Um Projeto: Fundação Estudar
Marcelo Millanello

Como é (de verdade) o trabalho em diferentes áreas do governo

Por Ana Pinho

Da Presidência da República à Prefeitura de Contagem, cinco profissionais falam sobre responsabilidades, rotinas e motivações e dão conselhos para jovens que consideram a carreira

Cercado de mitos e estereótipos, o trabalho no governo pode ser muito diferente do que se pensa. O que vem à cabeça de muita gente é burocracia, morosidade e pouca eficiência, mas a realidade não é sempre assim.

Se por um lado muitos optam pela carreira de olho apenas em benefícios marginais, como a estabilidade no emprego, por outro, são os cargos públicos que concentram o maior potencial de impacto em larga escala no país.

Os chamados funcionários públicos atuam em uma variedade de níveis, órgãos, departamentos, áreas e funções com uma série de especificidades, rotinas e planos de carreira. As próprias formas de vínculo empregatício divergem, indo dos que entram via concurso público aos que ocupam cargos comissionados. As segmentações são tantas que é natural não entender, logo de cara, as diferenças entre um e outro cargo.

Ainda assim, para atrair mais talentos para os quadros do governo e melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados, é importante que as pessoas entendam melhor como é o dia a dia nesses cargos, quais são os desafios e as possibilidades de atuação e crescimento.

Pensando nisso, o portal de carreiras Na Prática conversou com seis Líderes Estudar – rede de jovens de alto impacto apoiados pela Fundação Estudar – que atuam em diferentes órgãos do setor público para ouvir deles um pouco sobre seus cotidianos e oportunidades de crescimento.

Para que se interessa pelo assunto, também é possível fazer o download gratuito dos ebooks “Brasileiros que estão transformando a gestão pública” e “O guia de como fazer a diferença no setor público”.

João Augusto Sobreiro Sigora, chefe-adjunto da assessoria internacional do Ministério do Desenvolvimento Social

João Sobreira


[João Augusto Sobreiro Sigora / Acervo pessoal]

Enquanto estudava Relações Internacionais na Universidade de Brasília, João descobriu uma nova carreira federal: analista de políticas sociais.

Interessado pela novidade e motivado pela melhoria da qualidade de vida brasileira, preparou-se para o concurso e começou a trabalhar, meses depois, no Ministério do Desenvolvimento Social, que tem um leque amplo de iniciativas sociais, do Bolsa Família à proteção social de idosos.

Ao longo de três anos, passou de analista a assessor técnico e, depois, chefe-adjunto da assessoria internacional do órgão. Hoje, João está de licença enquanto cursa seu mestrado em políticas públicas na University of Oxford, na Inglaterra.

“Quando se está na gestão pública, sua empresa, em última instância, é o seu município, seu estado ou seu país – e a escala de impacto de tudo o que você faz ou deixa de fazer é algo que ao mesmo tempo desafia, estimula e gratifica”, resume.

1. Quais eram suas responsabilidades na prática?

Quando deixei Brasília para iniciar o mestrado, minha responsabilidade era assessorar diretamente o Ministro em temas internacionais e coordenar uma equipe de 11 pessoas encarregada de uma carteira de vários projetos.

2. Como era sua rotina de trabalho?

Bastante variada, mas todas as tarefas sempre envolviam muita articulação com uma gama ampla de atores, em especial com equipes de outros departamentos internos, órgãos de governo, governos estrangeiros e agências da ONU. Isso contribuía para o dinamismo do trabalho e para uma expansão muito acelerada da rede de contatos.

Especialmente quando passei a coordenar a equipe da assessoria internacional, também pude experimentar o engajamento com projetos e temas bastante diversos.

Às vezes, eu tinha que recepcionar uma delegação da Índia pela manhã para apresentar o funcionamento do programa Bolsa Família, participar de uma reunião no Itamaraty para tratar do posicionamento brasileiro na negociação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU à tarde e, no início de noite, sentar no computador para preparar algum subsídio solicitado pelo Ministro.

3. O que é preciso saber para trabalhar na gestão pública?

Para quem tem senso de propósito, o principal pró é o sentimento de fazer a diferença e contribuir para a sociedade. E fazer essa contribuição não tem que ser sinônimo de sacrifício pessoal desmedido: é possível desenvolver na gestão pública uma carreira instigante, que premie o esforço pessoal e ofereça uma remuneração justa.

O contra é o desafio constante de não deixar que os processos tenham prioridade sobre os resultados. Não há dúvida de que na gestão pública os resultados importam, mas os processos também são importantes porque eles precisam garantir que tudo está sendo feito com respeito à lei, transparência e participação da sociedade. Quando os meios são tão demandantes, é fácil perder de vista os fins, e a gente tem que evitar isso o tempo todo.

A tarefa da gestão pública é lidar com os problemas mais difíceis que afligem a nossa sociedade.

Resolver a crise penitenciária, promover a mobilidade urbana, expandir a educação infantil – isso tudo é desafiador para caramba. Não há respostas claras para essas preocupações e, ainda que houvesse, implementá-las exigiria o convencimento de uma gama muito ampla de atores.

Quem escolhe trabalhar com a gestão pública escolhe lidar com esse tipo de problema, mas é possível fazer uma diferença enorme quando juntamos gente comprometida e competente para resolvê-los.

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4. O que diria para um jovem que está considerando o trabalho na gestão pública?

Se você gosta de desafios, a gestão pública está cheia deles!

Como em qualquer empresa ou setor, na área pública você vai encontrar gente com experiências boas e outras com experiências ruins, mas acho que a mensagem a ser passada é de que é possível ter uma carreira desafiadora, estimulante e recompensadora.

E para quem quer experimentar o trabalho com a gestão pública, recomendo que conheça o programa de trainee do Vetor Brasil [ONG que leva talentos de alto potencial para dentro da gestão pública por até dois anos].

Leia também: Conheça o programa de trainee Vetor Brasil para uma carreira no setor público

Joyce Queiroz, assessora de gabinete na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste

Joyce Queiroz


[Joyce Queiroz / Acervo pessoal]


Os estudos levaram Joyce do interior do Pernambuco, onde nasceu, ao Rio de Janeiro, onde cursou Engenharia de Computação no Instituto Militar de Engenharia.

Após uma experiência no Exército, ela trabalhou no mercado financeiro e em uma consultoria estratégica no eixo Rio-São Paulo, sempre pensando em um dia retornar ao nordeste e melhorar as condições de vida da população.

Em 2013, prestou concurso e foi aprovada como analista administrativa na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), autarquia vinculada ao Ministério da Integração Nacional e onde começou a trabalhar no ano seguinte.

“Para crescer no serviço público, é preciso esforço e dedicação”, conta. “Na grande maioria dos dias, acabo trabalhando até mais do que as oito horas regulamentares sem nem me dar conta de que a hora passou. E para quem não sabe, servidor público não recebe hora extra.”

1. Quais são suas responsabilidades na prática?

A SUDENE possui três diretorias: Planejamento e Articulação de Políticas, Fundos e Incentivos Especiais e Administração.

Este ano, assumi a função de assessoria do gabinete para os temas afins à Diretoria de Planejamento e trabalho assessorando o diretor de planejamento e o Superintendente no desenho e acompanhamento dos projetos estratégicos e de maior impacto da SUDENE.

Minha principal responsabilidade é garantir que estes projetos não se percam na burocracia e procurar soluções legais e orçamentárias para que estes se transformem em resultado para sociedade.

2. Como é sua rotina de trabalho?

É um pouco imprevisível. Tenho horário para entrar, mas nunca para sair. Eu trabalho diretamente com o Superintendente (o gestor máximo da autarquia) e o diretor de planejamento e os acompanho em reuniões técnicas, eventos e viagens sempre que necessário.

3. O que é preciso saber para trabalhar na gestão pública?

Você tem que gostar do que faz. É um trabalho que não tem “job description” e nem sempre tem os recursos necessários. Já trabalhei em mesa quebrada, fiquei dias sem computador, desci treze andares de escada por semanas porque o elevador quebrou, fiquei sem banheiro… Mas também já participei de eventos internacionais de alto nível e já tive contato com os alguns dos maiores formuladores de políticas públicas do país.

No final do dia, você precisa estar disposto a fazer o melhor possível com os recursos que tem. Se não está disposto a fazer telefonema, arrumar arquivo, minutar documentos, pedir almoço, recepcionar pessoas e ficar até tarde para cumprir um prazo, melhor nem começar.

Mas a maior gratificação é ver a população sendo impactada por um projeto que você ajudou a viabilizar.

4. O que diria para um jovem que está considerando o trabalho na gestão pública?

Se você está disposto a trabalhar no que for necessário, mesmo em coisas “chatas” como instrução processual, e quer uma oportunidade de gerar impacto na sociedade, a gestão pública pode ser o seu lugar.

Mas escolha muito bom em que órgão trabalhar e qual cargo seguir – não faça qualquer concurso só por causa do salário. Procure saber a natureza do trabalho de cada órgão, condições de trabalho e de carreira, cultura e a forma de gestão. Procure saber também sobre o nível de autonomia do órgão de do cargo específico que você almeja.

Leia também: Teste de valores: você sabe o que é mais importante para você?

Marco Aurélio Barcelos, secretário especial adjunto da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República

Marco Aurélio Barcelos


[Marco Aurélio Barcelos / Acervo pessoal]

O currículo de Marco Aurélio na gestão pública é longo. Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, obteve seu mestrado na mesma instituição e também na University College London.

Hoje, é doutorando em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo e ainda dá aulas na Instituto Brasiliense de Direito Público, em Brasília, onde trabalha como secretário especial adjunto da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República.

Antes disso, foi diretor jurídico da SP Negócios, uma empresa de economia mista da Prefeitura de São Paulo que envolve parcerias público-privadas (PPP), assessor de Ministro do Superior Tribunal de Justiça e diretor de PPP do governo de Minas Gerais.

Tudo começou há treze anos com um convite de Antonio Anastasia, seu professor de graduação e então Secretário de Planejamento de Minas Gerais, que estava na época montando a primeira unidade de PPP do Brasil.

“O que há de mais motivador na gestão pública, e nos temas com os quais trabalho, é poder participar dos processos de decisão que vão impactar a vida de milhares de pessoas”, diz. “Pensar que as discussões que temos podem dar novos ares à forma como os serviços públicos são prestados para a sociedade é muito entusiasmante.”

1. Quais são suas responsabilidades na prática?

Na Secretaria do PPI da Presidência da República, ocupo o cargo de diretor de assuntos Jjrídicos e regulatórios. Tenho me envolvido com diversos projetos e a minha maior preocupação é contribuir para a melhoria do ambiente regulatório (o que significa revisar leis e atos normativos) e com o desenho dos contratos (o que significa buscar sempre criar e aplicar boas práticas na sua elaboração).

2. Como é sua rotina de trabalho?

Em todos os órgãos em que eu trabalhei, o dia a dia sempre foi muito dinâmico. Não há uma rotina repetida de tarefas. Há sempre muitas reuniões que se destinam a colher informações e tomar decisões, além do tempo dedicado à leitura e elaboração de documentos.

Você acaba conhecendo muito gente boa e muitos líderes, desde os secretários, ministros a técnicos de alto escalão. Uma coisa é certa no serviço público: tem muitas pessoas que trabalham duro e sacrificam seu tempo e seu lazer para dar o melhor de si. Sou muito grato por ter conhecido tantas pessoas com esse perfil que ainda me inspiram muito.

3. O que é preciso saber para trabalhar na gestão pública?

Os principais benefícios de trabalhar na gestão pública é ter a oportunidade de atuar diretamente na mudança e construir, desde o início, políticas e projetos que podem impactar fortemente a vida das pessoas.

Há, no entanto, alguns contras e muitos desafios. Os salários nem sempre são compatíveis com o mercado e a estrutura nem sempre é adequada. Às vezes faltam materiais básicos, às vezes faltam recursos humanos e é preciso ter muita resiliência para vencer os avanços e retrocessos de um projeto.

O maior mito é o de que as pessoas não trabalham. É claro que há alguns profissionais que seguem uma rotina passiva, e que parecem não vestir a camisa. Mas há muita gente que vira a noite, trabalha no final de semana e, o melhor, faz isso porque realmente gosta.

4. O que diria para um jovem que está considerando o trabalho na gestão pública?

Acho que vale muito a pena ter a oportunidade. É um aprendizado que não se consegue nos livros ou na escola. Quem quiser entender os problemas do país e ter a chance de dar a sua contribuição para melhorá-los, esse é o lugar. É melhor do que, como se diz por aí, ficar só fazendo “textão no Face”.

Leia também: ‘Precisamos de líderes com valores e ideais’, defende Marina Silva


Marcela Trópia, assessora Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão e Orçamento de Contagem

Marcela Trópia


[Marcela Trópia / Acervo pessoal]


Aos 15 anos, Marcela foi convidada para participar do grêmio da escola. Encantada com a político, participou de simulações da ONU e de parlamentos legislativos, filiou-se a um partido e participou de conferências.

Não foi surpresa, então, quando decidiu cursar Administração Pública na Fundação João Pinheiro e, em 2016, aos 21 anos, concorrer pela primeira vez à vereadora municipal.

Hoje, é assessora na Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão e Orçamento da Prefeitura de Contagem.

“Minha missão é utilizar o conhecimento que recebi ao longo dos anos na política e no curso de graduação para transformar o setor público internamente, melhorando seus processos e trazendo tecnologia e eficiência, e externamente, buscando retomar a confiança das pessoas nas instituições públicas e nos políticos”, resume.

1. Quais são suas responsabilidades na prática?


Minhas atividades envolvem a elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2018-2021 – um instrumento obrigatório de gestão previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal –, que determina todos os programas e ações a serem executados pelos órgãos durante o mandato, além da elaboração de indicadores para o monitoramento das metas pactuadas nesse documento.

Além disso, estamos trabalhando em um Plano Estratégico 2030, que busca pensar a Contagem do futuro, embasada pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. No momento, estamos visitando todos os órgãos da prefeitura para mapear as ações que eles já executam e as novas que estarão no próximo PPA.

2. Como é sua rotina de trabalho?

Tenho reuniões frequentes com a Secretária de Planejamento e outras lideranças da prefeitura. Ela me forneceu muita liberdade de criação na minha função e estou usando essa autonomia para trazer o Colab.re para Contagem e também outros parceiros inovadores.

Ainda não começamos a viajar. Porém, quando começarmos a elaboração do Plano Estratégico, existe a vontade de conhecer iniciativas bem-sucedidas, como as de São Paulo.

3. O que é preciso saber para trabalhar na gestão pública?

Os problemas são vários: geracionais, resistência à mudança, decisões políticas sem embasamento técnico, mudança do corpo de trabalho a cada dois anos mediante eleições, orçamento limitado para as múltiplas demandas que o governo se propõe a resolver, falta de planejamento e corpo técnico…

Entre os prós, me deixa muito motivada saber que o trabalho é enorme e que estou fazendo minha parte. É um malabarismo diário para conseguir fazer as coisas acontecerem. Além disso, meu trabalho não está deixando nenhum dono de empresa mais rico, mas melhorando a vida das pessoas.

Na esfera municipal, parece que meu trabalho é mais real. A decisão de uma obra muda seu trajeto para casa, a construção de uma nova escola exige mais linhas de ônibus, a atração de investimentos gera mais empregos e mais riqueza, impulsiona o consumo e tudo isso é vivido em tempo real.

4. O que diria para um jovem que está considerando o trabalho na gestão pública?


Venha! Precisamos muito de mão de obra jovem. Eu particularmente acredito que o poder de transformação da Gestão Pública está nas mãos dos jovens, porque em momentos críticos como os que vivemos hoje nos Estados e Municípios só a energia da juventude para liderar e executar tudo que precisa ser trabalhado.

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Marcelo Cabral Milanello, coordenador do Centro de Informações Educacionais da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

Marcelo Millanello


[Marcelo Cabral Milanello / Acervo pessoal]

Formado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas, Marcelo começou sua carreira trabalhando em uma consultoria estratégica para afinar seu conhecimento ferramental.

Três anos depois, ingressou no serviço público, mais especificamente na carreira de especialista em política pública e gestão governamental. Foi alocado no Ministério da Casa Civil, onde monitorou o Programa de Aceleração do Crescimento por dois anos. Em 2011, mudou para a área de políticas sociais do Ministério do Movimento Social, onde ajudou a estruturar a governança do plano Brasil Sem Miséria e a formular o programa Brasil Carinhoso, voltado para a primeira infância.

“Eu acompanha um e dirigia o outro, foi uma experiência dupla intensa”, lembra. Em 2014, viajou para os EUA, onde cursou seu mestrado em políticas públicas na University of California, Berkeley.

Voltou com uma formação em análise quantitativa que atraiu a Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo – na carreira de Marcelo, há a possibilidade de ser cedido a outro nível governamental –, onde atua como coordenador do centro de informações educacionais desde janeiro de 2017.

“A recompensa é diferente no serviço público e a escala é muito bacana: uma melhoria pontual no processo pode impactar 75 mil professores e um milhão de alunos”, conta.

1. Quais são suas responsabilidades na prática?

Aplico muito do que aprendi em termos de análise quantitativa e monitoramento de informações ao obter informações para o censo escolar, frequência de alunos e toda a operação de matrículas e vagas, além de uma série de outros projetos. A ideia é permear a Secretaria com análise de dados para servirem de base para a tomada de decisão.

Tudo que falamos está na casa dos milhões e bilhões e temos um comando bacana, que autoriza e incentiva a inovação e é muito voltado para inovação.

Isso faz toda diferença para vencer as barreiras internas, mas é preciso conhecer os processos e as pessoas que têm experiência com eles – caso contrário, tudo fica no campo das ideias ou, no máximo, em um programa piloto.

2. Como é sua rotina de trabalho?

O dia a dia tem menos viagens do que eu tinha em Brasília, mas o que faço é ir para unidades – escolas e diretorias regionais – para entender os processos na ponta. Isso é muito valoroso pro trabalho, porque voltamos para trabalhar com os dados sabendo que tipo de análise devemos fazer.

Tenho 16 pessoas na equipe, que fazem muitas operações e têm demandas diárias de gestão que com toda dedicação. Também faço muitas reuniões internas com coordenadores e com outras secretarias que querem fazer integração de bases e estudos.

Dez por cento do tempo, estou fazendo as visitas externas e tendo diálogos com pesquisadores, professores, fundações e startups.

3. O que é preciso saber para trabalhar na gestão pública?

Entre os prós, está a motivação quase intrínseca do trabalho – você dificilmente tem alguma crise de consciência – e as organizações duradouras, que permitem que a gente estruture o trabalho de maneira que tenham continuidade.


Entre os contras, está a dificuldade de realizar coisas, inclusive aparentemente simples, que impedem ou atrasam processos. É preciso saber lidar e fazer acontecer.

Há também o problema da gestão de pessoas, porque são pouquíssimos os cargos comissionados e fica difícil trazer gente nova, e são poucas as iniciativas para ambiente de trabalho ser legal, como ter computadores adequados. É algo que me afeta pouco, mas sei que tem quem se incomode bastante.

Agora, o maior mito é de que não funciona. Os processos são mais demorados mesmo, mas é preciso entender quais são e quais são os processos alternativos – é o que diferencia uma gestão boa de uma ruim. Temos que buscar que elas funcionem cada vez melhor.

4. O que diria para um jovem que está considerando o trabalho na gestão pública?


Sempre que converso com pessoas mais jovens – falo muito com o pessoal do Vetor Brasil e do ProLíder [um programa gratuito de desenvolvimento de lideranças] –, é para incentivá-las.

Venha entender por dentro como a gestão pública funciona! Se tiver muita gente boa com boas ideias na máquina, tem mais chances de dar certo.

E para o pessoal novo que vai entrar na gestão pública, saiba que habilidades como mexer no Excel, que eram diferenciais, não são mais. Eles vão ter que ser melhores que quem entrou antes e precisam ter um cinturão de ferramentas mais complexos.

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