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Política no trabalho: como as organizações podem ser agentes de conscientização

Por Suria Barbosa

Abordar o tema no ambiente profissional envolve uma dose extra de cuidados, mas pode ser uma boa prática para as organizações. Conheça duas iniciativas que, completamente diferentes, conseguiram envolver os colaboradores e fomentar sua conscientização.

“Tudo tem a ver com política”, afirma Lorena Bernardes, estudante de Administração Pública e Estagiária em Relacionamento Jovem da Fundação Estudar. “Nossa vida é regida por política, desde o preço do arroz, do feijão, até a gasolina, até se tem um ônibus que passa a 10 minutos da sua casa.”

Com foco na conscientização da equipe da Estudar, ela e Ricardo Martins, estagiário em restituição, criaram o grupo “Política se discute, sim!”. Duas vezes por semana, até as eleições do primeiro turno para presidência, abordavam o plano de governo de cada candidato, explicando as medidas previstas para os outros colegas.

No primeiro encontro, no entanto, os tópicos tratados foram introdutórios acerca do sistema político brasileiro. “O intuito era trazer de forma didática, para que todos entendessem”, explica Lorena.

Posicionar-se como agente informador na época de eleições também foi uma escolha da multinacional Votorantim. A companhia se apropriou da tecnologia para criar o Guia do Voto, um site aberto ao público em que reúne conteúdo produzido por um cientista político sobre o processo eleitoral brasileiro e os cargos eletivos. O objetivo: ajudar o eleitor a exercer a cidadania de forma consciente.

“A escolha da plataforma partiu da ideia de engajar, inicialmente, todos os funcionários da Votorantim no Brasil, aproximadamente 35 mil pessoas”, conta Mauricio Mussi, gerente jurídico e de relações institucionais, “com o amadurecimento do projeto e diante das pesquisas eleitorais que indicavam um índice muito grande de eleitores indecisos nestas eleições, decidimos encarar o desafio de levar a causa do Voto Consciente para o público em geral.”

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Vale a pena se envolver nessa esfera?

Para a estagiária da Fundação Estudar, é interessante que o trabalho seja um ambiente de conscientização, principalmente, porque o direito trabalhista se relaciona às políticas públicas. De fato, a iniciativa da Votorantim S.A, por exemplo, surtiu efeito positivo no quanto os colaboradores se sentiam informados. Alguns relataram que o conteúdo da plataforma ajudou-os a compreender melhor o sistema político e outros, inclusive, ficaram surpresos ao descobrir que antes conheciam pouco sobre o tema. “A recepção dos colaboradores foi muito positiva”, acrescenta o gerente.

Do outro lado, esse tipo de prática reforça a instituição como agente positivo e motor de protagonismo, considera Lorena. “A empresa que quer isso não vai falar só sobre política, vai falar sobre outros temas. Política tem que ser um deles porque é uma das frentes que está influenciando diretamente na nossa vida.”

“Como na vida pessoal, o trabalho é um ambiente democrático em que as pessoas exercitam diariamente os seus direitos e deveres de cidadãos, portanto é propício para se trabalhar causas nobres como a conscientização política e cidadania”, destaca Mauricio. Mas, ele acrescenta, porém, que no ambiente de trabalho é imprescindível respeitar as preferências individuais e tomar cuidado para que a opinião pessoal de um colaborador não se confunda com o posicionamento da companhia.

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Pontos de atenção ao se tratar de política no trabalho

A fim de manter uma situação de respeito às opiniões particulares e com o cuidado de não impor “verdades”, é preciso que o tema seja tratado com imparcialidade (com neutralidade e apartidariamente). Esse, segundo o gerente jurídico e de relações institucionais, foi o principal desafio.

“Isso nos fez tomar decisões importantes ao longo do projeto que impactaram algumas funcionalidades do Guia do Voto”, explica ele. Além disso, ele acrescenta que essas escolhas implicaram em uma jornada mais complexa ao usuário da plataforma. “Mesmo assim, preferimos assegurar a neutralidade.”

Na Fundação Estudar, Lorena conta que também houve um cuidado em separar o “indivíduo” do “funcionário” e da organização. “Mas tem que existir divergências porque, se todo mundo pensar da mesma maneira, não crescemos. E, pensando de forma igual, também não abarcamos todo mundo.”

Buscar entender, estudando, todas as opções de partidos e candidatos, por exemplo, pode ajudar: “Fica mais fácil compreender o que leva as pessoas a acreditarem e defenderem suas opiniões e escolhas, pois refletem o perfil, os ideais e a história de vida de cada um”, destaca Mauricio. 

 

 

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