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Programa de Trainees Votorantim

Em tempos de crise, programas de trainee se tornam mais concorridos (e desejados!)

Por Ana Pinho e Rafael Carvalho

Enquanto muitas empresas suspenderam seus programas de trainee devido à crise econômica, outras resolveram que esse é o momento para investir em talentos; conversamos com profissionais da Votorantim, que está com o programa aberto, para entender as vantagens do trainee para os jovens

Tornar-se trainee é uma das opções mais cobiçadas na hora de entrar no mercado de trabalho. O programa, que é voltado para jovens recém-formados ou em vias de se formar, representa um investimento duplo: o trainee investe tempo e esforço, enquanto a empresa investe financeiramente em um treinamento pesado para esse profissional, para prepará-lo para assumir cargos de liderança e com a intenção de que ele permaneça a longo prazo na organização.

A Seja Trainee estima que sejam abertas três mil vagas do tipo ao longo de 2016. E a concorrência deve ser ainda mais acirrada que o normal, já que algumas empresas diminuíram o tamanho de seus programas – sempre bastante despendiosos – devido à crise econômica. Para outros, no entanto, esse é o momento certo para investir em talentos (o Santander, por exemplo, abriu esse ano a primeira turma de trainee desde 2009). 

Na Votorantim, por exemplo, que está com inscrições abertas até 22 de agosto e já formou cerca de 600 trainees, serão 13 vagas para 2017, divididas entre as três companhias: Votorantim Cimentos, Votorantim Energia e Votorantin SA. O número é mais restrito do que no ano anterior, que teve 31 vagas, o que já indica que o processo será concorrido. 

“Investimos porque acreditamos na assertividade da seleção de jovens com potencial por essa porta”, diz Manuela Landi Franco da Silva, analista de recursos humanos da Votorantim SA e que atua no processo seletivo. “O programa de trainee permite muita aprendizagem e isso se reflete em pessoas provocativas, que vão propor mudanças positivas à organização.”

Da mesma forma, os programas tornam-se ainda mais cobiçados pelos jovens, devido às vantagens que oferecem em relação às demais portas de entrada em uma empresa: aprendizagem acelerada, treinamento estruturado, rotação de funções, crescimento rápido e exposição frequente à alta liderança – além do salário, que costuma ficar acima da média do mercado para recém-formados.  

A possibilidade de aprendizagem acelerada e crescimento rápido dentro da empresa é um benefício dos programas de trainee. “Temos encontros trimestrais de formação com cursos e workshops de diversos assuntos tais como finanças, autoconhecimento, gestão do tempo, gestão de projetos, comunicação e inovação”, explica Manuela. A alocação de um mentor para cada trainee também entra como diferencial. Para Manuela, essa é uma forma de proporcionar um exercício de autoconhecimento para os jovens. 

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Dicas e Conselhos As etapas de um processo seletivo podem mudar de programa para programa, mas as dicas são sempre parecidas. Há itens básicos, como vestir roupas confortáveis para não ser surpreendido por dinâmicas em grupo, e a importância de pesquisar a fundo a empresa e o setor em questão para estar totalmente preparado na hora da entrevista.

A seleção, vale lembrar, é criteriosa e envolve os mais altos executivos. “São filtros rígidos de crenças, lógica, comportamento, competências, capacidade analítica, repertório, potencial e inteligência emocional”, diz Manuela. “Formar gente de casa é um indicador importantíssimo e acreditamos que ajuda na perpetuidade dos valores da organização.”

No longo prazo, a adequação a cultura e valores da empresa também é importante para quem contrata e para quem é contratado, e em um processo seletivo de trainee o olhar sobre esse aspecto da seleção é ainda mais apurado. Não surpreende, então, que o erro mais comum cometido na hora da seleção seja tentar se adequar a todo custo. “É fingir ser o que não é”, resume Manuela. “É muito importante que a pessoa aja da maneira mais natural possível. Queremos conhecê-la como ela é de fato e daí analisar se há matching ou não. Essa transparência garante justiça para o processo, para a pessoa e para a empresa.”

“Desde o processo seletivo vi na Votorantim um match de valores e cultura e, além disso, enxerguei nas pessoas da empresa um perfil muito parecido com o meu, o que me deixou confortável em assumir esse compromisso”, explica a trainee Nathalia Andrade Castro. 

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Cotidiano dos trainees Formada em administração pelo Insper, Nathalia ficou atraída pela visibilidade proporcionada por esse tipo de programa. Antes disso, já tinha feito estágio na consultoria FALCONI e na Nestlé, e também empreendeu com o Brechó da Vila, um comércio de roupas usadas em São Paulo. “Para quem acredita ser capaz de entregar resultados, é uma ótima oportunidade”, diz ela, hoje na Votorantim SA. “Além disso, a carreira de trainee tende a ser mais acelerada devido à exposição, à visão geral da empresa que você cria em pouco tempo e aos treinamentos.” 

A visibilidade começa cedo. No caso da engenheira Daniela Freitas Lage Santos, veio ainda no processo seletivo, num painel com o presidente da Votorantim Energia, onde trabalha hoje. “Todos eram muito bons e mostrar meu diferencial não foi fácil”, lembra. “Minha dica para interessados é conhecer seus pontos fortes e fracos, saber usá-los a seu favor – e ser autêntico. Se você se encaixar no perfil procurado, ser aprovado é inevitável.”

Trainees do Grupo Votorantim
[Trainees da Votorantim/divulgação]

Job rotation O sistema de rodízio de funções, o chamado job rotation (sobre o qual é possível saber mais aqui), existe na maior parte dos programas de trainee, e serve para que os jovens testem as águas e descubram no que se destacam, além de dar uma compreensão do negócio como um todo. No caso da Votorantim, são três rotações em um ano. Cada uma inclui a entrega de um projeto e o acompanhamento de um gestor, e as áreas são diferentes de acordo com as preferências de cada um.

Esse foi o ponto principal que fez Daniela optar pelo programa. “Eu escolhi o trainee pela oportunidade de uma formação mais completa como profissional, já que temos uma exposição à empresa como um todo, possibilitando uma visão macro e não apenas da área que irei atuar”, ela explica. 

“Logo que entramos, nossa área final está definida de acordo com nosso perfil”, complementa Nathalia. “As outras são decididas pelo seu gestor, de acordo com as habilidades que ele queira desenvolver em você e que sejam importantes para sua alocação final.”

Para recém-formados, o cenário dos últimos anos pode ser quase desesperador. Mas há oportunidades. “Eu me formei num dos piores momentos do Brasil”, resume a administradora. “Ter conseguido uma vaga de trainee é um sentimento não apenas de tranquilidade, mas também de orgulho por saber que, nesse período de crise, a empresa está investindo fortemente no meu desenvolvimento.”

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