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o nômade digital Matheus de Souza

Nômade digital: como é o dia a dia de quem trabalha viajando (e sem chefe!)

Por Suria Barbosa

Considerado o terceiro brasileiro mais influente do LinkedIn em 2016, Matheus de Souza adota o estilo de vida e de trabalho baseado no nomadismo digital. Ou seja: trabalha viajando pelo mundo – junto com a esposa.

Trabalhar sem chefe e viajando o mundo. Parece uma realidade distante? Na verdade, a internet aumentou significativamente essa possibilidade – e hoje existe até uma classificação para quem segue esse estilo de vida: nômade digital.

Assim como o nome sugere, no nomadismo digital, o profissional cumpre suas atividades independentemente de sua localização, por meio da tecnologia. Sendo funcionários remotos, empreendedores ou freelancers, os nômades têm responsabilidade total pelos seus horários e resultados. “O nomadismo digital é para adeptos do ‘do it yourself’”, resume Matheus de Souza, que trabalha de forma remota desde janeiro de 2017.

Para ele, que nasceu e se baseia na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, a parte de “viajar o mundo” começou em setembro do mesmo ano, na companhia da esposa, a fotógrafa Laís Schulz. O que levou os dois a escolherem esse estilo de vida (e trabalho) foi uma inquietação crescente ao tentar combinar a paixão por viajar e um emprego no meio corporativo.

Matheus de Souza
Matheus de Souza / Foto: Laís Schulz

 

“Nossa decisão se deu após percebemos que o modelo tradicional de trabalho não era para gente”, explica Matheus. “Nos últimos anos, antes de nos demitirmos, não estávamos sequer conseguindo conciliar nossos períodos de férias. Estávamos desgastados no meio corporativo e queríamos mais flexibilidade e liberdade”, completa.

Se agora – 13 países depois – conseguem manter uma rotina que compreende vontade e necessidade, ainda assim, nem tudo são flores. Ficar longe dos entes queridos, inevitável para quem trabalha em diversos lugares, é o principal desafio de ser um nômade digital, segundo Matheus.

“Embora a tecnologia nos coloque em contato com eles em tempo real, esse ano, por exemplo, pela primeira vez perdemos um evento familiar – o aniversário de um aninho do nosso sobrinho”, relata ele. “É o preço que se paga.”

O que um nômade digital faz

Matheus atualmente complementa a graduação em Relações Internacionais e o MBA em Gestão de Negócios com um curso de especialização em Escrita Criativa. Formações condizentes com um nômade digital que escreve e também empreende, como se descreve em seu perfil no LinkedIn.

Na prática, ele produz conteúdo para agências e marcas e contribui como colunista para portais. Ainda mantém e alimenta o blog que fundou com Laís, o be freela, onde o casal discute viagens, trabalho autônomo, marketing, empreendedorismo e o tal nomadismo. 

Para quem escolhe trabalhar produzindo material, é imprescindível procurar se manter atualizado – e com o repertório interno abastecido. O empreendedor conta que recorre às newsletters “para ficar atento ao mercado” e, ao mesmo tempo, otimizar seu tempo. No entanto, suas principais inspirações vêm de outras áreas. “Costumo assistir muitos documentários e filmes, além de ler livros de ficção”, destaca.

A trajetória de Matheus, embora muito alinhada com o estilo de vida de um nômade digital, não é a única escolha. São muitas possibilidades de atuação remota. Só há uma regra: que nenhuma distância seja impedimento para exercer a função.

Dentro desse escopo, existem escritores, como ele, fotógrafos (como sua esposa), desenvolvedores de software, designers, jornalistas, etc. O maior viabilizador do estilo de vida é a tecnologia – seja a internet, o armazenamento em nuvem, os smartphones. Então, contanto que o profissional faça o nomadismo funcionar com as ferramentas disponíveis, não há limites para o que se pode fazer.

A rotina é a falta de rotina

O fator “rotina” de quem é um nômade digital se dá menos pela semelhança entre os dias – o que é difícil ocorrer quando se atua com tantas variáveis, como lugar, fuso horário, demanda – e mais pela estruturação das tarefas. Algo que Matheus, por exemplo, se esforça em fazer.

“Quando estou viajando, geralmente, acordo cedo e entrego todas minhas demandas”, detalha ele. “Feito isso, interajo nas redes sociais, principalmente no LinkedIn, para fortalecer minha presença digital – o que é fundamental para quem trabalha de forma autônoma”.

Fortalecer (ou aumentar) a presença digital significa, basicamente, alcançar mais pessoas. É um fator importante para os freelancers, porque ajuda a firmar sua marca pessoal e ter mais possíveis clientes. No caso de Matheus, ele utiliza a maior rede social voltada para relacionamentos profissionais, o LinkedIn, para publicar conteúdo que engaja e fazer contatos relevantes.

A estratégia deu tão certo que ele foi considerado o terceiro brasileiro mais influente do LinkedIn em 2016 na lista da rede social de “Top Voices”. Hoje, inclusive, oferece curso em que ensina marketing pessoal baseado nos métodos que funcionaram (e funcionam) para si mesmo.

Voltando ao seu dia a dia, depois de trabalhar, Matheus e a esposa aproveitam para explorar a cidade em que estão. “Costumamos viajar para países onde o fuso horário está na frente do Brasil, então é como se ‘vivêssemos no futuro’, o que facilita muito esse estilo de vida”.

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Deu certo para o Matheus, mas funcionaria para você?

“Se você é disciplinado, trabalha ou quer trabalhar de forma remota e adora viajar e conhecer outras culturas, esse é o estilo de vida perfeito – ou o que mais se assemelha a perfeição…”, afirma o escritor e empreendedor. “Disciplinado” é um ponto-chave, já que as entregas, e os retornos, dependem apenas do profissional.

De acordo com Matheus, para ser um nômade digital, “você terá que se mexer”. E não só pela responsabilidade total sobre os resultados, também porque o estilo de vida – e a gestão de um “negócio de uma pessoa só” – exigem autonomia. Para quem se interessa, ele recomenda que busque desenvolver novas habilidades, ou tornar-se “multidisciplinar”. Assim, dependendo cada vez menos de outros.

“Todos os nômades digitais que conheço são multidisciplinares”, destaca ele. Além de ser um profissional de marketing de conteúdo com formações em Relações Internacionais, Gestão de Negócios e Escrita Criativa, Matheus se aprimorou com competências que julgou relevantes para sua atuação, como programação, desenvolvimento de sites e edição de imagens.

Porém, sua principal dica tem a ver com independência: “criar seu próprio trabalho e descobrir meios de gerar alguma renda passiva”. Renda passiva é quando seu produto ou serviço gera receita mesmo quando você não está, ativamente, trabalhando. Se parece que esse é exatamente o problema, Matheus tranquiliza: “há uma demanda crescente por freelancers em várias áreas e o mercado de infoprodutos está bombando”.

Tem também o outro lado, já que “dificilmente uma companhia vai te oferecer uma vaga que permita toda essa flexibilidade – ou então que sustente esse estilo de vida, financeiramente falando”. “Nenhuma empresa vai te pegar pela mão e te colocar num avião com destino à Tailândia”, brinca ele. 

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