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Nubank: por que a empresa é considerada uma das mais inovadoras do mundo?

Por Carla Mereles

Recentemente, a Nubank foi classificada como a terceira empresa mais inovadora da América Latina em ranking internacional. Entenda como a companhia funciona – de dentro para fora –, a rotina dos seus profissionais e porque ela é disruptiva.

Com a missão de  colocar outro padrão de serviços financeiros no Brasil e no mundo, surgiu o Nubank. A empresa foi considerada a 3ª mais inovadora na América Latina pelo ranking da revista Fast Company. Eleita a empresa mais inovadora pela Latam Founders em 2015; recebeu o prêmio de melhor empresa B2C – Business to Consumer, ou, Empresa para Consumidor – em 2016 e 2017 também pela Latam Founders. Tornou-se uma “empresa unicórnio” em 2018, termo usado para empresas que passam a valer mais de 1 bilhão de reais.

O Nubank foi fundado em 2013 pelo colombiano David Vélez, que se juntou à ex-executiva do Itaú Unibanco Cristina Junqueira – considerada uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela FORBES em 2017 – e Edward Wible, estadunidense e ex-consultor do Boston Consulting Group. O trio criou a startup que ficou conhecida pelo seu cartão de crédito, de cor roxa, e por não cobrar tarifas em nenhum momento, diferenciais que apontam a mentalidade não tradicional que a empresa decidiu seguir.

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A cultura organizacional do Nubank

Um dos valores mais preciosos ao Nubank, e às pessoas que lá trabalham, é a cultura. A mentalidade reflete nas suas ações com os colaboradores: não há dresscode – código de vestimenta – para funcionários e toda sexta-feira há um foodtruck diferente na sede no Nubank no horário do almoço. Essas e outras medidas concederam ao Nubank o prêmio de uma das melhores empresas para trabalhar pelo Great Places to Work Brasil em 2016. 

O ambiente de trabalho reflete todas as premissas da empresa. Tem mesa de pebolim, vídeo game e sinuca — em que o forro da mesa é obviamente roxo. A sede do Nubank é anfitriã de happy hours e outras comemorações da equipe, que eram feitos toda sexta-feira. A tradição já não é mais possível porque são muitos funcionários – um prédio inteiro! – e agora cada time é responsável por marcar seu momento de descontração.

O time dos Nubankers tem mais de 1.200 funcionários composto por engenheiros, desenvolvedores e designers de 25 nacionalidades. “A gente tem uma diversidade muito grande. De background – tem biólogos, pilotos de avião -, de todas as formações e experiências passadas. Quase um terço da equipe de Xpeer – experiência – é LGBTIQ e 40% são mulheres”, de acordo com Dennis Wang, vice-presidente de operações da empresa. Assim, o Nubank obtém “diferentes visões sobre um mesmo assunto e considerar todas elas pra entregar a melhor solução”, de acordo com Max Braga, ombudsman da startup.

Gestão interna e organização de times

No Nubank, como quase que uma tradição de startups, são muitas tarefas e produtos para serem entregues. Às vezes com menos funcionários do que o ideal. O ritmo de trabalho é muito ativo e requer comprometimento por parte da equipe. Há quem chegue às 6h30min da manhã e quem chegue às 10h – a produtividade da pessoa que determinará o número de horas trabalhadas. Fato é: quando há projetos ou missões para entregar, todo mundo trabalha mais e se doa para chegar àquele resultado. Afinal, visam a alcançar a marca de 100 milhões de usuários em cinco anos.

A hierarquia é um fator que desperta curiosidade quanto de fala de empresas inovadoras, jovens e disruptivas. No Nubank, há hierarquia. Há funcionários sêniors, júniors e plenos. A distinção é necessária para diferenciação de salário, prática de feedbacks e acompanhamento dos profissionais. A cultura do Nubank, porém, é a de não deixar que a hierarquia esteja presente no dia a dia e nas responsabilidades abraçadas pelos funcionários. Um funcionário “júnior” pode trabalhar no projeto mais importante da empresa, sem problema algum.

Outra questão essencial dentro do Nubank é a gestão e organização dos times internamente. Diferentemente de outras empresas de tecnologia, não há apenas áreas separadas por design, engenharia, produto, etc. Foi adotado um modelo já aplicado em empresas como Google e Amazon, e a principal inspiração foi o Spotify: os times se organizam em squads, equipes com 10 a 50 pessoas de várias áreas para resolver um problema ou pensar em um novo produto, ideias de comunicação.

Por exemplo: existe o time de design, formado pelas pessoas aptas tecnicamente para trabalhar com design de produto, de experiência do consumidor, pesquisa, design gráfico. Porém, quando há uma tarefa a ser cumprida, os designers não trabalham sozinhos. São formados squads para pensar nessa missão específica, unindo profissionais de atendimento, engenharia, desenvolvimento de softwares e recursos humanos. Assim se torna possível que a equipe resolva desafios com independência, com todos os conhecimentos necessário. Inclusive, as metas são definidas pelos próprios Nubankers, que depois são inseridas nas metas gerais da empresa.

Algumas equipes são:

  • Métricas e ferramentas;
  • Recursos Humanos – People’s Operations, e apelidados de POP’s;
  • Comunicação e redes sociais;
  • Experiência do usuário – atendimento ao cliente;

Na agenda dos Nubankers, há um evento fixo: a reunião de segunda-feira, que acontece quinzenalmente. São apresentadas questões macro sobre o faturamento ou gasto da empresa, por exemplo, ou algum recado geral dado pelo próprio CEO. Os squads também podem apresentar projetos nos quais trabalharam e cujo resultado querem compartilhar com o restante da equipe.

O que torna o Nubank inovador?

A startup tem a inovação no seu DNA e no de quem trabalha lá. “Aqui a gente tem uma cultura de dar muita autonomia pras pessoas. E isso cria um ambiente propício para a inovação. A gente não tem uma área de inovação, a empresa inteira está sempre inovando”, afirma Gabriel Silva, CFO, no vídeo que apresenta a cultura do Nubank. Portanto, o pensamento inovador é cultivado e incentivado na ação de todos os membros da empresa.

A comunicação adotada pelo Nubank é bastante diferente das estratégias de bancos comuns. A linguagem é descontraída, referem-se aos cartões como “roxinhos”, aos clientes como “Nu” e aos funcionários por “Nubankers”. Além do conteúdo relevante em redes sociais, posicionam-se com determinadas causas. Nesta campanha, junto a uma bandeira de arco-íris, colocam: “Aqui sempre aceitaremos a bandeira do respeito”. Seu canal no YouTube têm diversos vídeos em que os próprios funcionários explicam novas funcionalidades, tiram dúvidas e interagem com o público – chega a ser uma espécie de Serviço de Atendimento ao Consumidor, o famoso SAC. Outro diferencial é que a empresa utiliza meios 100% digitais de comunicação com seus clientes.

Por fim, os números do Nubank são incríveis.

  • Em 2018, alcançaram 5 milhões de clientes;
  • Em 2016, tiveram mais de 8 milhões de pedidos do cartão de crédito.

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