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Uma conversa sobre tecnologia com o diretor de marketing da HP

Por Rafael Carvalho

Marcio Furrier fala sobre a aposta da HP no pensamento inovador e as tendências no mercado de produtos tecnológicos nos próximos anos

Marcio Furrier, diretor de Marketing da HP, está há quase 14 anos na empresa. Todos esses anos de janela, contemplando as realidades e as tendências do mundo da tecnologia da informação, permitiram a Marcio, um veterano com cara de menino, acumular um bocado de conhecimento de grande utilidade para empreendedores e inovadores.

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O portal Draft conversou com Marcio na sexta pré-Carnaval, na sede da HP, em São Paulo. Enquanto o país se preparava para a folia, o jornalista Fábio Bracht mais de uma hora com Márcio, olhando para o futuro da tecnologia, para as tecnologias do futuro, para a revolução digital e para o lugar da HP em meio a isso tudo – e em meio a sua vida e a minha. Com vocês, Marcio Furrier:

Sobre inventar o futuro (em empresas de qualquer tamanho)Inventar o futuro significa não ser míope do ponto de vista do marketing. Quando falamos de uma pequena empresa, ou de uma empresa gigante, como a HP, inventar o futuro passa basicamente por esse mesmo caminho, por cultivar essa sensibilidade de entender os consumidores e de permanecer relevante no mercado.

A HP não vende computador, não vende impressora. A gente vende maneiras melhores de as pessoas lidarem com suas imagens, com suas informações, com seus documentos. É isso que tanto a pequena empresa quanto a grande devem procurar em nossas soluções.”

Sobre o pensamento inovador “O pensamento que deve estar na cabeça do empreendedor, em essência, é: como eu posso servir o meu público de uma maneira melhor? Como eu posso fazer com que as pessoas sejam mais produtivas, permitir que elas usem o tempo delas para criar, para produzir coisas interessantes?

Diante de qualquer mercado, penso que o empreendedor deve refletir: que tipo de problema existe na sua vida, na minha vida, e que eu posso resolver? O que nos incomoda todos os dias, que tipo de solução para essa insatisfação eu posso oferecer? Como eu posso, através dos meus produtos, dos meus serviços, tornar a vida das pessoas melhor ou mais prazerosa? Esse é o norte da inovação que gera consumidores felizes.

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Sobre o direcionamento e a visão estratégica da HP para 2015Nosso esforço é compreender onde estão as lacunas nas vidas pessoas e das empresas para as quais a HP pode fornecer soluções de tecnologia. Para o futuro próximo, identificamos quatro grandes pilares onde focar nossos esforços e nossa atenção: Big Data, Segurança da Informação, Mobilidade e Cloud. Esses quatro grandes pilares levaram a HP a formar o que chamamos de Novo Estilo de TI. A gente acredita que é na conjunção desses territórios que temos que focar para identificar as necessidades e dores de cabeça que as pessoas e os empreendedores têm, e que a gente pode ajudar a diminuir com nosso expertise.”

Sobre a importância da mobilidade e do cloud computing Hoje você vê que o processo de compra, especialmente do público de 18 a 30 anos, flui através de diversos aparelhos: ele pode começar sua pesquisa no celular, em outro momento fazer comparações de preço em um tablet e pesquisar de lojas no computador, para só então realizar a compra em um ponto de venda físico — ou mesmo na própria internet. Pelo menos 60% dos nossos consumidores, hoje, realizam pelo menos uma parte da experiência de compra online. Essa mobilidade trabalha de mãos dadas com cloud computing. Um fator possibilita e influencia o outro – e vice-versa”

Sobre as possibilidades da mobilidade no segmento comercial “Vemos um grande potencial no conceito de mobilidade na área de computadores pessoais, os PCs, dentro do segmento comercial e queremos trabalhar com esse potencial. Hoje o profissional, seja ele de Tecnologia de Informação (TI), ou de qualquer outro segmento, precisa ter um equipamento e uma estrutura de TI que possibilite que ele possa realizar o seu trabalho de onde quer que esteja. O escritório não é mais o único lugar de onde a pessoa trabalha. Todo esse ecossistema de aplicativos e de equipamentos que permitem a um funcionário de qualquer empresa trabalhar de onde quer que ele esteja é fantástico como visão de mercado, e expande muito a possibilidade de negócios.”

Formatos alternativos para “segunda tela” e o futuro da TV “Para o mercado consumidor, temos computadores conversíveis que se transformam de um notebook em um tablet de acordo com a necessidade do usuário, dando a ele muita flexibilidade para cada um de seus momentos. Hoje, 40% dos brasileiros assistem TV ao mesmo tempo em que se concentram em uma segunda tela. E essa tela pequena ganha cada vez mais prioridade sobre a grande. Isso também leva a gente a questionar: qual será o papel da televisão no futuro? A sua tela grande, a sua tela nobre, aquela que fica no centro da sua sala, para o que ela vai servir? E como a gente pode gerar conteúdo de internet para essas telas maiores?”

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Os desafios do turbulento mercado brasileiro do próximo ano “Enxergamos três desafios principais. Primeiro: como podemos desenvolver produtos para uma parcela significativa de consumidores que agora está entrando de verdade no mercado de consumo? Segundo: como podemos trabalhar com a comunidade de desenvolvedores para que tenhamos aplicativos que sirvam bem a nossa realidade? Para que possamos trazê-los para dentro do nosso ecossistema? Terceiro: como podemos trafegar por esse período de transição econômica no Brasil? Devemos ter um ano agora, em 2015, com desafios e ajustes, então, como podemos trafegar bem até passar essa fase turbulenta?

O grande desafio para esse ano, num cenário ainda bastante incerto, onde o bolo não necessariamente vai crescer, é: como podemos ter a maior fatia possível desse bolo? A grande aposta da HP nesse cenário vem sendo a inovação.”

As inovações que a HP vem trazendo ao mercado “Nos últimos meses fizemos dois lançamentos importantíssimos, que eu acredito serem realmente muito disruptivos do ponto de vista de tecnologia. O primeiro foi o Sprout. O segundo, ao qual normalmente não é dado a mesma atenção, e eu acredito que se deveria, é o da tecnologia HP de impressão 3D.

O Sprout é a primeira grande aplicação comercialmente disponível que procura lidar com esse tipo de conceito de blended reality. (Marcio afirma que o blended reality, que em português seria algo como “realidade misturada”, é o conceito-chave do computador Sprout, que permite escanear objetos físicos e manipulá-los digitalmente. Essa ponte do físico para o digital, com novas interfaces de manipulação, é importantíssima para a HP — assim como o caminho inverso, de fazer a ponte do digital para o real usando impressoras 3D). A tecnologia de impressão 3D da HP é disruptiva porque dá ao usuário um resultado preciso, sem aquelas rebarbas características de impressões 3D, e em qualquer material: cerâmica, metal, plástico etc, e em cores.

Um grande trabalho que estamos fazendo é o de mostrar as inovações da HP, mostrar que não estamos parados no tempo — ao contrário, estamos trazendo coisas muito novas, e fazendo com que essas coisas cheguem o mais rápido possível às mãos dos consumidores, com preços acessíveis.”

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Sobre o potencial da impressão 3D “No início da curva de produto, as aplicações são para profissionais. Alguém que manipula arte, editoração. No caso da impressão 3D, quem trabalha com prototipagem, maquetes, e assim por diante. Mas a ideia é que com o tempo esse ecossistema inclua aplicações que permitam usos para consumidores e também pequenos empresários. Em algum momento não me surpreenderia que você tivesse birôs, na sua rua mesmo, para os quais você poderia mandar um arquivo de impressão 3D, e que esse birô pudesse fazer a impressão de um objeto que você comprou no ambiente virtual. 

O potencial dos wearables “Estamos chegando muito próximos de um limite de miniaturização, por isso a interação precisa começar a evoluir para novos paradigmas. Um deles são justamente os wearables – a tecnologia que você veste. Vamos começar a ter uma interação muito mais direta entre homem e tecnologia através deles. A tendência é que os wearables vão além dos relógios e se especializem para atender necessidades muito específicas. Talvez a gente vá ter wearables próprios para, por exemplo, fazer academia, monitorar saúde, estabilizar a condição de saúde dos idosos e assim por diante. É uma tendência que deve demorar um pouco mais para se tornar realidade, mas já estamos começando a ver isso acontecer com alguns poucos produtos. E é assim que começa. Com experimentação. E estamos muito atentos a todo esse cenário na HP. Somos partícipes desse movimento em direção ao futuro.”

Este artigo foi originalmente publicado em DRAFT 

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