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Plataforma dedicada a mulheres tem foco em aumentar representatividade na criação de conteúdo

Por Tatyane Mendes

Derivada do grego, a palavra hysteria significa útero, órgão do corpo humano que mais simboliza a feminilidade. Não à toa foi o nome escolhido por um grupo de onze mulheres para criar uma plataforma totalmente dedicada a aumentar a representatividade feminina dentro do mercado de trabalho.

“A Hysteria nasceu sobretudo motivada por dados do mercado audiovisual que mostram como é baixa a representatividade de mulheres nos cargos de direção e direção de fotografia. Mesmo quando se fala em publicidade de moda e beleza, quase 90% são dirigidas por homens, um número muito alto”, explica a diretora editorial Isabel De Luca.

Diretora criativa da plataforma, Carol Albuquerque conta que essa diferença entre o número de homens e mulheres em cargo de direção criou um incômodo nas profissionais. “Até que começamos a olhar esse fato com cuidado e entendemos o por quê isso estava acontecendo, que era uma questão de abertura. Começamos a nos estruturar como um coletivo para criar mais oportunidades para que as mulheres pudessem ocupar cargos de liderança”, afirma.

Falta de representatividade

Não é novidade que existe uma grande desigualdade de gênero dentro do mercado de trabalho, independente da área. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deste ano, mulheres ainda ganham 20,5% a menos do que homens. Um relatório de 2017 do Fórum Econômico Mundial ainda aponta que serão necessários pelo menos mais 217 anos para resolver a disparidade nas remunerações.

“As mulheres têm capacidade de fazer o que quiserem e,  em um mundo ideal, teríamos números similares de mulheres e homens ocupando os cargos de tomada de decisão. Não é o que vemos na prática, mas isso está mudando e todo mundo só tem a ganhar com isso. Precisamos de diversidade. Infelizmente, ainda temos um longo caminho a percorrer. Estamos criando consciência de tudo isso, e tem muito espaço para crescermos”, avalia Isabel.

E a inclusão não se restringe a gênero. Carol aponta que, dentro da Hysteria, existe o cuidado de manter uma  equipe variada, com idades, formações, raças e origens diversas. “Buscamos diversidade em todos os sentidos porque isso traz uma multiplicidade de olhar que é interessante”, opina.

Ela ainda acrescenta que respeitar local de fala é um fator culturalmente importante. “Qual é o problema de ter mais diretores homens, por exemplo? É que você compõe uma visão cultural basicamente masculina. Ter mais mulheres tomando decisões criativas é importante para trazer mais diversidade de olhar, para nos sentirmos mais representadas no que vemos, de quebrar estereótipos que limitam as mulheres. Mas temos muito trabalho pela frente”, analisa.

Leia também: O que é preciso para impulsionar a liderança feminina na prática?

Linha editorial e conteúdos

Isabel explica que a Hysteria prioriza a representatividade feminina. “Tanto por publicarmos apenas conteúdos produzidos por mulheres quanto por abrirmos espaço para que essa nossa rede de colaboradoras possa contar as suas próprias histórias, com olhares reais, fazendo com que todas as outras se sintam representadas de uma forma ou de outra”, aponta.

Contudo, Carol chama a atenção para o fato de que, não é por que o conteúdo foi produzido por uma mulher que ele será publicado. “Temos sim uma missão muito forte de valorizar o trabalho feminino, mas temos um cuidado com a qualidade e relevância do conteúdo. Sempre olhamos se o que é oferecido tem potencial, tanto para o nosso público, como para ajudar a gente a crescer”, comenta.

A Hysteria dá oportunidade para sugestões de pauta, mas também acompanha atualidades para gerar conteúdo. “O maior diferencial é não sermos apenas um site. Somos um núcleo de criação, produção e distribuição de conteúdo feito por mulheres. Além do site, que alimentamos diariamente com vídeos, textos e áudios, fazemos branded content, consultoria e estamos investindo no entretenimento”, aponta Isabel.

Entre os produtos da Hysteria no mercado está a série Desnude, exibida no GNT. A equipe também está produzindo dois documentários: Mulheres Radicais, sobre artistas plásticas latino americanas das décadas de 60 e 80 e Viúvas do Samba, sobre as viúvas dos grandes sambistas cariocas, além de alguns projetos de ficção.



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