Mudança de carreira: o jornalista que aproveitou uma demissão em massa para se dedicar ao empreendedorismo

Mauricio Nadal foi surpreendido com uma demissão em massa, mas transformou a situação ruim no impulso que precisava para mudar de rumo e abrir a própria barbearia

Frederico Machado, para o , em 11.08.2016
homem em barbearia [AcervoPessoal]

As demissões são um verdadeiro tormento para a maioria dos empregados. Receber a notícia de que você não trabalha mais naquela empresa pode ser complicado as contas para pagar não esperam no fim do mês mas também pode ser a hora da virada. Esse é o caso de Mauricio Nadal, 28 anos, que aproveitou a saída forçada do seu emprego como jornalista para se tornar um empreendedor. E ele está fazendo barba, cabelo e bigode nessa nova carreira!

Nadal formou-se em jornalismo pelo Mackenzie em 2009 e logo começou a se envolver com a área esportiva.  “Aceitei e realizei vários sonhos no jornalismo esportivo. Cobri eventos de vários esportes, entrevistei ídolos, viajei, entre outras coisas bem legais. Virei jornalista pela paixão por esportes e pelo gosto de conhecer e escrever histórias. A decisão foi mais que certa”, conta.

Mas o atual momento do jornalismo, com seguidas demissões e projetos descontinuados, começou a incomodá-lo.  “Ver as decisões e caminhos dos caciques dessa área me desanimava. Precisava passar por tudo aquilo para crescer e almejar algo a mais para a minha vida. Mas a ausência de plano de carreira, a clara crise na profissão e o fator financeiro também contaram demais para mudar de área. A sensação de impotência, das mãos atadas, me consumia. Era um sinal”, relata.

barbearia jornalista empreendedor

A partir desse cenário, ele passou a pesquisar mais sobre o empreendedorismo. “Participei de reuniões de empresas nas áreas alimentícia, serviços e pets e chegamos muito perto de colocar uma grana imensa em algo que não acreditávamos. Foi aí que veio a grande ideia. Eu já frequentava e sabia da tendência das barbearias. Pensei: ‘por que não fazer algo no estilo esportivo?”.

E o incentivo decisivo para abrir sua própria barbearia foi a demissão do portal de notícias em que trabalhava. “Estava no fim das férias e recebi uma ligação de um editor dizendo que eu estava demitido, em mais um corte trivial no jornalismo. Era para apenas passar lá e pegar as minhas coisas. No primeiro momento, foi um espanto, mas no mesmo dia já estava tranquilo em casa e sabia bem o que deveria começar a fazer”, lembra. Era o marco para a criação da Barbearia Campeã, inaugurada em São Caetano (SP) com estilo esportivo e novos conceitos.

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Tratamento diferenciado Após definir a área em que iria empreender, Nadal precisava conhecer a fundo o universo das barbearias.  “Pesquisei muito sobre o mercado, comecei a frequentar ainda mais as barbearias, para ver acertos e erros deles. Matriculei-me no curso de barbeiro, não para trabalhar no dia a dia com o ofício, mas para entender do assunto. Não só de máquinas, tesouras, pentes e acessórios em geral, mas também do panorama de mercado, produtos e profissionais. Essa foi a grande sacada, pois pude entrar no mundo dos caras e ver como é difícil cortar um cabelo ou fazer uma barba. Fica mais fácil de falar a língua deles e entender dos problemas”, revela.

Quem frequenta a Barbearia Campeã encontra muito mais do que um corte de cabelo ou da barba. Com um investimento de R$ 110 mil, o espaço conta com uma área para a interação entre os clientes, com mesa de sinuca, bar e televisão. Tudo isso com muito papo sobre futebol, é claro! “Fico no bar da barbearia conversando com os clientes ou com os acompanhantes deles. Esse atendimento é muito importante e a pessoa se sente respeitada e mais bem atendida ainda”, afirma ele, que tenta sempre memorizar o nome e o time do coração dos frequentadores. “Sou muito mais feliz atualmente. Sinto-me bem naquele ambiente. Ficaria o dia inteiro lá dentro, sem problemas. É muito cansativo, é claro. Mas a satisfação dos clientes da barbearia é a certeza de um trabalho bem feito, mesmo que ainda engatinhando”, afirma.

Sobre o futuro, Nadal espera que sua barbearia receba ainda mais movimento com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Quando perguntado se voltaria ao jornalismo, ele é enfático. “Voltar ao jornalismo, da forma como ele se apresentava, seria um retrocesso. A veia empreendedora está pulsando em mim. A noção de responsabilidade, em tomar decisões, é algo fantástico. Quero arriscar, apostar, porque gera mais alegria quando se conquista um objetivo. Reclamar da vida é a pura bengala da preguiça ou falta de ânimo. Todos nós somos protagonistas de nossas vidas e caminhos profissionais e pessoais”, finaliza.

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