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Tatiana Rezende palestrando.

Por que essa engenheira de produção optou por trabalhar em finanças

Por Suria Barbosa

Tatiana Rezende conta como ser uma engenheira de produção com experiência em finanças a levou para o cargo de liderança de uma startup.

“Gosto de pensar que nasci engenheira”, conta Tatiana Rezende. “Sou daquelas que só gostava de brincar com lego, que desmontava as coisas e montava de volta, queria saber como tudo funcionava…” Apesar da vocação para a Engenharia, durante alguns anos sua carreira teve um rumo diferente.

Ainda assim, seu caminho tornou possível que, combinando seu conhecimento e experiência, assumisse a posição de liderança que sempre desejou. Hoje, ela é diretora financeira e de operações da startup The Safe + Fair Food Company, especializada em alimentos saudáveis.

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Trajetória inicial

Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), onde estudava Engenharia, Tatiana era uma das cinco mulheres. A turma tinha, ao todo, cerca de 70 pessoas. “Eu gosto de ser disruptora e acho que é do meu perfil, então não tinha problema com isso”, relata. Na Poli, passou pelas dificuldades que as mulheres costumam passar em indústrias e ambientes majoritariamente masculinos, como o assédio. “Você acaba criando algumas defesas ao longo da faculdade”, explica a engenheira.

Logo que entrou no curso superior, Tatiana começou a se interessar pelas carreiras mais técnicas, em áreas como a de Engenharia Civil, de Engenharia Naval. “Até então eu me guiava pelo que era boa e me interessava”, explica a brasileira. Mas, quando chegou a hora de decidir a trajetória na Poli, escolheu a que parecia ser a mais flexível, no ramo da engenharia de produção.

Experiência no mundo financeiro

Depois da faculdade, Tatiana foi fazer mestrado na Itália, no Politecnico di Milano, onde estudou por dois anos. Lá, a grade curricular tinha bem menos partes propriamente técnicas, da engenharia, o que fez com que a jovem testasse as matérias de “gestão”. Com esse leque à disposição, interessou-se pelas de finanças. “A possibilidade de ter contato com a indústria e com a operação da empresa me motivou, então, quando voltei, comecei a procurar emprego em private equities e mercado financeiro”, explica a engenheira.

No Brasil, Tatiana foi contratada pelo banco de investimentos Credit Suisse. Por seis anos, trabalhou no portfólio de investimentos imobiliários da instituição. Além de permitir bastante interação com engenheiros, seu cargo também possibilitava que ela usasse seu conhecimento técnico.

Há cerca de três anos, ela foi fazer MBA na Universidade de Chicago, e emendou um cargo nos Estados Unidos.

Fator decisivo para ser engenheira de produção

Uma das razões que contribuiu para que Tatiana deixasse de lado a carreira técnica em engenharia civil foi um fato narrado por seu pai, que trabalhava em uma construtora. Ele disse que a única mulher a ser promovida a diretora de obras, na empresa em que trabalhava, saiu depois de um ano em um projeto, que duraria cinco anos ao todo. Uma decisão tomada para seguir os passos do marido, que havia sido transferido.

Ele contou a Tatiana que, por esse tipo de motivo, “era muito difícil convencer os executivos, que eram todos homens na época, a investir na carreira de mulheres na indústria”.

“Aquilo me assustou muito porque eu pensei, ‘independentemente de onde eu for, me vejo em uma posição de liderança, guiando a minha própria carreira. Não me vejo ficando à mercê de decisão dos outros’”, diz a engenheira. O resultado foi sua decisão de ir para a engenharia de produção.

Apesar dos possíveis obstáculos, dentro da área de Engenharia, Tatiana não desencorajaria ninguém a apostar na carreira. Para tomar a decisão, ela indica que que as jovens reflitam suas aptidões e interesses. “E também entender um pouco melhor como está o mercado e onde quer se colocar”, complementa. 

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Resultados do caminho alternativo

Atualmente, ainda em Chicago, a engenheira trabalha em uma startup que produz e vende alimentos saudáveis e seguros (sem nozes, por conta dos alérgicos, por exemplo). Como COO (diretora de operações) e CFO (diretora financeira), Tatiana explica que conseguiu voltar um pouco às suas raízes acadêmicas, sem deixar de tirar proveito da experiência no mercado financeiro.

“Acho que tive sorte de ter esses insights de carreira enquanto ainda estava na faculdade, porque consegui ter esse discernimento de que, talvez, uma posição técnica no começo não fosse o que me levaria, à longo prazo, ao tipo de posição de liderança que queria ter”.

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