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Empreender com moda: o que é preciso saber antes de se aventurar no setor

Por Suria Barbosa

Um engenheiro mecânico que decidiu empreender com moda explica a sua decisão e conta o que é indispensável para fazer com que a marca dê certo – de uma habilidade essencial aos principais desafios do ramo.

Um engenheiro mecânico que escolheu empreender com moda. Parece estranho? Essa é a trajetória resumida de Leo Esmeraldo, e para ele a escolha faz sentido. Embora sempre tivesse sonho de empreender, não queria seguir a “onda” de startups, mas abrir um negócio mais tradicional. Inspirado pela família, que teve um sorveteria na cidade de Fortaleza, onde nasceu.

Hoje ele é dono de uma marca de roupa de praia, a Flee!. Junto com dois colegas do ITA e a mãe de um deles, começou a tocar a marca do zero. O grupo juntou as suas economias – encontrou um estilista comprometido com sua visão – e lançou a primeira coleção após seis meses de desenvolvimento.

Para empreender em um ramo tão desafiador, ele aconselha não esperar o momento perfeito. “Se você não tiver vergonha do seu primeiro produto, começou tarde demais”, brinca o membro da Rede de Líderes Estudar. Mas, afinal, por que a moda? Primeiro, o engenheiro conta que se atraía pela ideia de criar uma marca, e “poucos negócios são tão dependentes de construção de marca”.

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A possibilidade de difundir seus valores empreendendo não só contava como ponto positivo, era uma demanda que ele via no mercado. “Hoje o consumidor está muito mais exigente sobre os valores, o processo de produção, quem está por trás daquilo.”

A isso somou-se a “dor de mercado” – Leo ouviu uma amiga contar sobre a dificuldade em encontrar biquínis bons e com preço justo –  e a Flee! nasceu. Antes, com outro nome. “Tomei a decisão de sair do meu emprego para entrar 100% na marca”, conta ele. Primeiro, por e-commerce e varejo, agora a empresa atende mercado para atacado também e até compradores internacionais.

O que saber antes de empreender com moda

“Moda é extremamente desafiante”, destaca o empreendedor. Uma das etapas mais difíceis de seu trabalho é prever a demanda do mercado. Ainda que existam algumas formas de contornar, como fazer pesquisas, é um desafio acertar com clareza. Ao mesmo tempo, é quase um requisito para sobrevivência do negócio, inovar.

Outro ponto que torna empreender com moda uma atividade um tanto “incerta” é o fato de que há um ciclo de caixa muito longo. basicamente, o dinheiro investido só dá retorno muito tempo depois. É preciso comprar materiais, desenvolver os produtos, lançar, etc.

Além disso, a concorrência muito alta. De acordo com Leo, as redes sociais democratizaram muito o empreendedorismo na moda. Enquanto isso é bom para quem pode aproveitar a oportunidade, do outro lado, acirra a competição. “Acho que o caminho é se diferenciar cada vez mais”, diz ele. “Você não pode ser só um fabricante de roupa, porque senão o consumidor te troca assim que vê qualquer outra opção mais barata.”

Ainda há necessidade de ter flexibilidade em conhecer e atuar em diversas frentes. Desde responsabilidade social a ambiental, também entender sobre a cadeira de produção, “justamente para poder consolidar uma marca forte e não ficar suscetível à concorrência”.

Gestão é tão necessária quanto criatividade

A entrada do estilista na Flee! supriu a necessidade de lidar com as atividades de criação, tão marcantes na área. Porém, segundo Leo, habilidades de gestão continuam sendo indispensáveis quando se trata de empreender com moda. “Sem um dos dois a chance de fracasso da marca é muito alta.”

Embora ele e seus sócios tenham um background mais analítico, a aptidão de gestão vem sendo aprimorada no dia a dia. “Erramos em muitas frentes em questão de gestão também, fomos aprendendo com a execução da marca”, conta o engenheiro.

Sua dica, então, é se associar com pessoas que – como o estilista de sua marca – fortaleçam o lado menos “favorecido”, seja ele o criativo ou de gestão.

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O ideal é focar no e-commerce ou em uma loja física?

No caso da marca de roupa de praia de Leo, o site corresponde a 70% das vendas. Os outros 30% se dividem entre os revendedores, a loja física e a venda em atacado. Ainda assim, ele destaca que os dois, e-commerce e loja física, se complementam.

Ambos ajudam no atingimento de um público diverso, já que existem pessoas que só compram pessoalmente, mas o contrário também é verdadeiro. 

No entanto, a loja física favorece a implementação da experiência de marca: o consumidor interage com o vendedor, sente a qualidade da peça e vivencia a ambientação da loja, por exemplo. Do outro lado, também exige mais capital.

“O e-commerce permite a você expandir o mercado de maneira muito mais escalável”, explica ele. “Queremos muito crescer em loja física mas acabamos optando por ganhar mais escala e volume em e-commerce para depois expandir”, completa.

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