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Quais os desafios enfrentados por empreendedores que criaram Uber, Waze, Airbnb?

Por Redação, do Na Prática

Empresas disruptivas que surgiram na era das plataformas começam a chegar na fase de maturidade. Quais os desafios que o crescimento oferece?

As plataformas da economia compartilhada – também conhecida por economia peer-to-peer – como Uber, Waze e Airbnb revolucionaram seus mercados de maneira rápida e profunda. Surgiram para mudar tudo. Mas agora, conforme amadurecem e consolidam seus modelos, quais desafios que essas empresas que nasceram tão disruptivas têm pela frente?

Em maio, a HSM Educação Executiva receberá no Brasil alguns dos maiores líderes globais na área de inovação, em evento que ainda tem ingressos disponíveis, para discutir essa e outras questões. Guilherme Soárez, CEO da organização, escreve sobre o tema no texto a seguir:

Logo depois da crise das hipotecas vivida pelos Estados Unidos em 2008, pela primeira vez em muito tempo a população norte-americana se via cheia de recursos, mas com pouco dinheiro no bolso. Assim, o ambiente não poderia ser mais propício para o surgimento de uma nova maneira de encarar esses recursos, o que acabou dando origem a uma nova economia – considerada hoje uma nova Revolução Industrial. Estou falando da economia do compartilhamento e das plataformas.

Um quarto e alguns colchões infláveis sobrando, além da falta de dinheiro para participar de um evento de design em San Francisco, foi o que deu origem ao Airbnb, que hoje oferece a maior rede de hospedagem do mundo sem ter sequer um colchão inflável entre seus bens. E o mesmo aconteceu com Uber e Waze, que localizaram recursos disponíveis que poderiam ser compartilhados e utilizaram a tecnologia não só para unir quem tem com quem não tem, mas também para garantir a credibilidade e trazer a confiança para ambas as partes. Pense bem: quem se disporia a viajar com um motorista desconhecido ou a se hospedar na casa de outra pessoa sem alguém que avalizasse essa relação?

Uma característica fundamental do modelo de plataformas é que a empresa não possui a mercadoria que comercializa ou o serviço que oferece. Os fornecedores se candidatam e às vezes nem precisam de autorização, o que é bem diferente da terceirização, por exemplo, em que você contrata um fornecedor externo para produzir algo específico. No caso da plataforma, fornecedores e compradores se encontram graças à infraestrutura tecnológica proporcionada, e que oferece o espaço e as garantias.

Grandes empresas consagradas também estão mudando seus modelos de negócio para se tornar plataformas. É o caso da Apple, que de fabricante de computadores se tornou uma central de mídias. Segundo um dos maiores especialistas em economia de plataforma, Marshall van Alstyne, 6 entre 10 das maiores empresas atuais são empresas de plataforma.
Mas agora que o modelo começa a se estabelecer e a ser estudado (para que possa ser reproduzido), surgem novos desafios. Toda inovação, como explica Salim Ismail, em seu livro Organizações Exponenciais, cria uma reação do sistema imune da empresa. O que isso quer dizer? Segundo ele, a mudança rápida ou disruptiva é algo que organizações hierárquicas e grandes têm dificuldade de enfrentar.

Isso também acontece com a sociedade em geral: as mudanças provocadas por empresas como Uber, Waze e Airbnb desafiam categorias estabelecidas, causando reações dos profissionais e empresas que perdem terreno, como foi o caso dos táxis e hotéis. Diante disso, a capacidade de adaptação às condições locais é uma característica fundamental para que essas empresas se mantenham à frente de seus mercados. Flexibilidade e agilidade são palavras de ordem, já que é preciso lidar com legislações e hábitos culturais arraigados nos mais diversos locais do globo – afinal, para ser exponencial é preciso ser global.

Para continuar existindo, portanto, será preciso manter o foco na inovação. Existe o risco de que algumas plataformas se tornem monopólios, enquanto estimulam a concorrência entre os fornecedores de serviços. Empresas muito grandes e globais costumam se tornar mais lentas e menos inovadoras, então manter essa característica é outra prerrogativa importante.

Outro dilema sempre presente é o equilíbrio entre reduzir as barreiras de entrada para os fornecedores e manter a confiança dos consumidores. É o que vem acontecendo com o Uber em alguns locais: a piora nas exigências quanto aos motoristas e seus carros têm feito muitos migrarem para plataformas concorrentes.

Se por um lado os millenials são os grandes usuários e prestadores de serviços das plataformas, a própria ideia da economia do compartilhamento faz com que sejam menos apegados a bens como carros e casas. Isso será sustentável no futuro? Como será a força econômica dessa geração que está se acostumando a trabalhos pequenos e esporádicos, sem criar uma base sólida inclusive para empreender no futuro? Essa é outra questão que se coloca.

No mundo da tecnologia, não existem respostas simples nem prontas. E uma das nossas missões é justamente provocar a reflexão. Marshall von Alstyne, autor do livro Plataforma – A revolução da estratégia, é um dos participantes do Summit que a HSM Educação Executiva vai oferecer nos dias 16 e 17 de maio. Uma ótima oportunidade para discutir esses assuntos.

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