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Como contar sua história de forma instigante em uma entrevista de emprego?

Por Ana Pinho e Rafael Carvalho

Gabriel Vinholi explica como elementos de storytelling e técnicas narrativas podem te ajudar a se comunicar melhor com o recrutador e fazer a sua história ser lembrada

Todos, sem exceção, tem uma história para contar. E não importa se é alguém que se prepara para sua primeira entrevista de emprego ou se candidata a um cargo de alto nível executivo, a estrutura de uma boa apresentação pessoal é sempre a mesma.

Já ouviu falar em storytelling? A técnica, bastante utilizada no mundo da propaganda e do entretenimento, nada mais é do que a arte de contar boas histórias. E pode ser bastante útil em uma entrevista de emprego, principalmente se o objetivo é ser lembrado pelo recrutador entre dezenas de candidatos. 

Contar uma boa história não é sinônimo de inventar uma história. O que está em jogo aqui é o formato e a clareza do seu discurso. Para norteá-lo na construção da apresentação ideal, Gabriel Vinholi traz dicas e reflexões úteis para profissionais em qualquer momento da carreira. Ele é um dos responsáveis pelas metodologias dos cursos de carreira da Fundação Estudar, inclusive do recém-lançado Marketing Pessoal Na Prática, que explica como se destacar em processos seletivos e está com inscrições abertas até 17/9. 

Como fazer uma boa apresentação pessoal

Para Gabriel, quatro perguntas são essenciais na hora de montar o seu discurso para uma entrevista de emprego: 

1. Quem sou eu?

Uma frase famosa do filósofo americano John Dewey diz que nós não aprendemos a partir da experiência, mas sim quando refletimos sobre as experiências que vivemos. Isso é especialmente válido quando o objetivo é montar a sua apresentação pessoal. Afinal, antes de pensar em como contar a sua história, você precisa descobrir qual é a sua história.

Esse momento inicial exige uma reflexão mais profunda, e é importante olhar para dentro de si mesmo para identificar o que será o cerne da sua história. “O que você destaca em sua trajetória? O que faz muito sentido para você? O que quer reforçar que represente quem você é como profissional?”, exemplifica Gabriel.

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2. Para quem vou contar minha história?

Você dificilmente contaria uma história do mesmo jeito para sua melhor amiga, sua chefe ou seu avô. Instintivamente, o jeito que fala e transmite sua mensagem muda de uma pessoa para outra.

A mesma lógica se aplica ao entrevistador: é preciso reforçar o que você vai contar de acordo com quem você está falando e a oportunidade que aquela pessoa representa. Quem é seu público-alvo naquele momento?

Imagine que você participou da associação atlética durante sua faculdade. Se é uma vaga que lida com aspecto financeiro, você pode destacar experiências com fluxo de caixa e administração de finanças. Se for algo voltado para marketing e comunicação, pode resgatar seus aprendizados criando e divulgando eventos para milhares de pessoas. Não se trata de mudar toda a história, mas de ajustar os detalhes. 

Use números quando for possível: cifras e métricas ajudam sua história a ser mais marcante.

Leia também: Autoconhecimento: Tudo que você precisa saber para começar

3. O que me diferencia?

Muitos jovens têm experiências similares no papel: faculdade, estágio, intercâmbio, empresa júnior e por aí vai. Na prática, no entanto, são todas experiências únicas e naturalmente individuais.

Segundo Gabriel, o esforço aqui deve ser direcionado para buscar o que você fez de diferente em suas experiências. Como enfrentou um desafio ou mudou algum processo? Como buscou e aproveitou as oportunidades?

4. Minha história é congruente?

Uma boa apresentação pessoal também precisa de revisão, inclusive em termos de história. “Vemos muitos jovens que trazem pontos incongruentes em suas histórias”, fala Gabriel. “Dizem  que querem fazer algo mas nunca se envolveram com o tema e a primeira coisa que querem fazer na área é o emprego.”

As mensagens ambíguas que uma história incongruente transmite podem levar um recrutador a assumir que você está inventando aquele interesse na hora ou que não está seriamente interessado, por exemplo. Em resumo: caso sua apresentação pessoal contenha focos de interesse, garanta que eles encontrem respaldo no que você está falando.

Se você não encontra esse respaldo na sua história, nada de inventar. Em vez disso, corra atrás. O benefício é duplo: além de realmente se envolver com o que te interessa, seja através de cursos online ou trabalho voluntário em algum projeto ou organização, você ainda transmite uma mensagem mais clara ao entrevistador. 

Vale lembrar que existem diversos estilos de recrutadores e diversas técnicas de entrevistas, algumas bastante agressivas. Quando é esse o caso, o recrutador vai colocar em cheque as informações que você trouxer, cruzá-las e buscar inconsistências. Portanto, ter um discurso afinado e redondo, sem espaço para invenções, é essencial.

Na websérie abaixo, Gabriel Vinholi ensina como responder as perguntas mais comuns em entrevistas de emprego:

Outras dicas para uma boa apresentação pessoal

1. Conte uma história marcante

Após entrevistar uma dezena de jovens, é compreensível que entrevistadores estejam cansados. Boas histórias, no entanto, sempre chamam a atenção. 

“Colocar-se numa história sem apenas relatar seu currículo aumenta suas chances de ser lembrado”, explica Gabriel. “Uma história sempre traz uma ação: você fez isso, se envolveu com aquela atividade ou desenvolveu aquilo.”

Aqui um recurso de storytelling pode ser especialmente útil e trazer um elemento emocional que ajuda a reforçar sua história: a jornada do herói. O conceito, cunhado pelo filósofo Joseph Campbell, diz que toda história envolvente tem um elemento de superação, um desafio que foi vencido apesar das dificuldades.

Não se trata de deixar o seu discurso dramático e sentimental (aliás, passe longe disso!), mas sim de trazer situações reais em que você teve um bom desempenho. A ferramenta STAR, que explicamos nesse outro texto, ajuda a refletir sobre os seus desafios e os resultados na preparação para uma entrevista de emprego. O método é empregado em diversos processos seletivos, inclusive na seleção para o concorrido programa de bolsas de estudo da Fundação Estudar, chamado Líderes Estudar.

2. Traga elementos únicos

Para que sua apresentação realmente reflita quem você é, invista nela de maneira que não só sua trajetória, mas também seus valores, seu propósito e sua marca pessoal – que já estão naturalmente presentes em suas experiências e decisões – sejam compreendidos pelo recrutador.

Para a recrutadora Lara Galinsky, que escreveu um texto na Harvard Business Review sobre o assunto, é interessante trazer para a entrevista elementos anteriores ao início da sua vida profissional ou seja, anteriores ao primeiro empregou ou estágio.

“Os anos iniciais da sua vida são fundamentais para moldar seus valores e quem você realmente é. Seus interesses naturais, como você usou o seu tempo livre, as atividades e ideias que você tinha na infância e adolescência, tudo isso pode fornecer pistas sobre seu propósito. Sua história não começa com seu primeiro salário”, diz ela.

É preciso, claro, sentir o quanto a entrevista dá abertura para incluir esses elementos. Se for uma entrevista muito rápida, por exemplo, talvez não haja tempo. Porém, na maioria dos casos, trazer uma história que vai além do seu currículo conta pontos positivos e ajuda a criar um vínculo emocional com o recrutador.

“E se você usar suas primeiras influências para costurar a narrativa das suas experiências profissionais? E se você utilizar suas primeiras experiências para ilustrar o que realmente te motiva?”, provoca Galinsky.

3. Tenha versões de diferentes tamanhos

Outro ponto importante é o tempo, que pode variar de uma entrevista para outra. Por isso, Gabriel recomenda que se tenha pelo menos três durações diferentes na manga: uma de 1 minuto, uma de 5 e outra de 10. Vale lembrar que você não precisa decorar um bloco de texto imutável, apenas pontos importantes para não se sentir nervoso ou precisar improvisar sob pressão.

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