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trabalhar com parceria público-privada

Como é trabalhar com parceria público-privada?

Por Tatyane Mendes

Com experiências variadas no setor público, Marcelo Bernardino explica as particularidades de atuar diretamente com parcerias público-privadas (as PPP) a partir de sua experiência na Secretaria de Governo do Estado de São Paulo.

Marcelo Bernardino sempre teve o sonho de atuar na área pública. Com pai e mãe de origem humilde, ainda pequeno, ele viu os dois conquistarem bons resultados pessoais e profissionais por meio de concursos públicos. “Meus pais são minhas grandes inspirações e eu gostaria que todo mundo pudesse ter esse mesmo sucesso, com menos dificuldades. Eu via essa possibilidade dentro do governo”, explica.

Estudando direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marcelo percebeu que o Poder Judiciário não estava diretamente ligado com o que queria fazer. “Já o Executivo mexia com políticas em educação, mobilidade urbana e segurança pública, temas que eu me identificava mais”, afirma.

O estudante deixou de lado a ideia de prestar concurso público e começou a procurar programas de trainee. Foi quando encontrou a ONG Vetor Brasil. A instituição oferece um treinamento em gestão público que possibilita aos participantes atuar em projetos de impacto em governos estaduais ou municipais de todo o Brasil.

“Entrei em contato com um trainee antigo pelo Linkedin para saber mais. Conversamos e então eu decidi que era isso mesmo que eu queria. Consegui uma entrevista e fui aprovado”, relembra. Marcelo precisou se mudar de Belo Horizonte para São Paulo e abrir mão de um bom salário para atuar na posição voluntária. Contudo, ele afirma que a experiência foi transformada.

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O início nas parcerias público-privada

Com os contatos e conhecimentos que conquistou durante seu um ano como trainee, Marcelo conseguiu um emprego na Secretaria de Governo do Estado de São Paulo. Foi então que ele começou a atuar com parceria público-privada, conhecida como PPP. “É uma colaboração entre poder público e uma empresa privada (não se incluem as ONGs) para prestação de um serviço que o governo tem interesse”, explica.

Como exemplo, ele aponta que, antigamente, quando o governo queria construir uma estrada, ele criava uma empresa pública para esse fim. “Mas esse modelo foi acabando porque era muito caro e ineficiente. Então, começou a ideia de que o governo não precisa executar o serviço mas sim fiscalizar e garantir a sua qualidade, criando assim as parcerias por meio de concessões”, conclui. Ele afirma que os contratos costumam ter um prazo determinado.

Durante a crise financeira do Brasil, em 2016, as parcerias público-privada eram as principais válvulas de escape para atrair investimento para o Estado, segundo Marcelo. Preocupado com a questão da mobilidade urbana, o advogado decidiu trabalhar com o metrô. “Em São Paulo, a gente sente na pele o quanto o transporte público pode melhorar a vida das pessoas”, analisa.

Ele começou a desenvolver um trabalho com a linha 15, que liga a Zona Leste ao centro de São Paulo. “A pessoa que gastava quatro horas para andar de ônibus (ida e volta), ia precisar de menos de duas. É tempo a mais que ela tem para dormir, lazer e ficar com os filhos. São impactos tanto econômicos como na saúde das pessoas”, aponta. Com essa iniciativa, o profissional conseguiu ser promovido e começou a atuar na parte de gestão das parcerias, como coordenador.

Perfil para trabalhar com Parceria Público-Privada

Marcelo destaca algumas características são essenciais para trabalhar com PPP – setor com necessidade de inovação e espaço para pessoas com backgrounds diferentes:

  • Perfil analítico
  • Interesse por números
  • Noções de investimento
  • Gosto por economia
  • Fortes habilidades de comunicação
  • Resiliência
  • Flexibilidade

Entre os principais desafios da área estão atrair grandes players de infraestrutura para investir no projeto, reinventar constantemente os projetos, encontrar soluções para os problemas e trabalhar diversas áreas de conhecimento simultaneamente.

No final de 2007, Marcelo saiu do governo porque sentia que os projetos de PPP deixaram de ser prioridade. Ele ainda trabalha com parcerias públicas-privada, mas no Instituto de Corresponsabilidade pela Educação. Lá, auxilia diretores de escolas públicas a administrar melhor as escolas, ajudando a implementar um modelo de educação de ensino integral, que tem como centralidade o jovem e seu projeto de vida.

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