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design de produto

O que é e como funciona o trabalho de design de produto


Por Tatyane Mendes

Para compreender o processo de design de produto e as oportunidades de carreira que o setor oferece, o Na Prática reuniu profissionais da Nubank para desmistificar o segmento e debater sua importância.

Hoje estamos cercados por uma grande variedade de produtos. Desde o computador, celular ou tablet utilizado para ler essa matéria até coisas simples como escovas de dentes e fio dental. E existem profissionais focados especificamente em trazer a melhor experiência possível em cada um desses itens. A área que busca inovar, projetar e melhorar o uso de objetos, por sua vez, se chama design de produto.

Para explicar melhor como funciona esse segmento, o Na Prática reuniu diversos profissionais do Nubank para oferecer insights sobre a área de atuação e discutir a importância do design de produto dentro das empresas.

Mas o que é design de produto?

Vice-presidente do segmento de design da Nubank, Lucas Pettinati explica que design de produto é a forma como os profissionais desenvolvem um item e como ele é usado, na prática. “Para entender isso, é preciso saber quem são os usuários que vão utilizar esses produtos, o que eles necessitam dele, o que almejam de forma geral e se o que a empresa tem disponível atende à essas necessidades”, esclarece.

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A partir disso, existem algumas segmentações dentro do ramo. As mais conhecidas são a interface do usuário (ou UI, em inglês) e a experiência do usuário (UX, em inglês). “Quando a gente decide o formato de um botão ou a maneira como uma tela é desenhada, isso é a interface de usuário. Essas decisões partem do nosso conhecimento sobre o que as pessoas precisam e quem elas são. Já a experiência do usuário engloba tudo, desde as pesquisas que fazemos para entender quem é o consumidor, como ele pensa, até desenvolver os fluxos de como o produto vai interagir com aquela pessoa”, explica.

No Nubank, o processo de criação geralmente começa com uma troca de ideias entre product managers (gestores), cientistas de dados e pesquisadores. “O primeiro ponto é descobrir o que sabemos sobre nosso consumidor e o que ele espera. A partir disso, realizamos pesquisas para compreender mais a fundo as opiniões dos possíveis usuários. Com esse conhecimento, podemos começar a construir como o consumidor vai interagir com o produto, o que vai desde usar as palavras certas até escolher a paleta de cores que se encaixe melhor com a proposta. No fim, queremos ajudar as pessoas a fazer as tarefas que precisam ser feitas”, garante.

Que profissionais trabalham nessa área?

Apesar de o nome dar a entender que o segmento é composto exclusivamente por designers, existem muitos outros profissionais envolvidos no processo. A designer de produto Amanda Elyss afirma que não é uma regra, mas normalmente esse time conta com profissionais das áreas de design, comunicação ou arquitetura. “Mas, na minha opinião, o mais importante é ter vontade de aprender e crescer”, avalia.

Já o design manager Diogo Cabral opina que, para um designer de produto, o mais importante é querer entender as dores dos

usuários com suas experiências e ter a intenção de criar soluções melhores. “Essa essência, embora seja trabalhada nas escolas tradicionais de design, não é obviamente uma restrição por área. Qualquer pessoa pode ter essa perspectiva. Já vi designers incríveis que vieram da psicologia, de arte, de engenharia, biblioteconomia e até biologia”, compartilha.

E as experiências fora do âmbito de trabalho também podem formar excelentes designers de produtos, segundo a gerente Amanda Legge. “Como os designers de produtos precisam trabalhar de ponta a ponta, eles tendem a ser generalistas com um amplo conjuntos de habilidades relacionadas ao design (pesquisa, prototipagem e até recursos de implementação de front-end). Essa natureza generalista também tende a se espalhar para hobbies fora do trabalho. Na minha carreira, trabalhei com designers que passavam seu tempo livre em ferraria, fazendo joias e até cultivando alpacas”, revela.

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Quais habilidades são essenciais para atuar no segmento?

Para Diogo Cabral, existem três coisas relevantes na hora de fazer o design de produto: capacidade de entender o mundo, as pessoas a sua volta e o mercado do qual ele está inserido; paixão por materializar soluções; e a noção de que ele está sempre servindo alguém. “Um bom designer precisa saber fazer a ponte entre um modelo de negócio e a criação de um experiência encantadora. A experiência do usuário só será relevante se ela se conectar à proposta do produto ou serviço, que deve resolver um problema real. A vontade e a habilidade de construir isso é fundamental. É pouco dito, mas os designers são servidores”, garante.

Amanda Elyss complementa que, além da habilidade técnica de conseguir materializar e idealizar soluções, o designer precisa saber quando escolher uma coisa em detrimento de outra. No que diz respeito às habilidades difíceis, Amanda Legge indica as seguintes competências: conduzir pesquisas; definir áreas de problemas e oportunidades no mercado; refinar as ideias para seu valor agregado; conhecer soluções de estrutura de wireframes e protótipo; aplicar habilidades de design visual; e usar métricas para justificar o sucesso de um produto. “No entanto, existem outras habilidades igualmente importantes como um profundo senso de empatia. Em termos mais simples, o papel do designer é reunir pessoas e ideias”, esclarece.

A importância do design de produto

Conforme uma empresa cresce, o perfil dos seus usuários fica cada vez mais diverso, por isso ter um time de design de produto forte ajuda a empresa a sempre entender o que todas essas pessoas precisam e a criar produtos que atendam todos esses diferentes perfis, explica a designer Amanda Elyss. “Quando você realmente estiver oferecendo produtos que resolvem problemas

reais e ver que isso mudou a forma como os seus usuários interagem com o seu aplicativo ou site, você consegue medir o “sucesso” da profissão. E isso acaba se tornando o grande diferencial da sua empresa”, observa.

Amanda Legge afirma que medir o sucesso de design é difícil. “Acho que é por isso que é tão difícil “fazer” design. O Net Promoter Score (NPS), que avalia a probabilidade de uma pessoa recomendar um produto a um amigo, ainda parece ser o padrão básico para empresas em todo o mundo, mas é um método um pouco antiquado. Como em qualquer coisa, as ações das pessoas falam mais alto que suas palavras .Com relação ao impacto de ter uma equipe forte de design de produtos, acho que a base de clientes fanáticos pelo Nubank fala por si”, brinca.

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“A atração de clientes e sua retenção pode sofrer impactos positivos em ter a disciplina de design dentro da empresa, pois a capacidade de gerar soluções mais relevantes aumenta significativamente. No entanto é importante que se diga que não basta ter designers, é preciso pensar em design e refinar a prática, caso contrário, os efeitos podem ser inversos. O sucesso do design de produto é medido pela satisfação do cliente com o próprio produto ou serviço. Clientes podem se apaixonar por uma marca por conta da experiência de produto que ela proporciona. Normalmente esses produtos criam experiências incríveis, garantindo três aspectos, funcionalidade, utilidade e estética. Todos os três são responsabilidade do designer de produto”, complementa Diogo.

O Nubank, por sua vez, se destaca no mercado quando o assunto é design de produto. Lucas Pettinati, VP de design, aponta que um dos grandes diferenciais da empresa é buscar entender o perfil dos diversos clientes. “Nosso trabalho é muito voltado para desenvolver o design fazendo com que os usuários sintam que o Nubank é para eles. É um desafio muito grande”, destaca. “Todos os nossos designers se preocupam muito em resolver os problemas dos usuários, buscando entender quais são suas reais necessidades. Esse balanço entre as necessidades dos clientes e da empresa é feito a partir de um lugar honesto.”

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