Um Projeto: Fundação Estudar
Pessoas conversando em um escritório

Descubra como manter uma conversa interessante

Por Redação, do Na Prática

Conversar faz parte do dia a dia, mas se você tem dificuldades, saiba é possível tornar esse ato mais fácil e prazeiroso com algumas técnicas e atitudes

A situação é familiar: você está socializando e, de repente, tem alguém novo no grupo. Ou ainda: vocês estão sozinhos e o silêncio (e o desconforto) reinam. O que você pode fazer para manter uma conversa interessante antes que a pessoa vá “pegar uma água” ou, pior ainda, saque o celular?

A primeira coisa a se fazer é combater a paralisia, que pode ser tanto da timidez (e que pode ser enfrentada com um simples “oi”) quanto do medo de falar a coisa errada (e que cria tantos cenários que dão errado na sua cabeça que você prefere não falar nada).

Em seguida, é hora de colocar os milhares de anos de evolução para funcionar: seres humanos são seres sociais e gostam de se comunicar, mesmo aos trancos e barracos – que sempre parecem mais desastrosos do que costumam ser, vale lembrar.

Conversação, como tantas outras coisas, é uma prática que melhora com o tempo. 

Caso você realmente esteja travado, a boa notícia é que é possível decorar alguns caminhos e estratégias para começar.

Uma boa regra geral é pensar em suas experiências: que tipo de perguntas você acha interessantes e quais preferia não responder? Que conversas você teve no passado com quem não conhecia e que foram surpreendentemente boas? E as que foram ruins? Há pessoas que você conhece que têm facilidade para conversar? O que elas fazem?

Conversar com alguém não precisa ser uma quimera. E lembre-se: todo mundo já foi estranho para você um dia, mesmo seus melhores amigos.

Baixe o ebook: Ferramentas de Autoconhecimento

1. Técnica: A pedra que afunda

Rob Riker, do site The Social Winner, é um expert em conversas. Uma de suas técnicas preferidas é “a pedra que afunda”, uma metáfora para pular a parte superficial de uma conversa e realmente engajar seu interlocutor através da emoção.

Para isso, é preciso seguir três passos:

1. Tenha um fato sobre a outra pessoa

O que ela gosta, o que ela faz ou já fez, algo que disse ou mencionou. Mantenha o gancho pessoal, mas não pessoal demais.

2. Pergunte sobre uma emoção relacionada ao fato

Por exemplo: “Você gosta desse assunto?” ou “Quais são os maiores desafios de quem lida com esse assunto normalmente?”

3. Entenda porque aquela emoção surgiu

“Por que ele é tão interessante para você?” ou “Ah, eu imaginei que esse assunto funcionasse de outra forma. O que te levou a aprender tanto sobre ele?”

Se estiver atento às respostas, você vai aprender muito sobre alguém, e rapidamente. Assim, novos assuntos podem surgir com mais naturalidade – e você vai genuinamente se divertir.

Leia também: Não tem experiência na área em que quer trabalhar? Saiba o que fazer!

2. Técnica: Escuta ativa

O termo está em voga, e por um bom motivo: com tanta gente falando sobre tudo o tempo inteiro, que realmente escuta tem uma vantagem.

A escuta ativa é aquela em que sua atenção está realmente dedicada ao que a pessoa está dizendo, não só em busca de uma pausa para colocar sua própria opinião.

E pode ajudar muito a ter uma conversa mais fluida, já que dali podem surgir novos tópicos para ambos.

Quando alguém engata em algum assunto, você pode escutar atentamente ao assunto e entender melhor qual é a relação entre ele e seu interlocutor. E não se preocupe em parecer que está prestando bastante atenção: se realmente estiver prestando atenção, isso estará claro.

Por que aquele assunto é interessante e como o descobriram, por exemplo? Como aparece no dia a dia da vida da pessoa? Teve algum impacto na sua vida? Caso o assunto realmente te interesse, há alguma referência que ela recomenda? E por aí vai.

Outra boa regra? Pense em uma paixão sua. O que gostaria que as pessoas te perguntassem sobre ela?

Leia também: Escuta ativa: como e por que se tornar um ótimo ouvinte

3. Atitude: Pense como um jornalista

Entre as diversas TED Talks sobre conversação disponíveis, uma das mais charmosas é da jornalista Celeste Headlee.

“Pode soar como uma questão engraçada, mas temos de nos perguntar: Existe uma habilidade mais importante no século 21 do que ser capaz de manter uma conversa coerente e tranquila?”, indaga.

Para manter uma conversa assim com diversos tipos de pessoa, de caminhoneiros a vencedores do prêmio Nobel, ela criou 10 regras básicas. “Tudo se resume ao mesmo conceito básico, que é o seguinte: estar interessado nas outras pessoas.”

#1. Não seja multitarefa.

“E não falo só de deixar o celular de lado, o tablet ou as chaves do carro, ou o que tiver nas mãos Quero dizer: esteja presente.”

#2. Não dê lições

“Se quiser dar sua opinião sem qualquer oportunidade para reação ou discussão, objeção ou evolução, escreva um blog.”

#3. Faça perguntas abertas

“Comece as perguntas com quem, o quê, quando, onde, por quê ou como”, diz Headlee. “Deixe-os descrever [experiências] e tente perguntar ‘como foi aquilo?’ e ‘como foi passar por isso?’.”

#4. Deixe fluir

“Pensamentos vão surgir na sua mente e você precisa deixá-los passar.” Mantenha-se atento ao que a pessoa está falando, não no próximo passo.

#5. Se você não sabe algo, assuma

“Melhor pecar pelo excesso de cautela.”

#6. Não compare experiências

“Todas as experiências são individuais. E, mais importante ainda, não se trata de você. Não precisa pegar aquele momento para provar como você é incrível ou quanto você sofreu.”

#7. Evite ser repetitivo

“É realmente muito chato. E tendemos a fazer isso demais.”

#8. Não mergulhe nos detalhes

“Francamente, as pessoas não ligam para os anos, os nomes, as datas, todos esses detalhes que você está lutando para se lembrar. Elas ligam para você.”

#9. Ouça de verdade

“Sei muito bem que exige esforço e energia realmente prestar atenção em outra pessoa, mas, se não consegue fazer isso, você não está numa conversa. São apenas duas pessoas bradando sentenças desconexas no mesmo lugar.”

#10. Seja breve

É isso.

4. Atitude: Não finja

Não quer sair exausto de uma conversa? Então não finja.

Não finja interesse naquilo que não te interessa de verdade – seja quando estiver ouvindo outra pessoa ou falando sobre seus próprios interesses –, nem finja curiosidade. Se a pergunta parece falsa para você, chances são de que parecerá falsa para o outro também.

Utilize sua emoção e sua energia da maneira correta. Quando você está genuinamente envolvido, interessado e otimista, a chance do outro se sentir da mesma maneira aumenta.

E verdade seja dita, talvez dali não saiam novos amigos ou uma interação memorável. Mas terá sido, pelo menos, uma experiência agradável para os dois.

Leia também: 5 dicas de storytelling do redator de discursos de Barack Obama

O que achou do post? Deixe um comentário ou marque seu amigo