Guilherme Coube - Projeto Conecta de inclusão digital

Um dos efeitos da pandemia do coronavírus foi que as pessoas precisaram estar mais presentes no mundo digital. Contudo, dados do IBGE mostram que 25% da população brasileira não tem acesso à internet. No contexto de isolamento social, isso impede esses indivíduos de fazer uso da educação à distância e até mesmo ferramentas para receber o auxílio emergencial. Pensando nisso, o estudante Guilherme Coube criou o Conecta Panorama, iniciativa que busca promover a inclusão digital em uma comunidade carente.

Nascido e criado em São Paulo, o jovem de 16 anos, que se prepara para entrar em uma faculdade no exterior por meio do preparatório gratuito da Fundação Estudar Prep Estudar Fora, sempre se interessou por atividades extracurriculares. O espírito de liderança e a vontade de resolver problemas fez com que Guilherme constantemente se dedicasse a criar novas soluções para questões que encontrava no seu dia a dia. A paixão pela engenharia e sustentabilidade o levou a desenvolver diversos projetos como a construção bicicletas de bambu sustentáveis.

Com o protótipo, ele ganhou o 3º lugar em engenharia na Mostra Paulista de Ciências e Engenharia de 2017. O estudante também foi selecionado para uma bolsa de iniciação científica do CNPq por uma pesquisa sobre energias renováveis, entre outros reconhecimentos. Mas seus interesses não estavam voltados exclusivamente para o campo acadêmico. Foi uma preocupação social que inspirou Guilherme a criar o projeto Conecta Panorama.

 

 

 

 

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O propósito da inclusão digital

Na rua em frente à escola em que o estudante cursa o ensino médio, uma comunidade vulnerável do bairro Jardim Panorama sentiu fortemente o impacto da crise da Covid-19. A instituição de ensino se mobilizou para fornecer alimentos e máscaras para os moradores, mas Guilherme entendeu que talvez isso não fosse o suficiente. Para ele, a falta de internet era uma questão tão importante quanto a falta de itens de higiene e saúde.

“Isso impedia os residentes de acessar de forma confiável programas de ajuda do governo e o ensino online. Embora meu próprio privilégio tenha facilitado a transição para o aprendizado online, as crianças e os adultos vizinhos estavam sendo deixados para trás. A pandemia teve o triste poder de restringir o acesso à economia àqueles que estavam conectados. Enxergando essa disparidade, entendi que a promoção da cidadania digital é essencial para evitarmos que a desigualdade social e econômica brasileira continue a crescer”, analisa.

Comprometido em resolver esse problema, o estudante fez uma parceira com Geraldo Zahran, professor da equipe de engajamento com a comunidade da escola. Juntos, eles fundaram o Conecta Panorama com a missão de promover a inclusão digital da comunidade e ajudá-la a gerar desenvolvimento interno por meio da conectividade. O projeto ainda contou com a colaboração de Sylvia Guimarães e Diego Leonardo, diretora de engajamento comunitário e gerente de TI da escola, respectivamente

Ajustando realidade vs. expectativas

Com o desejo de ajudar, o grupo fez uma visita ao bairro para conversar com os moradores e entender a realidade em que vivam e suas necessidades. A partir desse encontro, começaram a desenhar formas de gerar essa inclusão digital. Guilherme assumiu a responsabilidade de propor os métodos de conectividade que seriam implementados na comunidade.

No entanto, as coisas não saíram como o planejado. Nas primeiras apresentações a potenciais investidores, o estudante recebeu um feedback negativo sobre comunicação ineficaz e oferta fraca.

“Inicialmente, interpretei como uma crítica direta à minha capacidade de gerenciar projetos e comunicar minhas ideias. Eu havia ficado cego pelo meu próprio apego emocional à solução original que imaginei. Eu precisava ouvir mais a comunidade e agir de acordo com suas necessidades. Às vezes, temos as melhores intenções mas erramos. Esta reflexão me obrigou a lidar com os meus próprios pontos cegos, combinando as preocupações dos stakeholders com a necessidade do Jardim Panorama”, revela.

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Conversando com mentores e especialistas em engajamento da comunidade da escola, Guilherme percebeu que os cidadãos do Jardim Panorama eram as pessoas mais indicadas para gerar o próprio desenvolvimento a longo prazo. “Não queríamos fazer assistencialismo. Portanto, voltei à comunidade para discutir soluções com os cidadãos, em vez de apenas examinar seus problemas. Levamos em conta os diversos pensamentos e prioridades que meus vizinhos tinham. Assim, estabelecemos o Conecta Panorama como uma iniciativa de infraestrutura de longa data, em alternativa ao acesso único à Internet para a inclusão digital”, aponta.

Em um primeiro momento, o grupo está distribuindo modems 4G a mais de 300 famílias com crianças em idade escolar, em uma parceira com a empresa de telecomunicações Surf Telecom. Além disso, os recursos arrecadados por meio de crowfunding irão ajudar o Coletivo de Mulheres do Jardim Panorama a desenvolver um centro de inovação e educação na comunidade, empoderando os líderes comunitários.

“Embora a frente dos modems tenha ajudado diversas famílias, diminuindo o problema mais urgente de acessar a educação online, acreditamos que conseguiremos deixar um legado na comunidade como um todo a longo-prazo. Agora, precisamos ajudar o Coletivo de Mulheres a definir sua estrutura legal, com CNPJ e todos os requisitos necessários. Plantamos uma semente para o desenvolvimento interno, para ajudar a comunidade a se estruturar melhor e perceber o poder que tem“, revela.

Lições e conselhos para jovens lideranças

Embora não tenha resolvido todos os problemas de internet no Brasil, Guilherme aponta que leva aprendizados importantes da experiência voltada para a inclusão digital. Alguns deles são aprender a ouvir, equilibrar metas de longo prazo com soluções ousadas de curto prazo e tomar decisões mais criteriosamente pensadas. “Essas lições me inspiraram a passar mais tempo colaborando diretamente com pessoas de diversas origens. Dessa forma, juntos podemos crescer e liderar mudanças”, afirma.

Para outros jovens que tenham interesse em desenvolver projetos de alto impacto, o estudante oferece quatro conselhos:

  1. Trabalhe com um propósito: É importante identificar quais são suas paixões e traçar metas claras para desenvolvê-las. Guilherme recomenda obstinação para alcançar os objetivos.
  2. Seja humilde: “Vejo que é importante reconhecermos que não sabemos tudo. Precisamos sempre buscar conhecimento e ativamente se colocar em uma posição de respeito perante ao conhecimento de outros”, recomenda.
  3. Seja cara-de-pau: Para o estudante, as pessoas não devem ter medo de tomar riscos. Ele incentiva que as pessoas perguntem, mandem e-mail para a pessoa que querem ter como mentor(a) e formem parcerias. A máxima de que o “não” já está sempre garantido é verdadeira, segundo ele.
  4. Pense a longo-prazo: Guilherme finaliza com uma frase de Einstein: “Juros compostos são a maior força do universo”. Com isso, ele reforça que tudo o que as pessoas fazem tem um impacto no futuro. “O quanto antes começarmos a agir, nossas ações se complementam mais. Penso que pequenos momentos de sacrifício sempre retornam exponencialmente no futuro”, avalia.

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