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Roupas coloridas em exposição

Riachuelo na prática: a rotina de uma estilista que coordena marcas

Por Tiago Mittraud

Formada em engenharia têxtil, Danielle Oliveira precisa estar ligada nas tendências da moda, pesquisar a fundo os clientes da loja, além de pensar de forma estratégica e comercial

Quando estava prestes a prestar vestibular, Danielle Oliveira de Almeida costumava dizer que queria trabalhar com algo efêmero. Cada projeto deveria consumir seu determinado tempo e, uma vez encerrado, ela queria não ter que olhar para trás. É exatamente isso que ela faz agora, como estilista de coordenação de marca nas lojas da rede de varejo Riachuelo. Ela é responsável pela marca jovem feminina da empresa.

Diferentemente da maioria dos seus colegas estilistas, Danielle estudou engenharia têxtil – e não moda – na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. “Li, na época do vestibular, que cursar moda não era obrigatório para se trabalhar com isso. Percebi que eu poderia desenvolver o lado criativo em outros cursos complementares depois, enquanto a engenharia têxtil me daria um conhecimento de processo industrial, o que achei interessante”, explica. “Hoje, compro uma matéria-prima já sabendo o que posso fazer com ela, como posso tingir, cortar, quais químicos posso aplicar”, comenta.

A escolha do curso foi um diferencial para sua entrada no mercado. Quando foi chamada para uma entrevista de emprego, sabia que concorreria com diversos graduandos em moda. Mas foi ela a convidada para ser trainee. Ao perguntar à gestora por que a tinham escolhido, a resposta foi “por seu conhecimento técnico”.

Entre viagens e escritório

Há nove anos na empresa, Danielle foi transferida para São Paulo no ano passado, depois de passar muito tempo viajando para a capital paulista uma vez por mês a trabalho. Viajar, aliás, é um ponto-chave da sua carreira. Todo ano, Danielle vai entre quatro e cinco vezes para fora do país, em busca de novas tendências. “Mas não é férias, viu? Trabalhamos muito visitando lojas, fazendo pesquisas. Mal dá para conhecer as cidades”, diz. É importante também saber traduzir a moda estrangeira para os brasileiros. “Não dá para voltar de Londres querendo aplicar exatamente a mesma coisa aqui. Não vai funcionar. Nossos clientes têm gostos e corpos diferentes”, comenta.

Danielle também faz viagens periódicas para outras regiões do Brasil. “Os próprios consumidores brasileiros têm muitas diferenças. Os nordestinos, por exemplo, não compram roupas de tecidos pesados e escuros durante o inverno, porque lá não faz tanto frio. Já as mulheres das regiões sul e sudeste gostam mais de cinza e preto, em qualquer época do ano”, aponta.

Quando o trabalho é no escritório, em São Paulo, os horários são mais flexíveis – e os trajes também. Há pessoas com tatuagens à mostra, cortes de cabelo moderninhos e roupas estilosas. “Como trabalhamos em um ambiente de moda, há bastante liberdade”, afirma. Ela trabalha em conjunto com a gerência comercial e de planejamento da rede. “No varejo, temos um foco muito grande nas vendas, então, sempre tenho um retorno para saber quais peças venderam bem.”

Criação e planejamento

Estilistas de varejo, como Danielle, precisam criar uma nova coleção inteira por mês, enquanto aqueles que trabalham em marcas de alta costura ocupam-se com duas a quatro coleções por ano. Só a Riachuelo, por exemplo, coloca 100 produtos novos nas lojas todos os dias. Isso significa que são produzidos 36.500 produtos todos os anos. Haja criatividade! Por isso, tudo pode servir de inspiração. “Estou sempre atenta aos detalhes nas roupas das pessoas na rua, no teatro, no cinema. O que elas estão usando, falando, querendo”, diz.

No seu dia a dia, a estilista vende ideias e conceitos, mas não só para desenhar novas peças de roupa. “Muito mais do que pensar quais cores e tecidos vou usar em um vestido, preciso planejar o que vai para catálogo, quais produtos vão aparecer em um filme comercial e quais vão entrar em oferta.”

Antes de desenhar uma coleção, Danielle também precisa ter em mente quanto cada peça final vai custar. “Queremos fazer moda a um preço acessível. Nunca posso me esquecer disso. Não adianta comprar um tecido lindo se eu vou ter que jogar o preço lá em cima depois.” Cada coleção tem uma “pirâmide de preços”, para garantir que haja produtos com preços variados. “Para trabalhar com isso, é preciso ter planejamento e organização”, diz. “Aquele cara que pensa que vai viver no mundo dos sonhos, procurando inspirações e só desenhando sem se preocupar com os números está fora de moda”, brinca.

 

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