Um Projeto: Fundação Estudar
Folha em que está escrito STEM com desenhos e materiais de escrever ao lado

STEM: como desenvolver os conhecimentos interdisciplinares cada vez mais valorizados pelo mercado

Por Suria Barbosa

O aprendizado sistêmico dessas quatro áreas fomenta habilidades de resolução de problemas e a versatilidade, características valiosas em um mundo permeado por rápidos avanços tecnológicos. Entenda o que é STEM e como a interdisciplinaridade é promovida.

No mundo moderno, a habilidade de resolução de problemas é valiosa – porque a cada inovação (e são muitas!), surgem novas questões. Na medida em que os avanços se tornam mais sofisticados, cresce a necessidade de unir campos do conhecimento para entendê-los plenamente. Diante desse cenário, especialistas em começaram a defender o termo STEM.

Além de significar Ciência (science, em inglês), Tecnologia, Engenharia e Matemática, STEM também se traduz para “caule” ou “haste” – estruturas que unem duas ou mais partes e as relaciona. O termo passou a ser utilizado no fim dos anos 90, após ser definido em uma reunião de agentes de ensino na US National Science Foundation (Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos).

A princípio, o objetivo da denominação, que se torna cada vez mais relevante, era fomentar e padronizar o ensino multidisciplinar de Ciências Exatas e Biológicas. Dessa forma, se origina uma relação natural entre as áreas para os alunos. Na prática, as instituições de ensino – fundamental, médio e superior – que a adotam, promovem situações de aprendizado que envolvam a utilização de conhecimentos de todos os campos de STEM.

A importância do aprendizado em STEM

De modo geral, em qualquer contexto, a interdisciplinaridade “permite que haja uma troca muito rica entre as pessoas” explica Mariana Georges, Líder da Rede Estudar e engenheira de materiais e pesquisadora na área de corrosão e soldagem na Coppe/UFRJ. A experiência de interação com profissionais de diversas áreas, resulta “em uma solução mais rica e completa para uma determinada demanda, seja ela de uma empresa ou da sociedade”, completa.

Quando se trata do conhecimento em STEM a lógica é a mesma: repertório interno mais diversificado impulsiona o raciocínio de soluções criativas. Além disso, desperta o pensamento analítico, diz Roger Leite Lucena, mestrando em engenharia da computação pela École Polytechnique de Paris, que também é membro da Rede de Líderes Estudar. E a tendência é que isso seja cada vez mais valorizado no mercado de trabalho.

“Uma boa base em ciências, engenharia e tecnologia pode ajudar muito a identificar as transformações assim que elas ocorrerem, se adaptar rapidamente a elas e ainda ter vislumbres de quais serão as próximas pela frente, para já iniciar a preparação para recebê-las, o que pode ser um grande diferencial”, afirma Roger.

Por fim, o estudante aponta a versatilidade que o conhecimento interdisciplinar em STEM promove “em um contexto em que tecnologia e mesmo computação estão em todo lugar”. Pode ser uma habilidade para avanços rápidos, comunicação eficiente e ser dinâmico em diferentes funções.

Como a interdisciplinaridade é promovida no exterior

Ainda que o Brasil conte com escolas e universidades que fomentem uma experiência de aprendizado interdisciplinar, ainda não é algo completamente difundido entre as instituições de ensino como é em outros países.

Estudando na França, Roger percebe um grande foco nessa questão, por exemplo. Caracterizando um “modo de preparar os alunos em versatilidade para um mercado que realmente é plural, além de instigar a criatividade possível à partir de um espectro de conhecimento mais amplo, fazendo pontes entre diferentes áreas”, detalha.

Como exemplo prática, Roger relata que na École Polytechnique de Paris pôde escolher matérias de ao menos quatro domínios diferentes para acompanhar, o que não só era incentivado, mas obrigatório. Além de facilitar a visão geral e a criação de relação entre os campos, também faz com que o estudante possa decidir em qual se especializar de acordo com sua própria experiência.

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Durante a faculdade, Mariana fez um intercâmbio também na França, onde estudou no Institut National des Sciences Appliquées de Lyon. Mesmo que a maior parte das suas aulas fosse ministrada no formato tradicional de ensino, predominantemente expositiva, alguns elementos diferenciavam o modelo de que havia vivenciado.

“Pude notar grandes diferenças na forma como o conhecimento era distribuído nas disciplinas e na forma como ele era passado, com uma visão muito mais aplicada”, explica a engenheira. Enquanto no Brasil teve as matérias Polímeros I e Polímeros II, na França o conteúdo era associado a uma aplicação prática, como “polímeros para o desenvolvimento de biomateriais”, por exemplo. O que era ainda mais aprofundado com a presença de palestrantes da indústria, conta Mariana.

Como pesquisadora acadêmica, a engenheira acredita que a interdisciplinaridade pode ser incentivada nas universidades por meio de projetos e competições.

“Esse tipo de atividade reúne alunos de diversas engenharias e ensina-os a trabalharem em grupo, em prol de um objetivo final, culminando na entrega de um produto. Durante as etapas de projeto, os alunos vão aprendendo não só assuntos técnicos como também praticam a liderança, gestão de projeto, e se desenvolvem com a troca de experiências.”

Nos níveis mais básicos de ensino, no entanto, uma boa forma de iniciar o aprendizado de STEM seria a partir de pequenas experiências e exemplos práticos, segundo ela.

Passos independentes para o aprendizado

Para quem pensa em se especializar levando em conta a importância das áreas STEM, Roger indica buscar formações em áreas como as de Engenharia, Ciência da Computação, Matemática, Economia e Química. Campos em que, por conta de sua própria natureza, promovem grande versatilidade e pensamento analítico. Além de estarem em sintonia com os avanços tecnológicos.  

Mas mesmo na faculdade, sentindo que defasagem no ensino em relação aos campos de STEM, os dois engenheiros recomendam uma atitude proativa, de buscar oportunidades. “Não espere essas mudanças ocorrerem no sistema educacional para ter uma experiência prática”, aconselha Mariana. Segundo a engenheira, também existem iniciativas externas que podem ajudar nesse sentido, como clubes de ciências, programas de iniciação cientifica, cursos técnicos, grupos de interesse.

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“Se não conseguir pegar matérias em domínios diferentes, dentro de um certo limite, por restrições ou rigidez de currículo, se engajar então em cursos, projetos por fora ou atividades extracurriculares que ajudem a aprender em diferentes áreas”, explica Roger, que indica procurar cursos online em plataformas como o Coursera.

“O importante se torna o aluno tomar as rédeas e se engajar no seu aprendizado, seja na universidade ou fora dela, buscando meios alternativos para aprender”, resume o mestrando.

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