Um Projeto: Fundação Estudar
Thalita Gelenske no Fórum Econômico Mundial

Por que esta jovem foi escolhida para representar o Brasil no Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial de Davos

Por Suria Barbosa

Com projeto de diversidade, Thalita Gelenske foi a única jovem selecionada para representar o Brasil no Encontro Anual do Fórum Mundial de Davos. “Como conseguimos criar um futuro mais inclusivo é o que tira o meu sono.”

Anualmente, o Fórum Econômico Mundial (FEM), organização sem fins lucrativos focada em discutir, estudar e realizar iniciativas relacionadas às questões globais mais urgentes, promove uma reunião em Davos, na Suíça. Dos eventos periódicos que idealiza, esse é dos mais reconhecidos porque reúne líderes e intelectuais de diversos países e setores para se debruçarem acerca de tópicos priorizados, e recebe ampla cobertura da imprensa.

Em 2019, com foco na globalização 4.0, o Encontro Anual em Davos contou com a participação de Thalita Gelenske, empreendedora social criadora da Blend Edu. Com apenas 29 anos, Thalita foi a única representante brasileira entre 49 jovens convidados. A maior parte deles, membros da comunidade Global Shapers, iniciativa pelo Fórum Econômico Mundial da qual ela faz parte.

A organização mundial oferece apoio institucional a fim de ouvir a juventude ao redor do mundo, mas possibilita aos participantes autonomia, inclusive em relação à gestão. “A comunidade foi criada em 2011 e, desde então, é formada através de hubs nas cidades. Já existem quase 400 hubs pelo mundo, e mais de 7 mil shapers também”, conta a empreendedora. No Brasil, há hubs do Global Shapers no Rio de Janeiro, onde Thalita participa, São Paulo, Bahia, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Joinville, Porto Alegre e Manaus.

Participantes do Hub do Global Shapers no Rio de Janeiro
Participantes do Hub do Global Shapers no Rio de Janeiro / Acervo pessoal

 

Além de promoverem e participarem de iniciativas em conjunto, o vínculo dos jovens shapers possibilita que parte deles participe de eventos oficiais, como o Encontro Anual de Davos. Para participar, no entanto, foi preciso passar por um processo seletivo. “Este foi um ano muito emblemático para os jovens porque em todo evento em Davos, eles selecionam co-chairs, ‘anfitriões’ do evento. Ano passado escolheram apenas mulheres e neste ano apenas jovens da comunidade do Global Shapers”, conta ela. “O objetivo foi de reforçar a crença de que o jovem tem que ter um lugar na mesa para dar sua opinião e contribuir para políticas públicas, ações e projetos localmente ou globalmente.”

“Como conseguimos criar um futuro mais inclusivo é o que tira o meu sono”

Embora os critérios da seleção dos participantes não sejam conhecidos, Thalita considera que, além de requisitos objetivos, o envolvimento com projetos relevantes para a agenda global também tenha ajudado para que fosse escolhida. Acontece que há sete anos, ela empreende a Blend Edu, startup educacional focada em ações e experiências que trazem o assunto de diversidade para dentro das empresas.

A companhia tem viés lucrativo e não por acaso: o objetivo é mostrar que diversidade não é só um tópico moral, mas uma forma de obter retornos positivos – até ligados à rentabilidade – para um negócio.

“Queremos engajar as empresas para que elas entendam que são parte do problema, mas que podem ser também parte da solução”, resume ela. “Eu, como mulher e lésbica, entendi muito cedo as dores que enfrentamos – quando falamos do preconceito e da realidade que existe no Brasil – quando comecei a trabalhar”, completa. “Como conseguimos criar um futuro mais inclusivo é o que tira o meu sono.”

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Experiência no Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial

Entre fatos curiosos como ver o príncipe William e jantar com o cantor Will.I.Am, Thalita foi convidada como participante para trazer para o país o que tirasse das muitas discussões, mas também contribuiu em uma roda de conversa com organizações que buscam avançar em discussões acerca dos direitos LGBTQA+.

A empreendedora aponta a baixa representatividade de diversos grupos no evento – neste ano, cresceu o número de mulheres participantes, mas a taxa ainda é baixa: 22% – como uma das impressões que trouxe. “Ao mesmo tempo que volto inspirada, volto com olhar crítico, entendendo que precisamos nos posicionar.”

“Como a gente quer discutir uma agenda global e como queremos melhorar a condição do mundo sem dar, realmente, espaço para que mais pessoas possam contribuir e expressar sua opinião?”

Jovens shapers participantes do Encontro Anual de 2019 / Acervo pessoal

 

 

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