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Pensamento sistêmico: aprenda a enxergar ‘conexões invisíveis’ para tomar melhores decisões

Por Rafael Carvalho

Quando o líder tem uma visão sistêmica do contexto em que está inserido, ele consegue evitar efeitos colaterais indesejáveis de suas atitudes e obtém resultados mais sustentáveis a longo prazo

Você já reparou que, muitas vezes, ao buscarmos soluções para um problema acabamos “sem querer” resolvendo outros? A explicação é que esses problemas podem estar relacionados, embora nem sempre a gente consiga fazer essas conexões.

O chamado “pensamento sistêmico”, grosso modo, propõe uma visão que encara o mundo como um sistema, composto por sua vez por diversos sistemas menores, onde tudo está interligado. Perceber que as coisas estão interconectadas em um sistema não é uma ideia nova. Muito antes desse conceito começar a aparecer no século XX, religiões e filosofias já adotavam a visão sistêmica das coisas, como é o caso do budismo.

Em sua versão mais atualizada, o pensamento sistêmico começou a tomar forma na década de 1920, com pensamento holístico de Jam Smuts, que propunha abrir mão da visão das coisas como algo singular, mas sempre como partes de algo maior. Estudos de viés mais prático começaram a ser realizados na década de 1950, no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Lá essa ideia começou a ganhar força e ser aplicada a várias áreas do conhecimento, da sustentabilidade à administração de empresas. Os estudos culminaram na publicação do livro A Quinta Disciplina, de Peter Senge, e da obra The limits to growth, que usa o pensamento sistêmico para alertar sobre os efeitos do crescimento populacional na Terra.

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Como funciona? O pensamento sistêmico nos torna conscientes do fato de que todas as coisas fazem parte de um sistema, e, portanto, estão relacionadas e influenciam umas às outras. Isso vale tanto para o corpo humano como para uma cidade ou a empresa em que você trabalha. Grandes problemas que enfrentamos atualmente são interligados e interdependentes de diversas formas que nem imaginamos, e cabe a nós buscar cada vez mais enxergar essas conexões para ter uma compreensão melhor da realidade.

Uma percepção mais sistêmica da realidade, por sua vez, permite que um líder tome decisões mais acertadas e obtenha resultados mais sustentáveis no longo prazo. Quando o líder tem uma visão sistêmica do contexto em que está inserido, também consegue evitar efeitos colaterais indesejáveis de suas atitudes que a princípio não são óbvios.

Nos ecossistemas complexos e globalizados em que as organizações de hoje atuam, tomar decisões é algo cada vez mais incerto.

O problema é que, por natureza, não enxergamos o mundo de forma sistêmica. Nossa tendência é ser reducionista e simplista, visualizando somente visões fracionadas da situação toda – fotos instantâneas, e não o filme completo. Durante muito tempo, nós fomos ensinados a pensar os problemas de maneira fragmentada para entendê-los melhor. Essa estratégia tem suas vantagens porém, sozinha, não dará conta de resolver os desafios de uma grande organização.

O pensamento sistêmico rompe com esse paradigma e nos ajuda a analisar o sistema complexo como um todo. Não adianta uma parte funcionar excepcionalmente bem no seu projeto enquanto a outra atrapalha o rendimento global.

Sobre esse assunto, o prestigiado filósofo Edgard Morin (que criou o conceito de pensamento complexo, bastante próximo ao que prega o pensamento sistêmico) ministra o curso ‘O futuro da decisão: como conhecer e agir na complexidade’ na plataforma Coursera, oferecido gratuitamente pela ESSEC Business School – o material, no entanto, ainda está disponível somente em francês.  

Existem muitos métodos e práticas que podem te ajudar a pensar de forma mais complexa. Por exemplo: evitar agir sobre um problema de forma isolada, mas lidar com ele dentro do contexto de outros problemas relacionados; estabelecer relações de causa e efeito de forma cíclica em vez de linear; evitar pensar apenas em resultados imediatos, a qualquer custo, mas buscar ter uma visão sustentável e de longo prazo; ter em mente que o todo é sempre mais importante do que as partes individualmente; conversar constantemente com outras áreas da empresa, para entender o que elas fazem e ter uma visão total do negócio. O recurso do job rotation, presente em quase todos os programas de trainee, é uma forma de incentivar esse pensamento nos futuros líderes da empresa. Para o empreendedor, vale também pesquisar mais a fundo todo o seu mercado e os mercados relacionados. 

O mais interessante disso tudo é que algo que é considerado um problema aqui, pode ser a solução ali (o lixo produzido em uma empresa pode ser separado e se tornar matéria-prima para a reciclagem, por exemplo). Vale insistir que, para isso acontecer em nível empresarial, é importante manter um bom nível de comunicação com todas as áreas que fazem parte do mesmo sistema.

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A seguir, veja algumas perguntas que vão te ajudar a refletir se você pensa de maneira sistêmica:

1. Ao analisar os seus problemas, você o faz dentro de um contexto ou isoladamente?

2. Você busca solucionar vários problemas de uma vez só?

3. Suas atitudes muitas vezes acabam atrapalhando mais do que ajudando, apesar das boas intenções?

4. Você presta atenção nos problemas de outras pessoas ou só se preocupa com os seus?

5. Quando está com um problema, você o compartilha com alguém ou guarda para si mesmo?

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