headhunter da SOMA Desenvolvimento Humano, Rose Mary Barbosa observa que, independente da pandemia, os profissionais já eram cobrados por diversas competências técnicas e comportamentais e atualização constante. “Agora, além disso tudo, o profissional terá que ser ainda mais inovador, criativo e resiliente para superar os obstáculos que apareceram na pandemia. Quem procura uma recolocação deve estar antenado às novas formas de buscar emprego ou de ter um alto nível de empregabilidade. A tecnologia é uma grande aliada nessa busca”, indica.

Setores voltados para a tecnologia da informação, logística, serviços financeiros, gestão de pessoas, saúde, alimentação, turismo e educação à distância são segmentos que devem trazer mais oportunidades para quem quer arrumar um emprego. Rose acrescenta que, inicialmente, a grande maioria das empresas começarão a buscar profissionais operacionais, com cargos até nível de analistas, ou seja, início de carreira.

“Mas apenas no início imediato ao pós-pandemia. Posteriormente, certamente terão cargos demandados com nível mais estratégicos e/ou especialistas. Contudo, existem situações em que profissionais seniores serão demandados para áreas fins que foram afetadas com a pandemia e que comprometem a empresa. Ao mesmo tempo, os juniores terão uma demanda para entender novas áreas e atuações, principalmente em áreas onde faltam especialistas”, analisa.

Esse também é um excelente momento para realizar uma transição de carreira e arrumar um emprego em uma nova profissão. “Em situações de crise, nos reinventamos e a criatividade fica mais aguçada. É o momento de se autoconhecer, saber suas potencialidades para crescer ou mudar de carreira. Vale uma consulta a profissionais especializados para aconselhamento. É preciso ter um mínimo de planejamento e de propósito. Recomendo avaliar o momento de vida, competências, investimento necessário na mudança e, principalmente, o prazer de se fazer o que se está propondo”, indica.

Um novo mundo colaborativo

Especialista em empreendedorismo e CEO do grupo 365, Flavio Hideo acredita que esse é o momento propício para se reinventar e investir em novos aprendizados, buscando capacitação para as demandas do mercado de trabalho. “Existem muitas oportunidades dentro do mundo digital, que ainda deve continuar crescendo. Então, buscar novos conhecimentos para atuar nesse segmento e saber lidar com suas transformações é um diferencial. Se você está em casa, busque desenvolver novas habilidades. Não fique parado esperando uma oportunidade. Prepare-se”, sugere.

Com um mercado enxuto, que fez inclusive com profissionais de alta qualidade perdessem seus empregos, Flavio opina que aqueles que quiserem arrumar um emprego precisarão ser cada vez mais especialistas dentro de suas áreas de atuação. “As habilidades precisarão ser cada vez mais especializadas. Por outro lado, características pessoais serão importantes também para se recolocar no mercado. Pessoas que são mais flexíveis, colaborativas, que vestem a camisa e buscam resultados vão ser os preferidos”, aponta.

Leia também: Possível geração perdida? A preocupação com o futuro dos jovens no mercado de trabalho pós-pandemia

De forma complementar, o especialista que acredita que o relacionamento entre colaborador e líder vai se tornar mais uma parceira, com os dois trabalhando juntos para superar a crise. “Então, entre com o espírito de querer soma à empresa e não enxergar aquela oportunidade como uma forma apenas de sobrevivência. Se envolva e participe porque os empresários precisam muito disso nesse momento e vão buscar profissionais que ajudem nesse sentido. Acredito que o processo de meritocracia vai aumentar nas organizações e essas questões contribuem com o crescimento do profissional. Além disso, o equilíbrio emocional com certeza será algo muito valorizado, depois desse momento que desestabilizou muita gente”, prevê.

Mas o empreendedor também vê que existe espaço para profissionais em início de carreira, principalmente em empresas de pequeno e médio porte. “Acredito que haverá oportunidades para todos os lados. Quem quer arrumar um emprego, precisa agarrar essa chance e não soltar mais. Um bom currículo e histórico de experiência conta muito. Mas o lado pessoal, o profissional que mostra que está lá para colaborar e ajudar a empresa a crescer, vai ser muito importante. Uma boa conversa, uma boa história e uma vontade de fazer mudanças e fazer acontecer é um grande diferencial para mim na hora de contratar”, revela.

Como se destacar em relação à concorrência

Se antes da pandemia as habilidades socioemocionais (ou as famosas soft skills) eram um grande diferencial para quem quer arrumar um emprego, no período pós-pandemia os especialistas afirmam que elas serão indispensáveis. Rose Mary opina que o que realmente destaca os profissionais é a forma como eles se comportam. Além, das habilidades comportamentais mais comuns (como trabalhar em equipe, ter empatia, engajamento, comprometimento, relacionamento interpessoal e comunicação), a recrutadora aponta 10 outras competências que estão no radar e são buscadas pelas organizações:

  • Autoconhecimento
  • Autogestão
  • Adaptabilidade proativa
  • Resiliência evolutiva
  • Liderança por propósitos
  • Criatividade (ou cocriação)
  • Emparia multifocal
  • Agilidade e cultura digital
  • Capacidade de solucionar problemas complexos
  • Recapacitação

Ainda, Rose analisa que os processos seletivos devem mudar pós pandemia, se tornando mais ágeis e utilizando mais ferramentas digitais e inteligência artificial. “Os processos seletivos serão mais focados no perfil comportamental, levando em consideração as potencialidades da pessoa como um todo. O que os recrutadores mais querem saber é se a pessoa tem habilidade para atuar em um time, em trabalhos sob demanda, em projetos com atuação independe e ter liderança. O candidato hoje é mais protagonista do processo seletivo. Ele tem atuação mais presente e há etapas de troca, onde se conhece muito mais a pessoa”, pondera.

Ela ainda opina que acredita que as empresas devem adotar modelos mais híbridos de seleção, não se atendo nem totalmente ao digital, nem ao presencial.

Check-list para arrumar um emprego no cenário atual

Com mais de 20 anos de experiência na área de recrutamento, Rose Mary Barbosa indica algumas ações e estratégias que podem ajudar candidatos em busca de recolocação a arrumar um emprego no novo contexto.

#1 Desenvolva o autoconhecimento: Ela recomenda buscar ajuda profissionais ou consultorias no setor para ajudar o profissionais a identificar forças e fraquezas e onde melhor aplicar seu potencial, ajudando-o assim a melhorar sua performance;

#2 Amplie seus conhecimentos: Rose indica buscar oportunidades online para aprofundar suas expertises e conseguir aumentar o leque de oportunidades dentro de vagas de emprego. Ela afirma que esse processo pode ser feito com cursos, treinamentos, palestras, lives, workshops, webinars ou até uma pós-graduação;

#3 Potencialize o seu LinkedIn: A headhunter aponta que o LinkedIn atualmente é a maior rede social voltada para o mercado de trabalho e uma grande fonte de busca por profissionais por empresas e recrutadores. Portanto, ela sugere trabalhar a plataforma aumentando o networking, publicando artigos próprios ou divulgando outros pertinentes à sua área de atuação, curtindo e comentando publicações interessantes e atualizando seu perfil. É importante que a página do profissional seja robusta e focada, utilizando as palavras-chaves certas voltadas para seu domínio de conhecimento e área de atuação. Além disso, ela aponta ser interessante seguir as empresas nas quais o candidato tenha interesse em trabalhar.

Leia também: Como usar o LinkedIn para conseguir emprego

#4 Envie currículos em várias plataformas: Atualmente existem diversos sites voltados para vagas de emprego que podem ajudar os profissionais a arrumar uma nova posição. Não fique restrito à apenas uma plataforma. Explorar o LinkedIn, grupos de emprego, sites das empresas onde deseja trabalhar, Instagram, Facebook, Whatsapp, plataformas de vagas e e-mails de divulgação de vagas. Deixe o currículo claro, sucinto e atrativo. Mas faça um envio direcionado e não atire para todos os lados. Invista pelo menos 4 horas diárias na curadoria de oportunidades.

#5 Treine apresentação pessoal e profissional por vídeo: Com o isolamento social, a maioria das empresas passou a adotar o modelo de entrevistas online. Portanto, o candidato precisa dominar ferramentas e instrumentos para conseguir se sair bem por videoconferência e se apresentar de forma eficaz. Nesse sentido, Rose também recomenda que, na medida do possível, as pessoas invistam em uma boa internet para não terem problemas com processos seletivos online.

Mas ela afirma que o comportamento esperado em uma entrevista virtual é o mesmo do presencial. Contudo, cuidados adicionais com a tecnologia, como checar imagem, som e o ambiente, são necessários. Em entrevistas online, ela recomenda pontualidade, postura profissional, ser verdadeiro, autoconfiante, controlar a ansiedade e olhar nos olhos do entrevistador, além de pesquisar antes sobre a empresa e entender a cultura organizacional.

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