Travis Kalanick

Faz anos que a Uber domina as notícias, seja por seu estrondoso sucesso (são mais de 40 milhões de usuários em 500 cidades pelo mundo), suas novas empreitadas (como carros autônomos e até carros voadores), seus desafios (como a regulamentação do serviço, que em São Paulo foi elogiada pelo Banco Mundial) ou seus erros catastróficos.

Nos últimos meses, foi esse último tema que dominou a vida de Travis Kalanick, cofundador e a partir de hoje ex-CEO da Uber Technologies, criada em 2009 e avaliada em US$ 68 bilhões.

Tanto sucesso vem com enormes pressões de investidores – é a maior empresa privada mantida por venture capitalists do mundo –, grupo que em junho se juntou para exigir a renúncia do líder na esteira de uma série de escândalos, processos e problemas internos.

 

 

Só para se ter uma ideia do tamanho da confusão, a Uber está, ao mesmo tempo, tentando resolver conflitos sérios de bullying e assédio sexual, se preparando para um grande processo contra a Alphabet, empresa-mãe do Google, sendo investigada pelo governo americano e se recuperando de um vídeo devastador em que Kalanick aparece brigando com um motorista do aplicativo – tudo isso sem um Chief Operating Officer, Chief Financial Officer e, agora, sem CEO.

“Amo a Uber mais que tudo no mundo e, nesse momento difícil de minha vida pessoal, aceitei o pedido dos investidores para me retirar e para que a Uber possa voltar a construir ao invés de se distrair com outra briga”, escreveu ele num e-mail para a empresa, que tem 12 mil funcionários.

Leia também: Quais os desafios enfrentados por empreendedores que criaram Uber, Waze, Airbnb?

O que aprender com Travis Kalanick?

Famoso tanto pela ambição quanto pela volatilidade, Travis Kalanick assumiu um papel de liderança desde o começo da empresa.

Ultimamente, no entanto, seu jeito começou a fazer tão mal que uma investigação independente da Uber – conduzida pelo ex-procurador-geral dos EUA, Eric Holder, contratado pela própria startup  – concluiu que sua autoridade deveria ser diminuída e a independência e supervisão do conselho, aumentadas.

Há uma semana, Kalanick decidiu pedir licença do posto e disse que buscaria ajuda para fortalecer sua capacidade de liderar.

Quer fortalecer suas habilidades de liderança? Confira esses cursos!

A decisão não foi suficiente para aliviar a pressão e ele enfim se demitiu, embora contratualmente mantenha um nível de controle ainda desconhecido da empresa.

Apesar das polêmicas, a história de altos e baixos da Uber mostra que Kalanick tem muito a ensinar a outros empreendedores. A revista Inc. trouxe algumas lições de sua trajetória:

1. Quando errar, admita e peça e desculpas – rápido

Quando um post de uma ex-funcionária que descrevia assédios sexuais na empresa viralizou, Kalanick publicou no Twitter sua revolta com os envolvidos: “O que foi descrito aqui é abominável & contra tudo que acreditamos. Qualquer pessoa que se comporte desse jeito ou pense que isso é OK será demitida”. A mesma coisa ocorreu após a divulgação do vídeo da discussão com o motorista: ele admitiu que o que ocorreu poderia ser uma oportunidade de reflexão para ele. 

Baixe o ebook: O guia definitivo do empreendedor – Aplicativos, ferramentas e leituras essenciais

2. Peça ajuda objetiva de terceiros

Na esteira do post sobre assédio sexual, a Uber contratou a firma de Eric Holder para investigar suas práticas de maneira independente e fazer recomendações, que a empresa disse que acatará. Arianna Huffington, que faz parte do conselho, também foi convidada pelo CEO para participar das reuniões sobre problemas de cultura e disse que a companhia não toleraria mais “babacas brilhantes”.

3. Reconheça que você faz parte do problema e dê um passo atrás

Não há nada que Kalanick pudesse fazer para deixar mais claro que a Uber não vai voltar ao caminho de sempre do que se demitir.

4. Demita seus colegas se eles também fizerem parte do problema

Se quiser que sua empresa cresça e prospere, não tenha medo de cortar na carne. A Uber fez isso com pelo menos dois executivos de alto nível que agiram de maneira inapropriada e outros 20 envolvidos com assédio sexual e discriminação.

Leia também: Como os cursos do Estudar Na Prática podem ajudar a acelerar sua carreira

5. Olhe-se no espelho

Para muitos observadores, os problemas da Uber não são únicos. Estão, na verdade, enraizados na cultura do Vale do Silício, em que faltam mulheres e sobram atitudes sexistas e discriminatórias. Para enxergar que seria preciso se demitir para que sua empresa pudesse consertar seus problemas, Travis Kalanick se olhou no espelho e decidiu que era a melhor decisão que poderia tomar.

Agora com uma série de ideias para se aprimorar em mãos, a Uber, que segue muito poderosa, tem a chance de mostrar ao resto do mundo que é capaz de mudanças grandes e positivas.

Há quem veja paralelos com a história de Steve Jobs, outro líder volátil e famosamente retirado da Apple pelo conselho da empresa nos anos 1980. Uma década depois, retornou mais maduro e criou sucesso após sucesso até transformar sua companhia na mais valiosa do mundo.

Quem sabe um dia Travis Kalanick não faça algo parecido?

Os melhores conteúdos para impulsionar seu desenvolvimento pessoal e na carreira.

Junte-se a mais de 1 milhão de jovens!
Casdastro realizado, fique ligado para os conteúdos exclusivos!
Seu cadastro não foi realizado, tente novamente!
O que você achou desse post? Deixe um comentário ou marque seu amigo: