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mulheres na ciência

Dia Internacional das Mulheres na Ciência: 5 cientistas modernas inspiradoras

Por Tatyane Mendes

No Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, o Na Prática traz a história de cinco cientistas de destaque em suas áreas de atuação para servirem de inspirações para quem quer seguir carreira na área.

Em 2015, a data 11 de fevereiro foi declarada como Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência em uma parceira da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com a ONU Mulheres. O objetivo das organizações era incentivar o promover a participação de mulheres na ciência, reconhecendo uma falta de equidade de gênero no setor. Segundo dados da Unesco, as mulheres representam cerca de 28% dos pesquisadores pelo mundo.

“As mulheres continuam sub-representadas nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemáticas. A falta de reconhecimento das conquistas das mulheres contribui para o equívoco de que as mulheres não podem atuar na ciência ou, pelo menos, não tão bem como os homens. Promover a igualdade da participação de mulheres na ciência requer uma mudança de atitudes: as meninas precisam acreditar nelas mesmas como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras”, discorre a página da Unesco sobre a data comemorativa.

Por isso, para celebrar as mulheres que contribuem para o campo da ciência, o Na Prática listou 5 pioneiras para servirem de inspirações para quem quer seguir carreira na área.

Mulheres na ciência para se inspirar

Nisreen El-Hashemite: a princesa da ciência

Nisreen El-Hashemite

Fundadora da Liga Internacional Mulheres na Ciência e uma das responsáveis pela proclamação do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, Nisreen é uma médica e ativista de origem iraquiana. Seu status de princesa não é apenas decorativo, ela faz parte da realeza árabe, sendo neta do rei Faisal Bin El-Sharif Hussein, fundador do Estado moderno do Iraque.

Como médica, Nisreen desenvolveu uma técnica preventiva conhecida como diagnóstico genético pré-implantacional, voltado para a fase pré-natal de reproduções medicamente assistidas. Ela também ajudou a aumentar a conscientização pública sobre desordens genéticas, suas causas e programas de prevenção, particularmente nos países em desenvolvimento.

Trabalhando em Harvard, a ativista pesquisou sobre esclerose tuberosa, buscando detectar os principais tipos de câncer por meio de exames de sangue. Nisreen possui uma extensa lista de publicações científicas, oito livros publicados e diversos prêmios.

Uma poderosa liderança feminina em vários sentidos, a princesa colaborou com a criação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas e estabeleceu o Fórum Mundial de Saúde e Desenvolvimento das Mulheres como um centro de excelência. Entre diversos projetos que buscam criar um mundo melhor, ela se empenha em incentivar crianças e jovens, principalmente meninas, a escolher a ciência como carreira.

Marcelle Soares-Santos: a estrela da física

Marcelle Soares Santos | Mulheres na ciência

Na área de física, o Brasil tem talentos para mostrar e o nome de um deles é Marcelle Soares-Santos. Natural de Vitória, ela se formou na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e completou o mestrado e doutorado em astronomia pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, Marcelle estuda ondas gravitacionais e energia escura, realizando pesquisas no Fermilab, laboratório especializado em física de partículas de alta energia do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Ela é a única brasileira entre os 16 líderes que coordenam a pesquisa, que é um complemento à descoberta de ondas gravitacionais, teoria que venceu prêmio Nobel de Física de 2017. A pesquisadora também dá aula na Universidade Brandeis, em Boston, e no ano passado foi escolhida pela Fundação Alfred P. Sloan como uma das melhores jovens cientistas na ativa.

Ela também ganhou a bolsa de pesquisa Sloan Research Fellowship, uma das maiores conquistas para pesquisadores em início de carreira no Canadá e nos Estados Unidos. Em entrevista, Marcelle reconheceu que a física ainda é uma área dominada por homens, mas que essa questão tem melhorado significativamente.

Ela afirmou que não se pode menosprezar o fato de que há um progresso cada vez maior na presença de mulheres na ciência, que vai melhorando a cada geração. A astrofísica também avalia que seu papel enquanto professora é contribuir para que essa questão continue avançando.

Leia também: 5 mulheres que impactaram o mundo da tecnologia (e poucos sabem!)

Sabrina Pasterski: o Einstein desta geração

Sabrina Pasterski A Nova Einstein desta geração

Considerada pela Universidade de Harvard como o Einstein desta geração, Sabrina Pasterski é uma física norte-americana. Ela  foi reconhecida pela Fundação Albert Eistein como um dos maiores gênios da atualidade e, em 2015, ela foi nomeada para a lista Forbes de Ciências dos 30 abaixo de 30. Aos 14 anos, a jovem projetou e fez alterações em um monomotor por conta própria, levando posteriormente ao MIT. Também se tornou a pessoa mais jovem do mundo a pilotar um avião, aos 16 anos.

Focada em física experimental de altas energias, especialmente buracos negros e gravidade, Sabrina Pasterski se formou em física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), se tornando a primeira mulher em duas décadas a estar entre as melhores da turma. Posteriormente, fez doutorado em Universidade de Harvard sob orientação de Andy Strominger. Ela recebeu ofertas de trabalho milionárias na NASA e na Blue Origin, mas preferiu se manter focada nos estudos

Durante seu período em Harvard, Sabrina Pasterski desenvolveu uma nova teoria de ondas gravitacionais que chamou de “spin memory effect” (efeito de memória spin, em tradução livre). Ela chegou a completar o Triângulo Pasterski-Strominger-Zhiboedov, colaborando com os achados dos físicos Andrew Strominger e Alexander Zhiboedov. A publicação foi comentada por Stephen Hawking. A forma independente como a jovem conduziu o trabalho fez com que o corpo docente de Harvard a apelidasse de Einstein desta geração.

Atualmente, faz pós-doutorado em Princeton. O forte desempenho acadêmico da jovem, incluindo seu histórico escolar de notas máximas no MIT, feito incomum, começaram a render atenção à jovem pesquisadora. Sabrina também ficou conhecida como ativista em defesa da educação e participação de mulheres na ciência e tecnologia, o que a levou a receber um convite da Casa Branca.

Mayana Zatz: a geneticista premiada

Mayana-Zatz

Outro talento brasileiro na ciência é a bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz. Ela cursou desde a graduação até o doutorado na Universidade de São Paulo, onde posteriormente se tornaria professora. Sua pesquisa sempre esteve voltada para a genética humana, com foco em distrofias musculares progressivas. Mayana também fez pós-doutorado na Universidade da Califórnia.

Após o término dos estudos, ela retornou ao Brasil e foi uma das primeiras pesquisadoras a localizar um gene relacionado a um tipo de distrofia. Participou da equipe responsável pelo mapeamento do gene que causa a síndrome de Knobloch, um distúrbio genético raro. Mayana também publicou mais de 300 artigos científicos e luta pela aprovação de políticas públicas em favor da ciência.

Um dos destaques entre as mulheres na ciência, ela foi reconhecida com várias premiações como a grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, a Medalha de Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo, o prêmio latino-americano dos Prêmios L’Oréal-UNESCO para mulheres em ciência, o Prêmio Claudia e foi eleita Personalidade do Ano da Ciência segundo a Revista ISTOÉ Gente, em 2006. Posteriormente, ela também levou o Prêmio México de Ciência e Tecnologia e o Prêmio Walter Schmidt.

Françoise Barré-Sinoussi: virologista que descobriu o HIV

Françoise Barré-Sinoussi | Mulheres na ciência

Se hoje as pessoas já não morrem mais por conta da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (conhecida como AIDS) parte da razão é o trabalho da francesa Françoise Barré-Sinoussi. Ela é uma das responsáveis pela descoberta do vírus de imunodeficiência humana (HIV) como a causa da doença, que já chegou a matar mais de 35 milhões de pessoas. O feito rendeu à pesquisadora o Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina.

Sua trajetória profissional conta com uma passagem pelo Instituto Pasteur (onde descobriu o vírus HIV), mais de 240 publicações científicas, participações em mais de 250 conferências internacionais e mentoria de pesquisadores jovens. Ela também já ocupou o cargo de Presidente da Sociedade Internacional para a AIDS de 2012 a 2016. Ela também realizou projetos com a Organização Mundial de Saúde, focando principalmente em países em desenvolvimento.

Além do Prêmio Nobel, ela recebeu mais seis honrarias internacional, além do título honorário de Doutora das Ciências da Universidade de Tulane do título honorário de Doutora em Medicina da Universidade de New South Wales. Atualmente com 72 anos, Françoise está aposentada.

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