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utilizar melhor o tempo

Professora de Harvard ensina como utilizar melhor o tempo com técnica simples

Por Tatyane Mendes

Cientista comportamental e professora assistente da Universidade de Harvard, Ashley Whillans ensina como fazer uma gestão melhor de tempo e organizar a agenda com hábitos que define como “ricos de tempo”.

Você é uma daquelas pessoas que sentem que nunca há tempo suficiente para fazer tudo que precisa? De acordo com uma pesquisa do Associação ISMA-BR (International Stress Management Association Brasil), 62% dos brasileiros experimentam essa sensação por conta do excesso de demandas que precisam lidar em suas rotinas. Mas pode existir um método para que as pessoas consigam utilizar melhor o tempo, de acordo com a pesquisadora da Universidade de Harvard Ashley Whillans.

Como podemos utilizar melhor o tempo?

Interessada na relação entre tempo, dinheiro, felicidade e políticas públicas, Ashley começou a pesquisar como ajudar as pessoas a tomar decisões melhores sobre o uso do tempo, levando em conta também a questão financeira. A docente percebeu que muitas vezes, dedicar mais tempo para si mesmo gera prejuízos financeiro e que trabalhar para ganhar mais reduz o tempo livre. Nesse sentido, as pessoas enfrentam um dilema: abrir mão do dinheiro para ter mais tempo ou abrir mão do tempo para ter mais dinheiro?

Com isso em mente, a pesquisadora busca entender de que forma priorizar o tempo ao invés do dinheiro está ligado a mais felicidade e satisfação pessoal. Alguns dados apontam que as pessoas ainda relutam em optar por ter mais tempo, ainda que isso possa gerar mais bem-estar. E “comprar mais tempo” pode ser uma das melhores estratégias para se ter uma vida feliz e bem-sucedida, de acordo com Ashley.

Para entender melhor essa questão e como utilizar melhor o tempo, ela e outros pesquisadores observaram e analisaram as escolhas de vida de um grupo de estudantes durante alguns anos. Eles chegaram à conclusão de que aqueles que escolhiam priorizar seu tempo eram mais satisfeitos do que aqueles que buscavam dinheiro. Isso porque suas escolhas se baseavam em um propósito maior que proporcionava equilíbrio entre suas tarefas e autopreservação. Além disso, quem ganha menos dinheiro é quem mais pode se beneficiar dos métodos de priorização de tempo.

Mas como isso funciona na prática?

Para utilizar melhor o tempo, algumas escolhas simples podem ter grande impacto no dia a dia. Trabalhar próximo de casa ou pagar para não ter que lidar com atividades que demandam muito tempo e esforço – ou simplesmente são desagradáveis – são alguns exemplos citados pela pesquisadora. Ainda que nem todo mundo possa fazer as sugestões apresentadas por Ashley, ela afirma que o mais importante é reconhecer e fugir do que chamou de armadilhas do tempo.

A docente define a expressão como maus hábitos que as pessoas possuem que acabam atrapalhando seu trabalho ou descanso. Exemplos de armadilhas do tempo são utilizar excessivamente as redes sociais durante uma tarefa ou superlotar a agenda. Se comprometer com tarefas demais é o principal erro cometido pelas pessoas, segundo Ashley, e o que deve ser evitado a todo custo por quem quer utilizar melhor o tempo.

Ela explica que as pessoas acreditam que sempre terão mais tempo no futuro, mas que isso não é verdade. Esse tipo de pensamento gera estresse e sobrecarga. Por isso, saber dizer não, estabelecer limites claros, selecionar prioridades e atividades que satisfaçam o indivíduo são alguns passos para utilizar melhor o tempo. Além disso, Ashley propõe enxergar compromissos e atitudes como dinheiro já que é um elemento comumente associado com sucesso.

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Nessa lógica, ela indica converter os ganhos de felicidade de quando alguém saber priorizar o tempo em ganhos financeiros. Ela chamada essa abordagem de dólares da felicidade. Cada vez que uma pessoa toma uma atitude para equilibrar sua agenda e utilizar melhor o tempo, ela ganha um determinado valor imaginário. Exemplos dessas atitudes são priorizar o tempo ao invés do dinheiro, tirar férias ou pequenas pausas durante a jornada de trabalho, separar tempo para socializar, pagar por serviços que a pessoa não gosta de fazer, entre outros.

Ela defende que, com essa lógica, as pessoas conseguem enxergar melhor o ganho que teriam ao saber utilizar melhor o tempo delas. Contudo, Ashley também alerta que não é produtivo utilizar o tempo ganho para trabalhar mais. Isso, na verdade, gera um desgaste emocional maior e minimiza todos os esforços de gestão de tempo. A pesquisadora explica mais detalhadamente o método em sua palestra no TEDx Cambridge e seu livro Time Smart, com lançamento previsto para outubro.

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