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Trabalhar com educação sem ser professor: como se encaixar no ramo com diferentes backgrounds

Por Tatyane Mendes

Mesmo com formações diversas, é possível atuar no ramo educacional em startups e institutos focados na divulgação de conhecimento, por exemplo. Conheça a trajetória de três profissionais de backgrounds diferentes no setor.

Quando se fala em educação, umas primeiras figuras que aparecem no imaginário é a do professor. Mas, para além da licenciatura, existem diversas possibilidades de atuação na área. Coordenador pedagógico da Vereda Educação, escola-modelo integral que se dedica a desenvolver alunos em múltiplas inteligências além das disciplinas tradicionais, Alexandre Sayão aponta setores como operações, gestão de projetos e análise de dados entre as opções para quem tem background diverso, como as suas em Economia e Administração.

Alexandre sempre teve vontade de trabalhar com educação. “Sentia que na escola só éramos preparados para provas e deveria ser um espaço para aprendermos de fato a sempre aprender, a exercer o senso crítico, trabalhar em grupo, pesquisar, debater e desenvolver nossas próprias ideias. Enfim, nos preparar para a vida”, explica.

“Grupos de educação básica ou superior, empresas, startups de tecnologia para educação, além de fundações que apoiam o ensino público, também são instituições que podem buscar profissionais de outras formações”, indica. A própria escola-modelo atualmente desenvolve sua operação e, para isso, procura complementar seu time de forma diversificada.

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Fazendo a transição para a educação

Vindo de outra área, a transição de Alexandre para a área educacional dependeu da experiência em gestão e motivação pelo propósito. O estímulo pelo ideal também ocorreu com Marcelo Monteiro, responsável pela parte financeira da Vereda. Ele reforça que para trabalhar com educação, não é necessário estar na ponta do processo como professor(a).

Segundo Marcelo, a atuação no ramo vai além do ensino, e também compreende fomentar e fazer parte de um projeto que atue no segmento.

“Queremos fazer acontecer não só por nós, mas para fazer um país melhor, formando futuras gerações que vão para o mercado de trabalho”, revela.

Apesar de seu trabalho ser muito técnico na parte de finanças, ele atua em frentes como atendimento e contato com os pais. “Me sinto no dever de propagar as oportunidades que tive, e que muitas pessoas não tem. Nesse sentido, o setor de educação faz muito sentido para mim. O propósito me motiva muito no dia a dia e tem um alto impacto pessoal”, garante.

Formada em Biotecnologia, Laís Scattolon é gestora de pessoal da Vereda. “Antes de entrar nesse emprego, eu não conseguia entender como trabalhar com educação era possível. Mas eu enxergava essa área como um caminho que eu queria seguir e casou com a oportunidade que apareceu”, destaca “É uma responsabilidade muito grande e tudo que a universidade me proporcionou foi muito importante nessa transição.”

Qual é o perfil buscado

Para Laís, nesse setor em específico, é essencial ter foco em evolução e capacidade de construção criativa. Marcelo complementa que é necessário desenvolver habilidades relacionadas ao atendimento ao público, e também buscar sempre conhecimento, ser proativo e comunicativo, ser aberto a troca de opiniões e gostar de trabalhar em equipe.

O coordenador pedagógico ainda pondera que não existem fórmulas infalíveis.

“A educação exige, de um lado, uma visão clara de onde se quer chegar, mas de outro, determinação para trabalhar essa construção diariamente e humildade para rever e melhorar práticas sempre que necessário.”

Desafios para o futuro da educação

De acordo com a gestora de pessoal da Vereda, o mais importante para um trabalho eficiente no setor é que o empreendimento tenha foco na execução. “A educação no Brasil não funciona bem. As escolas públicas não atendem os requisitos mínimos de ensino”, diz ela. “Precisamos tornar a educação mais acessível porque estamos formando o caráter de pessoas.”

“O grande desafio hoje é a universalização de uma educação de qualidade. Para chegarmos lá, precisamos superar algumas barreiras, como a formação de professores desconectada da prática, a falta de valorização da carreira docente e a descontinuidade de políticas públicas, dentre outras”, opina Alexandre. O gerente de finanças Marcelo acrescenta que o nível de educação deve ser alto, mas com baixos custos – uma das propostas da escola-modelo. Assim, segundo ele, há mais possibilidade de causar impacto social.

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